Uma pedrada no charco

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Francisco Ramalho – Ex-bancário, Corroios

Nestes dias sombrios que vivemos, em que o efeito das famigeradas alterações climáticas já se faz sentir com tanta intensidade; são as calotes polares a derreter, são tempestades  sempre mais violentas e frequentes, são secas cada vez mais prolongadas, e são os efeitos de tudo isso: incêndios florestais devastadores, espécies que se extinguem, desertos que se expandem, oceanos que sobem de nível, e são as negras perspetivas de um planeta continuamente mais degradado.

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Perante tão negro quadro, perante tanta ganância que se traduz na devastação de florestas, na poluição de rios e mares, na contínua emissão de dióxido de carbono e de outros gases com efeito de estufa fazendo subir a temperatura atmosférica e, perante tanta passividade, digam lá se não é uma autêntica pedrada no charco, o movimento global #FridaysForFuture, criado pela jovem sueca Greta Thunberg, para lutar contra tudo isto?

Mas, evidentemente, não devemos  embandeirar em arco, porque o que está em causa mexe com enormíssimos interesses e a irreverência e entusiasmo da juventude é fugaz, e a inércia imensa. No entanto,são sementes que ficam. Para já, foram muitos milhares na Europa ( em Portugal, escolas de quase de 30 cidades, aderiram), na América, na Austrália e um pouco por todo o mundo,  jovens estudantes, fizeram greve às aulas e manifestaram-se por esta causa  tão nobre e absolutamente vital.

Dois exemplos concretos do que está em causa: o ciclone e as chuvas torrenciais prolongadas em Moçambique, Zimbabwe e Malawi e o que tanta gente ainda mal se  apercebeu, a seca aqui em Portugal. Zonas no Alentejo e Algarve onde já é mesmo classificada de severa, já estamos quase em Abril, e não há previsão de chuva.

Portanto, no primeiro caso, são tão graves e evidentes os efeitos, que a consternação é mundial. No nosso caso, até há dias em que o Governo e a comunicação social começaram a falar no assunto, a indiferença  era ainda quase total. Havendo até bastante  entusiasmo com o “bom tempo”. Portanto, por tudo isto, só nos podemos regozijar com a iniciativa dos jovens estudantes e incitá-los para que não se fiquem por aqui. Aliás, é o futuro deles e da própria humanidade, que está em causa.

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