Família mafiosa

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Carlos A. Cupeto -Escola de Ciências e Tecnologia
Universidade de Évora

 

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Devemos todos saber que o maior dos perigos, também ele não legislável, vem de outro tipo de famílias. Há uns anos, num daqueles congressos internacionais, para pouca ou nenhuma coisa, tive a oportunidade de conhecer o jovem presidente da Junta de Freguesia de Oeiras. Um rapaz bem vestido, muito bem-falante e etc. Nunca mais vi ou me lembrei de tal criatura. Até que, na semana passada numa boa iniciativa do Parlamento decorreu mais um “Café de Ciência” dedicado à água e à seca; na mesa onde fiquei, para além, do “velho” e conhecido ex-presidente da CM de Moura, Pós-de-Mina, surgiu um rosto que me “incomodou” durante algum tempo por não me recordar de onde o conhecia. Precisamente, a tal jovem promessa de Oeiras. Agora virou especialista em água, é Diretor Delegado dos Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora, empresa que também tem um Presidente do Concelho de Administração entre muitas outras coisas. Suspeito que o Diretor Delegado seja licenciado em direito. O país, nós todos, muito lhe agradecemos mais este serviço em prol do bem comum. Obviamente que todos sabemos como e porquê este tipo de cargos acontecem; obviamente, é transversal a toda a manjedoura política.  Na verdade este novelo de clientelismo político de uma classe, verdadeiramente, mafiosa é muito difícil de desatar. Não consigo imaginar como vamos sair deste beco e darmos passos em frente no sentido de um estado de consciência mais elevado donde resultará uma sociedade mais justa e um mais rico. Acontece, e eles não dão por isso, ou fingem não dar, que a massa anónima que trabalha e sustenta tudo isto com os seus impostos, começa a dar sinais de saturação; diz-nos a história que o resultado disto não é coisa boa. Eduardo Dâmaso no editorial da revista Sábado escreve uma série de “absurdos” sobre o Juiz Desembargador, ex-presidente da CM da Figueira da Foz e novo Secretário de Estado do Ambiente. Como este jornalista ainda não foi preso só temos que acreditar que escreve a verdade. Assim estamos nós, cantando, rindo e assobiando para o lado.

Vai na volta, afinal, vivam os primos, comparativamente inofensivos.

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