Estradas quase paralisada com filas para abastecer

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O fim da tarde de ontem, em Setúbal, foi marcada por extensas filas de automóveis que tentavam abastecer nas várias bombas de gasolina dentro e fora da cidade. Poucos sabiam que havia uma greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, e houve pontos de venda que secaram

 

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A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas afectou ontem a cidade de Setúbal com o combustível a escassear em várias bombas de abastecimento, principalmente o gasóleo. Ao fim da tarde, viam-se filas de automóveis que tentavam abastecer, algumas delas com expressão, principalmente nos pontos de venda de baixo preço.

Na estrada Nacional 10, à entrada da cidade pelo lado do Alentejo, por volta das 17h00, até a circulação de trânsito foi afectada pelas longas filas de carros e camiões que tentavam chegar ao posto de abastecimento do Intermarché e do Jumbo de Setúbal. Por esta hora ainda havia combustível, nestes dois pontos, mas as previsões não eram as melhores.

Da parte do intermarché chegava a informação de que as reservas de gasolina poderiam resistir várias horas à procura excepcional, mas quanto ao gasóleo o panorama era mais negro e poderia “esgotar até ao início da noite”, de ontem.

Da parte do Jumbo de Setúbal, o seu director, António Milheiras, afirmava ao fim da tarde que a bomba de gasolina desta grande superfície ainda tinha capacidade para abastecer. “Temos combustível”, mas admitia que se os camiões de abastecimento não chegassem rapidamente as reservas “vão acabar, de certeza”.

Entretanto, o posto da Repsol no Monte Belo, às 17h26 encerrou mesmo. Outras existiam já sem gasóleo para vender e com extensas filas para abastecer gasolina. Em melhor situação estavam as bombas das Pontes, fora da cidade; pelo menos às 16h30 ainda havia todo o tipo combustível. “Neste momento ainda temos todos os combustíveis, mas estamos quase sem gasóleo”, disse José Rebola, proprietário do posto, acrescentando que noutras unidades da mesma empresa na região o gasóleo já tinha esgotado.

Referia o gerente de duas das maiores empresas de combustíveis da região, Blacktarget e Rebola e Filhos, com nove postos de abastecimento a funcionar do Barreiro a Alcácer do Sal, passando por Alcochete e Sesimbra, que ontem, ao final da tarde, tinha todas as bombas abertas, mas apenas com gasolina para fornecer. O gasóleo é que “entrou em ruptura”, disse.

“O Gasóleo é o mais afectado, por causa dos camiões e táxis. Estamos a deixar todos os tanques com reserva de mil litros, que é obrigatório por lei para ambulâncias, bombeiros e forças policiais”, disse José Rebola.

No concelho de Almada, na Charneca da Caparica, um automobilista que tentava abastecer, queixava-se de não conseguir aceder a nenhum posto de combustível. “Todas as bombas estão com filas enormes, algumas dão voltas à rotunda”, disse André Bendito a O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO.

Segundo a mesma fonte, os preços também dispararam nas últimas horas. “Aqui nesta bomba da Charneca da Caparica a gasolina 95 normal está agora a 1,614 euros o litro, e ontem, no Intermarché de Setúbal, estava a 1,49”, explicou.

No Montijo, o posto de abastecimento no Intermarché ficou sem combustível. As filas de automobilistas eram longas noutros pontos do concelho onde é possível proceder ao abastecimento. Exemplos: ao final da tarde, era significativa ainda a espera de vários automóveis no posto da BP, junto à rua José Joaquim Marques, e no posto de abastecimento no E.Leclerc. À entrada do Pinhal Novo, noutro posto da BP, a afluência também se registou com dificuldade.

A falta de combustível foi provocada pela greve convocada pelo Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica. Uma greve quase silenciosa até começarem a surgir alertas de falta de combustível, inclusivamente nos aeroportos.

Logo na manhã de ontem soube-se que o Governo tinha aprovado uma resolução do Conselho de Ministros que reconhece a necessidade de requisição civil no caso da greve dos motoristas de matérias perigosas. Esta decisão foi tomada “depois de se ter constatado que no dia 15 de Abril não foram assegurados os serviços mínimos”, fixados pelos ministros do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética, ditava o Conselho de Ministros.

 

 

Posto do Lavradio ocupado por grevistas

 

O posto de abastecimento do Lavradio, no Barreiro, que fica em ponto de passagem de muitos camionistas dos pesados de transporte de combustíveis, esteve ontem ocupado logo desde manhã cedo, por vários profissionais em greve.

Os motoristas mantiveram-se no local para, segundo o proprietário da bomba, dissuadir o reabastecimento do posto por qualquer veículo que chegasse para o efeito.

A PSP manteve forças nas proximidades para prevenir eventuais conflitos, em caso de chegar algum camião de reabastecimento ao posto, mas tal não chegou a acontecer.

Segundo o empresário José Rebola, o posto do Lavradio é considerado “prioritário” para efeitos de reabastecimento, devido à localização junto a indústrias e empresas.

 

Francisco Alves Rito

Humberto Lameiras

Mário Rui Sobral

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