Não há plano ‘B’

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Mário Moura –
Médico

Correndo o risco de ser considerado um obcecado com os problemas ecológicos, volto ao tema de novo para dar eco a algumas informações que vieram nos órgãos de informação nacionais.    Assim soubemos que a temperatura media em Portugal aumentou dois graus e que nesta altura o conjunto do nosso clima se começa a assemelhar ao clima do norte de África. Corremos o risco de aparecerem vetores (mosquitos etc.) de doenças tropicais no nosso país e já temos entre nós a ameaça de secas perturbadoras do nosso cotidiano. Nesta altura já houve zonas onde a água potável teve de ser distribuída por carros tanque dada a mingua das fontes e nascentes.

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A nível global os sintomas são por demais evidentes e preocupantes pois nalgumas zonas as secas são intensas andando as populações kilómetros para irem encher os seus recipientes com água potável.  Entretanto cientistas afirmaram já que a tragedia de Moçambique se deveu ás alterações climáticas – em vez de seca inundações destruidoras de casas e de culturas.    Nas manifestações dos jovens apelando à necessidade de se fazerem mudanças drásticas na organização da nossa sociedade uma jovem empunhava um cartaz que dizia “não há plano “B”! querendo dizer que este planeta está condenado a ser inabitável e que essa juventude quando chegar à maturidade não tem processo de viver  ou de sobreviver ás transformações, ás alterações da fauna e flora ou  ao esgotamento d3e meios de subsistência.    Talvez seja uma visão catastrofista em demasia , dirão todos aqueles que desvalorizam os problemas ecológicos , mas a rapidez da evolução do clima, das temperaturas médias, do esboroar das costas mais baixas de continentes ou o desaparecimento de certas ilhas, problemas que estão já a verificar-se são suficientes para dar crédito aos receios da juventude.   Será que tragedias como as de Moçambique que nos toca profundamente pelas razões da história passada não é suficiente para pôr políticos a pensar a sério? Para pÔr os mandantes dos capitais que mantêm o nosso sistema a funcionar sempre a seu favor, claro, levarem igualmente estes problemas a sério? A gravidade da situação pode analisar-se quando vimos o Presidente Tremp abandonar um compromisso internacional obtido com muito custo em reunião abrangendo os países de todo o mundo.

Se juntarmos à gravidade destes problemas o desencanto que as populações vão tendo do sistema vigente e que tem levado igualmente a outros protestos bem significativos como as manifestações dos coletes amarelos em França, por exemplo, percebemos que a juventude tem razões de sobra para estar receosa do seu futuro – e ainda juntando a tudo isto as profundas mudanças da tecnologia com a criação de robots, de colocar em prática a inteligência artificial e de fazer o mundo pequeno com a rapidez do aumento do uso das comunicações desumanizadas das internetes , dos satélites, das “nuvens”, etc. ,percebemos que o problema é mesmo sério.

Quem é cristão, nesta quaresma deve pensar em grande na possibilidade duma verdadeira Páscoa, duma verdadeira ressurreição dum modo de vida e duma organização social que tenha por base a afetividade entre as pessoas, a verdade e a preocupação não individual, mas generalizada, com o mundo em que estamos inseridos – esta é a maior responsabilidade dos que se dizem cristãos. E o Papa Francisco não se cansa de nos chamar a atenção para estas realidades. Cabe ao povo de Deus, fieis e seus pastores, aparecerem a marcar de maneira vincada as necessárias mudanças para salvar este mundo.

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