A bosta do racismo

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Francisco Alves Rito – Director

No Bairro da Jamaica, o racismo serviu para esconder muitos aspectos, até o falhanço do Estado

Já (quase) todos sabemos que o racismo é uma bosta mas não posso deixar de dizer também qualquer coisa, embora consciente de que quanto mais se mexe mais cheira mal.
Espanta-me que o racismo, com todo o seu triste esplendor ainda tenha muita utilidade para tanta gente que tira proveito dessa perversa realidade. O racismo também serve para muitos se ocultarem.
No caso do Bairro da Jamaica, o racismo serviu para esconder muitos aspectos, e alguns de tal relevância que representam tão só o falhanço do Estado.
Com o debate reduzido ao racismo, não se aprofundou a reflexão sobre o combate à miséria, a penetração de elementos e ideais de extra-direita nas forças de segurança, o fiasco das politicas públicas de habitação, e também, não há que esconde-lo, a criminalidade que (ainda) há no Bairro da Jamaica.
É evidente que o Estado falhou na integração das pessoas que vivem neste bairro, que falhou no plano da igualdade efectiva de oportunidades  e no direito à habitação, com estes moradores a viverem há décadas em torres de barracas verticais.. É óbvio que o Estado falhou também no combate à marginalidade, com algumas pessoas deste bairro a continuarem a dedicar-se ao tráfico de droga e a outra criminalidade. É claro ainda que o Estado continua a falhar no dever de manter as forças de segurança respeitadoras dos direitos dos cidadãos e limpas de influências extremistas.
E quantos bairros com estes problemas temos só na nossa região? De Almada a Sines, são muitos milhares de pessoas que a incapacidade do Estado mantém como primeira linha de risco de queda na exclusão e ou marginalidade, geração após geração, numa desigualdade sem fim à vista.
Neste quadro, emerge como esperançoso sinal o Bairro da Bela Vista. O trabalho de envolvimento dos moradores, que as autarquias fazem há uma década, não resolveu todos os problemas do bairro, mas mostra que a transformação é possível. Ponham olhos e recursos neste exemplo.

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