Agrupamento de Escolas Lima de Freitas nas ruínas romanas de Tróia

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Giovanni Licciardello – Professor
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“Quando a Tróia se arrasou, três dias choveu areia. Só um homem se salvou no ventre de uma baleia”

 

Adágio popular muito antigo

 

No passado dia 12 de Março de 2019, os alunos do 5ºA e 5ºB, do Agrupamento de Escolas Lima de Freitas, visitaram as ruínas romanas localizadas em Tróia.

 

Os alunos foram acompanhados pelas professoras Manuela Cerqueira, Margarida Cruz, Sara Oliveira e por mim.

 

À nossa espera encontravam-se as arqueólogas Filipa Santos e Patrícia Brum, que se colocaram à nossa disposição, prestando todos os esclarecimentos de forma extremamente simpática e competente.

 

Ambas efectuaram um pequeno enquadramento histórico, referindo que antes de 2005, as ruínas eram da responsabilidade do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR).

 

Ao local deslocava-se pontualmente uma equipa de arqueólogos e não estavam abertas ao público.

 

Ou seja; estava basicamente ao abandono.

 

Em 2005, foi concretizado um protocolo entre a Tróia Resort e o Estado, com vista a uma recuperação efectiva das ruínas, para uma posterior abertura ao público, que viria a concretizar-se em 2010.

 

O Tróia Resort tem uma equipa de arqueólogas permanente constituída por Ana Patrícia Magalhães, Filipa Santos, Inês Vaz Pinto e Patrícia Brum.

 

Durante o trajecto recolhemos seis sacos de lixo de 30 kg cada um, durante duas horas.

 

O lixo recolhido por nós era essencialmente constituído por plásticos, sendo que as garrafas de água de tamanhos diversos ocupam grande parte do lixo. Também havia muitas embalagens de sal, para apanha do lingueirão.

 

Os alunos estavam bastante desagradados com a quantidade de lixo encontrada, sinónimo de falta de princípios e de valores pessoais e ambientais.

 

O centro de tratamento de peixe em Tróia foi o maior complexo de peixe do Mundo Romano, o que atesta a extraordinária importância destas ruínas e da necessidade imperiosa da sua recuperação e preservação.

 

Há dois mil anos atrás trabalhavam em Tróia cerca de 1500 pessoas, na salga e na confecção de molhos de peixe, o famoso Garum, armazenado em tanques, colocado posteriormente em ânforas e distribuído por todo o Império Romano, desde o Reino Unido, Roma, Norte de África e Mediterrâneo Oriental.

 

 

Filipa Santos e Patrícia Brum informaram-nos que se encontra em andamento a candidatura das ruínas romanas de Tróia a Património Mundial, tendo a primeira etapa sido ultrapassada com sucesso em 2016, o que se constata com muita satisfação

 

Ao percorrer o perímetro, recuamos no Tempo até ao séc. I d.C. e percepcionamos um monumento nacional que sobreviveu mais de 2000 anos, com casas, fábricas, termas, mausoléu e necrópole, edificações identificativas de um modus vivendi romano.

São seis séculos de história, entre o séc. I e o séc. VI d.C., num espaço abençoado pela Natureza. Tróia, a “Pompeia de Setúbal”, designada dessa forma por Hans Christian Andersen, foi pensada à escala do Império Romano.

Parece-me evidente que existe uma necessidade de instalar um museu adjacente ao sítio arqueológico, para que seja possível apresentar os artefactos que vão sendo recolhidos e tratados.

O aspecto transversal a esta visita de estudo, foi procurar incutir nos alunos a importância da preservação do nosso património natural e cultural.

Tróia embora pertença administrativamente à Câmara Municipal de Grândola, está geográfica e afectivamente ligada a Setúbal.

Não nos devemos esquecer disso.

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