Escultura de escada e carril de mina vai perpetuar Lousal

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População escolheu projecto e local onde será implantado o monumento na antiga aldeia mineira. Obra será erguida junto à entrada da povoação, para que a sua imponência possa ser realçada e apreciada de várias perspectivas

A população decidiu, está decido. O Lousal já sabe qual o monumento artístico que a Câmara Municipal de Grândola irá erguer na povoação para homenagear o movimento operário mineiro local. A escada e o carril da mina são os dois elementos que vão dar origem à criação artística, a implantar também em local escolhido pelos munícipes na antiga aldeia mineira.

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O monumento resulta do trabalho desenvolvido no âmbito do Projecto Participativo de Arte Pública, centrado no objectivo de criar arte com a comunidade, com o objectivo de assinalar a memória, tradição, das gentes locais.

No último sábado, durante a sexta sessão pública de trabalho, a população escolheu, de entre três propostas de módulos construtivos desenvolvidos a partir da maqueta vencedora, o monumento que quer na povoação.

“A proposta escultórica vencedora representa a relação metafórica e poética da descida e subida à mina e as formas de comunicação entre túneis no seu interior, simbolizada por dois elementos: a escada e o carril”, explicou o escultor Sérgio Vicente , professor na Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

O monumento ficará instalado num espaço à entrada da aldeia mineira, conforme a escolha feita igualmente pela comunidade local durante a sessão, para realçar o objecto imponente e marcante na paisagem, permitindo ainda diferentes perspectivas de visualização.

António Figueira Mendes, presidente da Câmara Municipal de Grândola, sublinhou no decorrer da sessão que é um “privilégio para a a autarquia e para a população do Lousal, receber o projecto de arte inovador que vai ao encontro da estratégia do município em termos culturais”. Ao mesmo tempo, o autarca considerou também que este “é um processo criativo bastante interessante e genuíno do ponto de vista democrático, com a democracia a funcionar no seu mais amplo campo, ao dar voz às pessoas”.

Primeira fase do projecto concluída

O referido projecto participativo de arte pública tem vindo a ser desenvolvido no Lousal desde 10 de Fevereiro de 2018, com base na assinatura de um protocolo de colaboração entre a Câmara Municipal e Faculdade de Belas Artes de Lisboa, que constituiu uma equipa responsável pela realização do projecto, formada “por nove especialistas em Arte, Multimédia, Antropologia, Arquitectura, Escultura, Geografia e História da Arte e cinco alunos de Escultura, de licenciatura e mestrado”, revela a autarquia.

Concluída ficou, assim, a primeira fase do projecto, correspondente à evolução do processo participativo, através da realização das seis sessões de trabalho – “entre a equipa universitária, representantes do poder local, técnicos da Câmara, Junta de Freguesia, residentes, cidadãos que mantêm laços familiares ou afectivos com a povoação, órgãos locais e representantes associativos” –, visando a elaboração colectiva do monumento a construir.

“Em cada sessão, recorrendo a metodologias colaborativas, a população do Lousal, foi reflectindo sobre as diferentes componentes necessárias à construção da escultura. Progressivamente e em colectivo foi decidido o tema, o conceito, o espaço, a forma, o material e demais elementos necessários à concretização do projecto”, salienta o município.

Foi igualmente analisado, no decorrer dessas mesmas sessões, em comunhão com o residentes, “o papel social, político e urbano da mina nas formas de organização comunitária” e aquilo que representa no imaginário da região.

A segunda fase do projecto vai agora iniciar-se e incidirá na produção e implantação da obra no território do Lousal.

O projecto da Câmara Municipal de Grândola é desenvolvido pelo CIEBA – Linha Transversal de Arte Pública da Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, com o apoio do VICARTE, CICS-NOVA e Instituto de História de Arte da Universidade Nova, DINAMIA’CET do ISCTE e CEACT da UAL.

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