Um bom sinal a todos os títulos

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Francisco Alves Rito – Director

Ver os jovens entrarem na defesa do futuro só pode animar-nos

A greve que mobiliza hoje estudantes de Setúbal, da região, do país e do mundo, em geral, é animadora para o futuro da Humanidade. Por todas as razões.
Primeiro porque o alerta ambiental está já no vermelho. O colapso ecológico é uma das três maiores ameaças à sobrevivência da espécie humana, a par da guerra nuclear e da disrupção tecnológica (ver p.e. Yuval Noah Harari).
Depois, porque a continuidade da civilização humana, no imediato, passa por estes jovens, exactamente esta geração que hoje está em greve. Nesta sequência, a juventude actual tem todo o direito – infelizmente na prática apenas um direito natural – de receber um legado ambiental em condições. Os actuais detentores do poder e dos meios práticos de orientação e decisão têm a responsabilidade – infelizmente apenas pouco mais do que moral – de deixarem à geração seguinte um planeta pelo menos igual ao que receberam da geração anterior. Esta responsabilidade e obrigação decorrem da igualdade intergeracional – uma forma de igualdade que juridicamente também pouco passa de direito natural.
Em ultimo lugar, esta iniciativa de hoje anima também por os jovens meterem mãos à construção do futuro. Para além da causa ambiental, é essencial que as pessoas em geral e os jovens em particular participem na politica, na prática cidadã.
A mudança do mundo, que ainda há poucas dezenas de anos assentava na luta contra a exploração laboral, vai passar pela luta contra a irrelevância. Com a revolução tecnológica, as pessoas – o cidadão anónimo – perderam a grande força que tinham, o valor económico do trabalho. Estamos agora na iminência da irrelevância, em que as pessoas além de anónimas nem são necessárias para produzir. Lidar com isto passa por mudar o mundo e isso é com os jovens.
É por isso inteiramente meritório que Greta Thunberg, a jovem sueca de 16 anos que impulsionou este movimento, esteja já nomeada para prémio Nobel da Paz.

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