Março Mulher deste ano traz e promove partilha de “Estórias de (Des)Igualdade”

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Começou no início do mês e prolonga-se até ao mês de Maio o programa Março Mulher, que sendo a “grande festa do concelho de Setúbal pela igualdade entre homens e mulheres”, conta com actividades para todos os públicos e desafia todos a contar as suas “Estórias de (Des)Igualdade”, o tema da edição deste ano

 

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Música, cinema, teatro, exposições e tertúlias. Para todos os públicos e para todas as idades. Em Setúbal, as “Estórias de (Des)Igualdade” serão o ponto de partida e o ponto de chegada de dezenas de actividades que terão lugar até Maio, no âmbito do programa Março Mulher. O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO esteve à conversa com Lucília Santos e Patrícia Patrício, da SEIES – Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social que, em parceria com a Câmara Municipal de Setúbal, organiza a iniciativa que conta já com 25 anos de existência. Este ano o tema passa, assim, pelas “Estórias de (Des)Igualdade” e todos estão convidados a contar a sua.

 

“Porque queremos uma outra história para as mulheres e os homens do futuro, dedicamos este

Março Mulher às ‘Estórias de (Des) Igualdade’, um tema que permite transmitir às pessoas a ideia de que todos, pelas vivências que temos ao longo da vida, temos histórias de igualdade e de desigualdade para contar e que este é um tema de todas as pessoas”, refere Lucília Santos. “Todos os dias somos assolados com notícias sobre situações que reflectem que não há igualdade. Isso, por sua vez, reflecte-se na desigualdade salarial, na questão da violência doméstica, no número de mulheres que já morreram este ano e que morrem todos os anos, nas escolas, em todas as áreas profissionais, em várias situações, de alguma forma”, adianta.

 

Uma iniciativa que faz cada vez mais sentido

Com o apoio de centenas de pessoas voluntárias, instituições e empresas, Março Mulher, um movimento que nasce “da vontade de provocar uma sensibilização, mais concreta e mais próxima, à problemática do género”, faz, ano após ano, cada vez mais sentido. “Cada vez mais temos o dever de estar alerta para estas situações. Cabe a cada um de nós. O género não pode condicionar as oportunidades”, considera Lucília Santos, da Cooperativa SEIES e coordenadora do MM. “E, mesmo no cenário idílico de um dia haver igualdade, de não existir desigualdade sobre a mulher, o Dia Internacional da Mulher fará sempre sentido, nem que seja em memória de todas as mulheres e homens que lutaram pela igualdade. Há e houve muita gente a lutar por este direito humano”, adianta.

 

A desigualdade está de facto presente em várias situações de que temos conhecimento diariamente e Patrícia Patrício, da Sociedade de Estudos e Intervenção em Engenharia Social, explica que “há, em muitos casos, dupla discriminação. A que está na origem da raça, da proveniência, e a por ser mulher, por exemplo. No caso da Marielle Franco, ocorreu quádrupla discriminação, uma vez que era lésbica, negra, feminista e mulher” e acredita que é importante “desconstruir a ideia de que o feminismo é uma forma de estar semelhante ao machismo, uma vez que o machismo defende que o homem tem superioridade sobre a mulher. O feminismo defende que as mulheres têm que ter direito às mesmas oportunidades que o homem e que não devem ser encaradas como minoridade pelo facto de serem mulheres”.

 

Mais do que o Dia Internacional da Mulher: de Março a Maio

Mesmo tendo como mote o Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, o evento Março Mulher estende-se de Março a Maio e convida à participação e ao envolvimento de toda a comunidade.

 

O programa segue com dezenas de propostas. Ao longo de todo o mês, o Centro de Cidadania Activa, o Centro Social Paroquial de São Sebastião e a Escola Secundária du Bocage convidam todas as pessoas a construir uma biblioteca humana, sob o tema “Estórias de (Des)Igualdade”. Os relatos farão parte de uma biblioteca digital ou de uma exposição física. “A ideia é convidar as pessoas a estar connosco, a pensar um pouco e a escolher na sua vida uma história de igualdade ou desigualdade. Trabalhamos em conjunto essas histórias, de forma a que possam ser depois contadas em vídeo e essas pessoas passem a ser livros humanos, que podem ser requisitados por várias organizações e entidades para irem contar aquilo que são as suas histórias”, explica Lucília Santos a O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO. Quem não quiser ter essa exposição visual que o vídeo implica pode também contar histórias e essas serão escritas e colocadas em exposição no Centro de Cidadania Activa. Em Maio, no dia 31, haverá um encontro final do Março Mulher deste ano e nessa altura serão exibidos os resultados, servindo de ponto de partida para uma conversa em torno das questões da igualdade e da desigualdade. Haverá também uma exposição de fotografia das actividades que decorreram entre Março e Maio.

 

Também a decorrer ao longo deste mês e de Abril está uma oficina de escrita criativa, orientada pelo jornalista Jorge Andrade, com o tema “Com as palavras também se pensa”, tendo como denominador comum quatro temas sobre “(Des)Igualdade”. No domínio das artes plásticas, o Auditório da Casa do Largo tem patente até dia 31 uma exposição de jovens mulheres artistas, denominada “Art´Jovem – Exposições Múltiplas”. No mesmo âmbito, a Biblioteca de Azeitão acolhe uma mostra colectiva de artistas no feminino. Ainda este mês, estão programadas sessões de cinema no Auditório Charlot, no dia 16, com exibição dos filmes “Portugal tem lata” e “Mulher Conserveira”, e no espaço da 50 Cuts Associação Cinematográfica, habitual parceira do programa, com uma mostra de cinema no feminino. Também no Espaço 50 Cuts terá lugar “O cinema presta homenagem ao teatro com a exibição de “EVA”, a 23 de Março, a sessão de poesia “Em palavras me canto e me conto”, no dia 24, ambas as actividades pelas 16h00. Segue-se a antecipação do Dia do Livro Infantil com a Oficina de Ilustração “Queres namorar comigo”, dinamizada por Ana Sofia Gonçalves, no dia 30, às 15h00. Uma hora depois, no mesmo local, “O cinema presta homenagem ao teatro com a exibição de “Crepúsculo dos Deuses”.

 

A programação inclui ainda diversos itinerários literários, sessões de escrita livre de poemas, pela Casa da Poesia, no Auditório do Mercado do Livramento, a 12 e a 15 de Março, tertúlias e apresentações literárias na Biblioteca Municipal de Setúbal: “Mulheres Setubalenses”, no dia 27, a que se segue “O Cuquedo é um amor que mete medo”, no dia 29, a fechar as actividades literárias do mês de Março. No mesmo dia, “Feminismo e Arqueologia” será o tema em debate no Museu de Arqueologia do Distrito de Setúbal. A 30, para terminar o mês, estão agendados momentos de dança, com a iniciativa “Biodanza no Feminino – A Mulher é Um Círculo”, no Centro de Cidadania Activa.

 

Março Mulher fora do armário

Esta é uma das novidades do programa deste ano. A SEIES tem a funcionar um grupo fechado para pessoas LGBTI. “Qualquer pessoa pode inscrever-se para frequentar esse grupo, desde que tenha uma orientação não heterosexual”, explica Lucília. No dia 18 de Março, 18 e 30 de Abril, e 13 e 31 de Maio, pelas 18h30, “vão ter lugar reuniões abertas deste grupo para pessoas que são apoiantes e simpatizantes da causa LGBTI. É um espaço que destacamos no programa por ser novo e por ser um tema que merece uma reflexão específica”, esclarece.

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