A festa

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Mário Moura –
Médico

 

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Há alguns anos atrás estive na Palestina, em Jerusalem, numa peregrinação aos chamados “lugares Santos”. Só queria partilhar hoje com os meus leitores como passei o Domingo de Ramos , que passamos há três dias, e como me impressionou a multidão de gente de todas as paragens do mundo, de todas as cores de pele, leigos, sacerdotes e religiosas que com uma alegria esfusiante, com ramos e flores nas mãos, cantando os mais variados cânticos e em variadas  línguas, novos e velhos, homens e mulheres , toda a gente numa alegria contagiante, caminhando aos milhares na repetição de como teria sido há muitos séculos a entrada de Jesus e seus apóstolos, todos rodeados duma multidão que saudava a chegada daquele homem que se intitulava filho de Deus mas convivia com os desvalidos da sociedade – pobres, doentes ou pessoas de baixo nível social- e vinha concretizar a sua missão de salvar os homens dos seus pecados  amando todos , como se viu, até à entrega da sua vida a maior prova de amor que humanamente se pode dar – dar a vida pelo próximo|

Há quem entenda que se deve purificar (?) a religião das emoções. Mas, meus estimados leitores, as emoções são um verdadeiro alicerce da nossa vida de seres inteligentes e há quem considere que o QE (cociente emocional) é mais importante que o conhecido QI (cociente de inteligência). No meu ponto de vista as nossas emoções dão força às nossas decisões, isto é, fazer tudo com paixão é fundamental para que a nossa ação tenha mais força. Ora no campo da religião isto é essencial – que se viva com paixão a nossa entrega à Boa Nova, ao mandato que Deus através do Seu Filho, Jesus, nos manda. A nossa Igreja no decorrer dos séculos foi-se deixando invadir pelas regras rígidas, pelas liturgias que ficam muitas vezes vazias de sentido real, descarnadas de vida.

O nosso Papa Francisco tem feito, e continuará certamente nesse caminho, mandando os cristão  viverem como Cristo nos ensinou, colocando os pobres no centro da nossa vida. Ora o domingo de ramos inicia a Semana Santa, a entrega de Jesus ao poder vigente, o seu julgamento viciado, a sua Paixão – a subida ao Gólgota com a cruz aos ombros debaixo das chicotadas dos seus algozes – a crucifixão entre dois meliantes e a sua morte física. Então porquê a festa? Porquê esta semana santa cheia de aspetos negros e ristes, tem de ser uma festa para os que se dizem cristãos – seguidores do Evangelho –  ? Porque Jesus ressuscitou, venceu a morte e veio dar aos homens , alem dum caminho de amor, uma esperança que dá verdadeiro sentido á nossa vida, a esperança de que não é em vão que atravessamos muitas dificuldades nesta nossa vida terrena, até com muitas razões de sofrimento com doenças e dores – mas a Páscoa vem dizer-nos que todos devemos ter esperança de que nascemos e lutámos nesta vida , até com dores e derrotas, mas que nos espera uma convivência com o próprio Deus, com o Amor Pleno, com o Poder criador de tudo o que nos rodeia e que ninguém ainda conseguiu  explicar apesar de todos os tremendos avanços das ciências.

Domingo de Páscoa, tempo de Festa, MOMENTO de Esperança |

Não posso deixar de recordar e sentir em mim novamente aquela alegria contagiante que vivi na Palestina , e fazer votos de que todos aqueles que se dizem seguidores de Cristo sintam igualmente a mesma emoção e a mesma alegria, e se não deem por satisfeitos com os rituais que se realizam por todo o lado, que não sejamos apenas turistas olhando aqui ou ali  os  pesados andores e outras cerimónias que se fazem nas Igrejas, algumas duma grande dimensão – que se não esqueçam as tradições desde que elas sejam momentos de reforço da nossa prática do AMOR! E que aumentem a nossa Esperança duma vida plena|

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