A Quaresma e a Páscoa

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Mário Moura –
Médico

As semanas vão passando nesta época propícia a um exame de consciência naqueles que conhecem o seu significado e naturalmente se consideram cristãos pois estamos numa quadra criada explicitamente para o mundo que segue a religião cristã.

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No entanto, nos países que nasceram e foram criados nos primeiros tempos da existência do cristianismo, com o decorrer dos seculos essas sociedades secularizaram-se mas mantiveram-se as datas marcantes do cristianismo como épocas que mereciam ser assinaladas e festejadas – assim aconteceu principalmente com o Natal que relembra o nascimento de Jesus e, igualmente, com a Páscoa que assinala a Paixão , o julgamento e a morte desse Jesus que se dizia Filho de Deus e convivia com os pobres e as prostitutas, e que afrontou as regras sociais, civis e religiosas, dessa época. E afrontou esses poderes duma maneira pacífica trazendo para a vida uma regra única : amar o nosso próximo  em toda e qualquer circunstancia .

Isto escandalizou de tal maneira essencialmente os sacerdotes , chefes da Igreja de então, senhores de poder sobre os fieis, que foram eles os principais agentes que levaram as autoridades civis romanas, pois a Palestina estava sob domínio de Roma que quase ocupou e marcou igualmente com as suas regras de vida os países ocidentais, que levaram, dizíamos, as autoridades romanas sediadas em Jerusalem a julgar Jesus Cristo como um criminoso, mesmo não muito convencidos da perigosidade de Jesus.

Para os cristãos a Páscoa é a grande data, não propriamente pela morte de Jesus mas pela sua ressurreição – para os cristãos jesus venceu a morte. A vida tem alem da sua fase terrena uma fase edílica, de felicidade total. Se assim não fosse não tinha lógica nascermos, vivermos com todos os problemas da vida e acabarmos em cinzas e vapor de água no caso de sermos cremados, ou “comidos” pelos vermes debaixo de terra – tal vida não tinha sentido.

E a quaresma é o período para a necessária revisão de vida e arrependimento pelo mal praticado, para se estar interiormente purificados para se poder partilhar a Paixão de Jesus e gritar a felicidade  – com a sua ressurreição –  de termos  uma razão para vivermos para completar a nossa vida em plena felicidade face a face com Deus, esse Poder infinito, que não sabemos definir, que está para alem da nossa racionalidade

O Amor, o Perdão, a Fraternidade, a preocupação com os excluídos da sociedade, os pobres e os doentes, são os pilares dum cristianismo verdadeiro. Um cristianismo portanto vivido na relação com os outros e não confinado a sacristias, mesmo cumpridor de todas as regras rígidas da liturgia. Uma comunidade cristã autentica deve ser como um “hospital de campanha” aberto a receber e ajudar todos os necessitados  E o nosso atual Papa Francisco não se cansa de proclamar esta necessidade de “sujar as mãos” nos problemas da sociedade – desta sociedade, fiz Ele, “que mata”.

A Quaresma é precisamente para refletirmos sobre o poder do Amor e como nos comportamos para com os outros. É para refletirmos como a vida deve ser vivida com alegria pois é caminho para a Felicidade Eterna. É para refletirmos no que é Deus para cada um de nós. É para refletirmos no que é a fraternidade versus egoísmo. É para refletirmos como encaramos a dor, as misérias e as tormentas em que muitos de nós temos responsabilidade!

Mas tendo sempre em mente que somos amados pelo autor da Criação, e por isso vivermos sempre em Alegria!

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