Os nossos filhos e netos são menos inteligentes?

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Arlindo Mota – Presidente da UNISETI

Por experiência familiar ou de amigos já quase todos nós ouvimos falar dos prémios de mérito escolar que distinguem os melhores alunos de uma escola. As raparigas ocupam aí um lugar destacado, bem à frente dos rapazes. Também nas médias para a entrada na universidade ocupam os primeiros lugares. Nos cursos superiores que eram tradicionalmente frequentados por jovens do sexo masculino, como os de medicina e direito, elas preenchem o maior número.

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À partida tal só nos poderia alegrar, pois há três ou quatro décadas a situação era diametralmente oposta. Mas, e se tal se fica a dever em grande parte ao sistema educativo, que não leva em conta especificidades biológicas (a maturação das raparigas é mais precoce) e intelectuais dos rapazes?

Se pugnamos pela igualdade deveria ser motivo de profunda reflexão. E alguma há, mas fica claramente aquém do necessário. Por outro lado, as famílias têm justificadas razões para estarem contentes com o sucesso das suas raparigas, mas preocupadas com os seus filhos e netos, cujo desempenho escolar está longe de acompanhar o percurso das irmãs ou amigas e procuram encontrar razões para tal facto. E essa questão não se pode dizer que esteja na ordem do dia das preocupações de quem tem nas mãos o sistema de ensino. Longe disso.

Vejamos os factos indesmentíveis: os resultados escolares dos rapazes têm vindo a revelar-se como sistematicamente inferiores ao das raparigas. Mais, as taxas de retenção e desistência, bem como as taxas de abandono vão no mesmo sentido. Também no que concerne a diplomados no ensino superior, pós-graduações, mestrados e doutoramentos as raparigas registam uma melhor performance.

Este assunto não tem merecido uma particular atenção nem pelos governantes, nem pelos media. E os pais parecem já se ter conformado com esta situação, porque não percebem as causas, nem veem as autoridades educativas darem atenção a esta situação. Como explicar esta situação?

Um estudo europeu realizado há já mais de quatro décadas e publicado na revista da UNESCO “Perspectives de l´ Education”, já havia chegado a idênticos resultados: em todos os graus de escolaridade obrigatória, a percentagem de fracassos no sexo feminino revelava-se significativamente inferior ao dos rapazes.

Dados da psicologia diferencial, admitia-se aí, faziam admitir uma superioridade feminina nas tarefas que fazem apelo à memória ou a dados verbais e uma superioridade masculina nas provas numéricas e habilidade mecânica. Poderíamos então perguntar se o sucesso escolar não será sobretudo condicionado por estes dois factores (memória, destreza verbal) de predominância feminina?

Mas poderíamos avançar com outras hipóteses explicativas: A feminização do corpo docente; a socialização das raparigas e rapazes, elas ainda apresentando um comportamento mais sossegado e habituadas à execução de algumas tarefas domésticas (fazem a cama, arrumam a roupa, etc.), enquanto os rapazes normalmente são dispensados dessas obrigações e manifestam-se mais indisciplinados e irrequietos. E, como referimos atrás, as raparigas são naturalmente dotadas de destreza verbal e de memória, o que é sobreavaliado pelo sistema escolar vigente, em prejuízo, por exemplo, da criatividade. Vale a pena continuar a debater o assunto? Creio que sim.

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