PCP aponta ao reforço do partido e ao desenvolvimento da região

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10.ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal realiza-se domingo no Barreiro. Comunistas vão definir estratégias e eleger a nova Direcção da Organização Regional de Setúbal para o próximo quadriénio. Quase mil vão encher a Casa da Cultura

 

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“Reforçar o Partido, Organizar, Lutar, Resistir e Vencer” é o lema da 10.ª Assembleia da Organização Regional de Setúbal (AORS) do PCP, que vai ter lugar no próximo domingo, 24, na Casa da Cultura, no Barreiro, e que deverá juntar cerca de um milhar de pessoas, entre delegados (praticamente 600) e convidados. A iniciativa, que se realiza de quatro em quatro anos, visa avaliar o trabalho realizado pelo partido desde a última AORS (que decorreu em Abril de 2015) e fazer um balanço à realidade e necessidades da região; definir a estratégia (orientações, acção e iniciativa política) a projectar para os próximos anos; e eleger a nova Direcção da Organização Regional de Setúbal (DORS), composta por cerca de 70 elementos, para o próximo quadriénio.

“Como somos o PCP, um dos nossos objectivos é que o nosso organismo de direcção tenha uma maioria de trabalhadores com uma forte componente operária, mas também que espelhe as várias frentes de intervenção na região, que tenha um equilíbrio entre camaradas mais velhos e gente mais nova, que haja um rejuvenescimento, e que promova também a participação de mulheres”, explica Margarida Botelho, responsável pela DORS e membro do Comité Central do PCP.

Alargar a base de apoio e intervenção do partido é um dos principais propósitos do PCP para a região.

“Quando dizemos reforçar o partido não estamos só a pensar nas eleições. Falamos não só na parte eleitoral como também na parte social do partido, do nosso próprio reforço orgânico, de ligação às diferentes realidades, empresas ou freguesias”, afirma a responsável comunista.

Alcochete, Almada e Barreiro foram os três municípios que o PCP deixou escapar nas últimas autárquicas, apesar de em termos globais, no distrito, ter conseguido uma votação praticamente idêntica às eleições de 2013 (perdeu apenas pouco mais de dois mil votos). Margarida Botelho considera que ainda é cedo para falar em reconquista, mas admite que o reforço do PCP “passa pelo avanço da CDU”, por ter “mais votos e mais mandatos”, e aponta: “Pelo que estamos a ver por este primeiro ano de mandato, as populações ficaram pior sem a CDU. Consideramos que esses concelhos ficariam melhor com a CDU como força mais votada. Não estamos a falar do Montijo, mas olhamos [para esse concelho] da mesma maneira.”

Apesar de o partido não ter ainda o fito em 2021, o objectivo, adianta, é “reforçar a CDU nos nove concelhos da Península de Setúbal”, até porque, sublinha, as populações da península “ficaram a saber da pior forma possível que neste mandato em Almada, Barreiro e Alcochete as coisas não melhoraram afastando a CDU da gestão desses executivos municipais”.

Competências, aeroporto e dragagens

A estratégia do PCP para os próximos quatro anos é um dos objectivos da agenda da assembleia de domingo e a responsável revela que, entre os vários pontos a abordar, encontra-se a descentralização de competências do Governo para as autarquias.

“A transferência de competências é a questão mais preocupante. É uma batalha em que estamos empenhadíssimos, em que se rejeite esta transferência de competências que representa um recuo enorme em termos de direitos das populações”, revela, considerando que o processo está longe de estar fechado. “O Governo não terá muitas condições de aplicar como sonha esta transferência de competências, porque mais de um terço dos concelhos do país rejeitaram, totalmente ou em parte, essa transferência. As coisas não sempre como os poderosos querem que sejam”, alerta, deixando como exemplo: “O Governo anterior voltou a impor as 40 horas aos trabalhadores da administração pública. Parecia que era para sempre. Lutou-se e voltou a haver as 35 horas.”

Posição idêntica assume em relação à localização do novo aeroporto complementar a Lisboa.

“A melhor solução é a criação de raiz, de forma faseada, no Campo de Tiro de Alcochete. É a solução de futuro para o país. É ambientalmente a mais respeitadora, assegura a segurança e qualidade de vida das populações. A solução que o PS defende é de curto prazo e uma má solução. Não consideramos que este seja um processo fechado”, vinca, afastando um cenário de recurso à Comissão Europeia: “Não queremos que este problema se resolva em Bruxelas. Há forças no país para criar condições para que não seja possível impor ao país uma solução que não é boa.”

Já sobre a deposição de dragados na Restinga, em Setúbal, Margarida Botelho esclarece a posição do partido. “Não somos contra as dragagens, até defendemos que deve haver uma empresa nacional pública de dragagens. Somos é muito críticos em relação ao que está previsto para a deposição de dragados. Não acompanhamos a decisão tomada, porque põe em causa a pesca”, explica, recordando que “a Câmara Municipal de Setúbal foi a única entidade que sublinhou o problema durante o período de discussão pública do Estudo de Impacte Ambiental”.

Barreiro precisa de terminal de contentores e Seixal de hospital

A comunista também aborda a questão do Terminal de Contentores para o Barreiro, que recentemente sofreu um revés. “Tem de se estudar a fundo a solução e encontrar as formas técnicas de compatibilizar a actividade portuária com respeito pelo ambiente e pela saúde das populações. O Barreiro tem condições e precisa do desenvolvimento dessa actividade portuária”, faz notar, salientando que “o PCP não olha apenas para a questão dos portos como porta de entrada e saída de mercadorias”. “Consideramos que também pode ser uma alavanca para a produção nacional. A indústria naval, por exemplo, pode ter um papel na nossa região para alavancar o desenvolvimento do país e a Península de Setúbal tem condições para proporcionar esse aumento de produção nacional. O nosso país importa quase praticamente tudo”, sustenta.

A saúde também merece um olhar atento, sobretudo o hospital a construir no Seixal, com a responsável a criticar a actuação do Governo. “Consideramos indispensável a construção do hospital no concelho do Seixal. Não se compreende como passaram praticamente três anos e meio deste Governo e no concreto não se avançou nada”, conclui.

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