Escola do Barreiro diz que palestra da Associação LGBTI pretendia “educar contra a discriminação”

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O agrupamento de escolas de Santo André veio esclarecer que o dinheiro pedido aos alunos destinava-se a custear as deslocações dos palestrantes, mas no documento distribuído aos encarregados de educação apenas era mencionado que o valor reverteria a favor da associação LGTBI

 

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O agrupamento de escolas de Santo André, no Barreiro, já veio explicar que a palestra em Educação para a Cidadania da Associação LGBTI visou “educar contra a discriminação”, referindo que o valor solicitado aos alunos tinha o objectivo de custear as deslocações dos palestrantes. Mas admite que um dos objectivos apresentados no plano da sessão enviado aos encarregados de educação pode induzir a interpretações dúbias.

A polémica surgiu com uma publicação do deputado social-democrata Bruno Vitorino no Facebook, onde se lê “’Sensibilizar’ alunos de 11 anos sobre ‘diferentes orientações sexuais’? Com associações LGBTI à mistura? Que porcaria é esta? Cada um pode ser o que quiser, mas deixem as crianças ser crianças. Deixem as crianças em paz. Adultos a avançar sobre este campo junto de crianças é perverso. Isto tem que parar!”.

Esta publicação estava relacionada com a palestra que decorreu na Escola Básica 2,3 de Quinta da Lomba, no Barreiro.

“Reconhecemos que a redacção do segundo objectivo desta acção, conforme consta no documento, pode induzir a interpretações dúbias. Na realidade, aquilo que se pretendeu foi contribuir para educar contra a discriminação, sensibilizar os alunos para a aceitação das diferenças e o respeito pela diversidade”, refere o agrupamento em comunicado, explicando que a palestra em causa se insere no referencial de Educação para a Saúde, homologada pelo Ministério da Educação, no subtema Identidade e Género.

O documento da escola, que circulou nas redes sociais, refere ainda que a sessão tinha um valor de 50 cêntimos, verba que “reverte para a associação LGBTI”.

“Como oradores, estiveram presentes dois elementos da Rede Ex aequo, associação que tem como objectivo promover uma educação para a cidadania e para os direitos humanos. O contributo solicitado aos pais/encarregados de educação (50 cêntimos), que autorizaram os seus educandos a assistir à palestra, destinou-se a custear as deslocações dos palestrantes. Assim, esclarecemos que a verba não teve como finalidade reverter para a associação LGBTI, como consta, erradamente, no documento”, acrescenta o agrupamento, num documento assinado pela diretora Arlete Cruz.

O comunicado acrescenta ainda que a escola pública vai cumprir o seu papel enquanto educadores “preocupados com a formação cívica dos alunos”.

Deputados indignados

Recorde-se que as deputadas Joana Mortágua e Sandra Cunha anunciaram que vão apresentar queixa da publicação na qual o deputado Bruno Vitorino (PSD) apelidou de “porcaria” a sensibilização de alunos sobre orientações sexuais, anunciaram hoje as bloquistas.

“Indignou-nos o comentário do deputado Bruno Vitorino, como acho que indignou muita gente. A educação para a cidadania é uma disciplina que ninguém contesta. Ninguém contesta a sua importância na formação dos jovens para a igualdade e para a sensibilização para a não discriminação”, afirmou à Lusa Joana Mortágua, que formalizará a queixa junto da Comissão para a Igualdade de Género .

Em resposta, Bruno Vitorino falou numa “tentativa” de um “partido proto-fascista” para “silenciar quem pensa de forma diferente” e defendeu que “associações LGBTI [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexo] não devem ir às escolas propagar ideologias de género”.

Para Joana Mortágua, os deputados “têm de ter alguma responsabilidade naquilo que dizem”, considerando ser “absolutamente contraditório com os valores da Constituição” que haja deputados para quem programas de educação para a cidadania são “uma porcaria” e “é perverso”.

Já Bruno Vitorino, também líder da distrital de Setúbal do PSD, disse não achar “normal que uma associação LGBTI possa ir a uma escola fazer palestras de orientação sexual a miúdos de 11 anos”.

“Uma coisa é defender a igualdade de género, outra é afirmar à força uma ideologia de género”, criticou o social-democrata para quem estas associações não estão preparadas para falar em escolas. Bruno Vitorino criticou ainda aqueles que censuraram a sua publicação, que “foi retirada após sucessivas denúncias”.

Lusa

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