Instituições europeias debatem futuro do planeta a partir de Setúbal

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As alterações climáticas foram debatidas em Setúbal, com a presença de representantes da Comissão Europeia, Nações Unidas, serviços de protecção civil europeus e investigadores académicos

 

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Alterações climáticas e soluções para o futuro sustentável do planeta foram discutidas em Setúbal durante a II Conferência Internacional Riscos, Segurança e Cidadania. A conferência contou 479 participantes, “que ao longo de dois dias debateram temas da maior importância para todos nós”, referiu a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.

Um evento organizado pela autarquia, Centro de Estudos e Intervenção em Proteção Civil, Instituto de Geografia e Ordenamento do Território, Instituto Politécnico de Setúbal e com o alto Patrocínio do Presidente da República.

Com um apelo ao trabalho conjunto de todos os representantes de instituições e investigadores presentes, Maria das Dores Meira identificou “a realização desta conferência como resultado do afunilamento feito nos últimos anos, dentro destas matérias, aqui, em Setúbal. Um aprofundamento motivado, em primeiro lugar, pelo contexto da nossa cidade. Um meio urbano onde coexistem riscos industriais e naturais. E depois, porque as matérias relacionadas com protecção civil, riscos e cidadania estão na ordem do dia”.

Entre as apresentações realizadas durante a conferência, a presidente destacou temas como “a segurança urbana e construção da resiliência face às alterações climáticas”, “os desafios futuros das alterações climáticas no auxílio humanitário e gestão de crises”, “riscos crescentes das alterações climáticas” ou “a gestão da água e o combate à desertificação do território”.

A conferência estendeu-se ainda ao debate sobre “sustentabilidade e turismo”, assim como à “educação e formação na segurança” e “lições aprendidas desde 2017 em matéria de riscos de incêndios florestais”.

No âmbito destes temas a autarca considera “essencial” continuar a trabalhar na “atenuação das alterações climáticas”, desde o contexto nacional, ao regional e local.

 

“De Setúbal para o Mundo”

 

A sessão de encerramento da conferência contou com a exposição do professor Augusto Mateus, especialista em economia e desenvolvimento, subordinada ao tema “De Setúbal para o Mundo”.

“Em 2050, o planeta terá 10 mil milhões de pessoas e, muito provavelmente, mais de dois terços estarão em cidades. Ao mesmo tempo estaremos a enfrentar um conjunto de alterações climáticas e as consequências das decisões erróneas que tomámos até hoje, sobre o ordenamento do território, planeamento e construção de cidades, desenvolvimento de empresas e opções de mobilidade”. Motivo pelo qual o professor considera determinante “planear, minimizar riscos e tomar decisões agora”.

Dentro do tema “De Setúbal para o Mundo”, Augusto Mateus destacou “um tempo em que pensávamos que sabíamos tudo sobre cidades, quando afinal vemos que precisamos reinventar”. Neste contexto, Augusto Mateus aponta dois erros que são necessários ultrapassar.

“O primeiro erro é pensar que sabe de Setúbal quem vive em Setúbal. Sabe de Lisboa quem vive em Lisboa. E sabe de Paris quem vive em Paris. Não”.

 

Alerta de tsunamis dá 90 minutos à baixa

 

Sobre o plano de acção para salvaguardar a população, Paulo Lamego, comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, destacou a experiência piloto de Setúbal, com um posto de alerta de tsunamis na Praia de Albarquel. “Este posto permite alertar a população com 30 minutos de antecedência antes da primeira onda”. Sendo, contudo, uma grande preocupação o curto tempo entre o alerta e a inundação total da baixa da cidade, que ocorreria em 90 minutos.

Para a salvaguarda da população a Protecção Civil instalou na Avenida Luísa Todi postos de informação, onde podem ser consultados percursos e medidas de segurança. Existindo também, por toda a cidade, setas verdes fixadas em paredes, pelas quais a população passa todos os dias, sem reconhecer que indicam os caminhos seguros em caso de sismo.

 

Desafio Sustentabilidade & Turismo

Com a apresentação “Sustentabilidade e Turismo” Bruno Bodard, do Clube das Mais Belas Baías do Mundo defendeu a máxima de que “o mar não tem tempo e existe um vasto património junto ao mar. Sendo esses os principais motivos pelos quais as pessoas querem viver no litoral”.

Contudo, Bruno Bodard alerta, “queremos viver junto ao mar mas temos que pensar em estratégias para preservar um recurso que é frágil e saber usar todo o seu potencial a nosso favor”. Este é o trabalho feito pelo clube: “questionar como é possível desenvolver as baías, nomeadamente, com o turismo e a sustentabilidade que nos trará para o futuro, no entanto, sem esquecer a preservação do ambiente”.

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