Autarquias, bombeiros e munícipes unem forças para ajudar Moçambique

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Desde que Moçambique foi atingido pelo ciclone “Idai”, o distrito de Setúbal iniciou a mobilização necessária para enviar bens de primeira necessidade. Quarteis de Bombeiros Voluntários e Cruz Vermelha reúnem agora doações em vários concelhos

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Na península de Setúbal são vários os concelhos a recolher bens essenciais para enviar a Moçambique, onde a passagem do ciclone “Idai” provocou uma crise humanitária sem precedentes. Setúbal, Barreiro, Palmela, Seixal e Sines são alguns dos exemplos municipais que na região estão a organizar campanhas de recolha de bens para ajudar a população moçambicana.

A ajuda a partir de Setúbal surge através de uma campanha em curso organizada pela autarquia para mobilizar a solidariedade pública na “doação de bens variados para suprir carências imediatas do povo moçambicano afectado pela catástrofe natural, em particular na zona da Beira”. As doações no âmbito desta campanha devem ser entregues no quartel dos Bombeiros Voluntários de Setúbal, situado na Avenida José Mourinho, na frente ribeirinha da cidade.

Entre os bens que Moçambique aguarda com maior urgência estão produtos alimentares não perecíveis, engarrafados ou enlatados, como água, feijão, arroz, grão, massa, frutos secos, açúcar e óleo. “Assim como artigos para bebés e crianças até aos 7 anos, como farinhas lácteas e não lácteas, fraldas de pano e roupas”.

São ainda considerados bens prioritários produtos de higiene e limpeza, como sabão, detergente e lixivia, bem como kits de abrigo, acomodação e primeiros socorros, material de proteção para técnicos de saúde e artigos escolares.

Em Sessão de Câmara, o vereador Paulo Lopes já havia colocado se “estaria a ser organizada alguma campanha de ajuda humanitária”, tendo em conta que “Setúbal mantém um histórico de proximidade com Moçambique no desenvolvimento de projectos sociais e humanitários”. Uma questão sobre a qual a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira afirmou que “Setúbal estaria sempre ao lado de Moçambique” recordando a ligação já existente com a cidade de Quelimane para a construção de infraestruturas.

O jornal O Setubalense-Diário da Região procurou saber como o envio dos bens recolhidos será efectuado pela autarquia, uma vez que, associações como a Cruz Vermelha estão com dificuldades na agilização deste processo. Contexto em que a autarquia pondera a possibilidade de que os bens sejam enviados em contentores, por via marítima, apesar do tempo de entrega ser maior.

 

Ajuda parte de todo o distrito

 

A Câmara Municipal de Palmela está a receber, até dia 15 de abril, bens alimentares e de higiene, que serão transportados através da Cruz Vermelha Portuguesa para Moçambique.

Em recolha estão alimentos enlatados com validade prolongada, produtos para tratamento de água, produtos de higiene pessoal e desinfectantes (como lixívia e sabão azul e branco), que podem ser entregues nas Bibliotecas Municipais de Palmela e de Pinhal Novo.

A autarquia de Sines está também a manifestar a sua solidariedade com Moçambique. E, para que o apoio humanitário planeado seja concretizável Sines já iniciou “as diligências necessárias junto da Embaixada de Moçambique em Lisboa, do Ministério da Administração Interna, da Cruz Vermelha Portuguesa e do Município de Lisboa”, de modo a que seja possível expedir bens alimentares adquiridos pelo município. Os munícipes também podem participar nesta campanha com entrega de bens alimentares e produtos de higiene no quartel-sede dos Bombeiros Voluntários de Sines.

No Seixal, a iniciativa Março Jovem, promovida e organizada pela autarquia em parceria com o associativismo local e agrupamentos escolares, promoveu uma recolha de bens não perecíveis e medicamentos durante o encerramento do Março Jovem, sendo o concerto da banda portuguesa HMB o palco da iniciativa solidária.

A Câmara Municipal do Barreiro está também a organizar uma campanha de angariação de bens e apela “a toda a comunidade barreirense, sempre solidária e disponível a apoiar nestes momentos de necessidade”. Os donativos recolhidos devem ser entregues nas instalações dos Bombeiros Voluntários do Barreiro – Corpo de Salvação Pública e Bombeiros Voluntários do Sul e Sueste.

 

Cruz Vermelha alerta sobre bens prioritários

 

No seguimento das campanhas de solidariedade organizadas para com Moçambique, a Cruz Vermelha publicou uma lista de bens que são considerados prioritários e podem ser entregues na Sede Nacional ou nas delegações locais, como Setúbal. Desta lista fica excluída a aceitação de roupas.

A delegação de Setúbal da Cruz Vermelha comunicou que, “na eventualidade de serem entregues roupas para Moçambique na EOE [Estrutura Operacional de Emergência]” os profissionais presentes devem informar os mecenas que a entrega de roupas não está prevista, uma vez que, “não existe nenhuma garantia nossa da entrega desses géneros, pois estamos sob a dependência da Sede Nacional e da sua capacidade logística para a entrega de bens”.

Segundo fonte da delegação de Setúbal da Cruz Vermelha alguns bens estão a ser priorizados em detrimento de outros, “devido ao facto de serem determinantes para a saúde pública, como os produtos de higiene e medicamentos e as farinhas alimentares e produtos enlatados de longa duração para a supressão da necessidade mais básica. Não que as roupas não sejam necessárias, mas existe dificuldade em reunir fundos para os meios aéreos entregarem os bens recolhidos o mais rápido possível, pelo que é essencial esta priorização”. Outros bens poderão seguir mais tarde em contentores, via marítima.

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