Sentença de morte dada há 10 meses para árvores que ameaçam pessoas

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O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO revela as conclusões do estudo que apresenta uma ficha individual de cada árvore e as respectivas recomendações de intervenção. Seis são para abater. Um destes casos está referenciado com carácter de urgência

 

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As conclusões de um estudo de avaliação de risco de 25 árvores localizadas no Parque Municipal Carlos Hidalgo Gomes de Loureiro, no Montijo, efectuado pela empresa Planeta das Árvores a pedido da Câmara Municipal, datam de 27 de Abril de 2018 e recomendam o abate de seis exemplares e a execução de diferentes tipos de poda em 17. A intervenção a adoptar em mais duas outras árvores também pode passar pelo abate, mas é remetida para uma avaliação posterior.

“Para uma destas deverá aguardar-se pela emissão de folhas, analisando a vitalidade da mesma. Para outra deverá fazer-se uma análise em altura, averiguando da extensão das lesões na copa e da possibilidade de realizar uma poda equilibrada”, pode ler-se nas conclusões do estudo a que O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO conseguiu ter acesso. O documento acrescenta ainda nas conclusões que “a análise instrumental foi utilizada nas situações de dúvida sobre a decisão a tomar, ou seja no limiar entre a decisão de abater ou não” cada uma das 25 árvores em causa, adiantando que “alguns exemplares deverão ser monitorizados periodicamente para analisar a evolução” de lesões ou estrutura.

O estudo apresenta uma ficha individual para cada uma das 25 árvores analisadas, com as recomendações de intervenção para cada exemplar, quer sejam intervenções de vários tipos de poda quer, em casos extremos, de abate ou desmontagem.

Uma das seis árvores que estão referenciadas para abate está ‘catalogada’ com o número 6 e diz respeito a um exemplar que se encontra no interior do parque infantil. A análise efectuada a esta árvore, da espécie Jacarandá, revela “lesões diversas no tronco e nos ramos” e apresenta a possibilidade de “ter havido alteração do nível do solo no colo pela construção de canteiro”. A conclusão não deixa dúvidas: “A análise desta árvore indicia a afectação dos sistema radicular e a deficiente ancoragem da mesma, recomendando-se o seu abate.”

Intervenções urgentes

Um ulmeiro, catalogado como árvore número 11 – os exemplares no Parque Municipal apresentam chapa numérica de identificação –, também está recomendado para abate, sendo que “a intervenção deverá ser de carácter urgente”, em face dos diversos ramos suspensos que apresenta. O tronco deste exemplar, segundo a análise, revela “lesão com cavidade de grande dimensão, resultante de corte antigo”.

O estudo recomenda igualmente o abate da árvore número 1, outro ulmeiro, tendo em conta “o facto dos eixos principais estarem assentes em zona de lesão”.

A análise ao exemplar número 3, da mesma espécie, também conclui pela recomendação de abate, em virtude do registo de ramos partidos no chão, cuja madeira se encontrava “extremamente degradada”, o que pode indiciar “as condições biomecânicas das restantes podridões na copa”.

Ainda no que toca a esta espécie, o estudo recomenda o abate da árvore número 21, com “lesões de dimensão considerável a cerca de dois metros de altura”.

Alvo de “três análises resistográficas em diversos pontos” foi a árvore número 16, uma acácia, cuja recomendação aponta também para abate. “A debilidade da estrutura biomecânica desta acácia faz recomendar o seu abate”, revela a ficha deste exemplar.

Além destas, existem duas outras árvores que podem configurar o mesmo tipo de recomendação. Um choupo, catalogado como árvore número 4, cuja análise sublinha que “deverá considerar-se o abate” – neste caso, a intervenção “deverá ser determinada após a rebentação das folhas do ano”; e um outro ulmeiro, árvore número 12, ao qual é aconselhada “uma análise em altura das cavidades de cada ramo, avaliando a eventual necessidade” de abate, caso as podridões estejam já muito avançadas ou se a poda necessária resultar numa árvore desequilibrada.

O estudo aponta ainda para uma “intervenção urgente” na árvore número 9, um freixo, que deve ser alvo de “uma poda de redução de copa” para alívio do peso e da resistência dessa mesma copa ao vento. É que os ramos principais têm lesões com cavidade que “podem ceder ao peso ou ao vento”.

Câmara nega perigo e acusa oposição de causar alarmismo

O gabinete da presidência da Câmara do Montijo emitiu uma nota de esclarecimento, no último sábado, a garantir que a situação das seis árvores referenciadas para abate no Parque Municipal não configura “qualquer perigo iminente” e acusa a oposição de provocar “alarmismo público” propositadamente.

“Na última reunião de Câmara, com a intenção clara de enganar a opinião pública, a oposição questionou o presidente da Câmara [Nuno Canta] sobre a existência de um relatório de avaliação das árvores do Parque Municipal, referindo que teve conhecimento do mesmo pelos serviços e questionando a execução das suas recomendações”, pode ler-se no segundo dos sete pontos do comunicado.

“Apesar do último desses relatórios sugerir o abate de seis árvores e da poda formativa de outras duas, conforme foi veiculado para os jornais pela oposição, inexiste qualquer perigo iminente ou atraso na execução dos trabalhos, porque os trabalhos de abate das árvores são realizados no Inverno, uma época do ano em que as árvores estão sem folhas e logo sujeitas a menores esforços, constituindo por isso o destaque dado ao caso um exemplo de alarmismo público injustificado e irresponsável”, defende o gabinete da presidência, adiantando que Nuno Canta despachou “no sentido da concordância com as recomendações” dos diversos relatórios existentes, ao mesmo tempo que considera “totalmente falso o que foi veiculado pela oposição aos jornais” relativamente à acção do presidente da autarquia.

O gabinete da presidência sublinha que Nuno Canta “nunca se demitiu das suas responsabilidades nem escondeu numa qualquer gaveta relatórios de avaliação de risco”, como, acrescenta, “pretendem alguns oposicionistas fazer crer na opinião pública”, garantindo a concluir que “a Câmara está a trabalhar na execução tempestiva do abate das árvores do Parque Municipal”.

Recorde-se que o estudo de avaliação de risco das 25 árvores analisadas no Parque Municipal data de 27 de Abril de 2018 e foi efectuado pela empresa Planeta das Árvores.

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