‘Coletes Amarelos’ são sério aviso

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Francisco Alves Rito – Diretor d’O Setubalense – Diário da Região

Cheira a revolta na Europa. Está à vista que os actuais sistemas não podem servir aos jovens

 

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Não faço ideia se o protesto marcado para amanhã, em Portugal e na cidade de Setúbal, vai ter alguma expressão relevante, mas creio ser evidente que os “Coletes Amarelos” são um sério aviso aos lideres mundiais, sobretudo aos europeus.

A situação social no mundo ocidental é um barril de pólvora que pode explodir a qualquer momento e que, enquanto não explode, vai acumulando carga.

Os níveis de desemprego real entre as camadas jovens da população, que rondam, na Europa, os 50%, devem fazer reflectir os responsáveis políticos e fazê-los desesperar para a urgência de mudanças profundas no actual modelo económico-laboral.

Aumentar os salários mínimos e outras medidas avulsas são paliativos que, quando muito, adiam o rebentar definitivo da revolta que se pressente.

Os actuais sistemas de organização do trabalho e da Segurança Social estão obsoletos, não respondem à realidade tecnológica que tem vindo – e vai continuar – a substituir a mão-de-obra.

O anacronismo é tal que, quando já não há trabalho para todos, os políticos continuam a pretender equilibrar as contas da Segurança Social com aumento do horário e da idade de reforma.

Tem de ser ao contrário; o novo modelo tem de reduzir os horários de trabalho, talvez a metade, para que o emprego chegue para todos e o trabalho possa ser um verdadeiro instrumento de distribuição da riqueza, mais justo do que os critérios ou métodos financeiros.

Não sei se os “Coletes Amarelos” são já o momento, mas não duvido de que o mundo precisa de mudar e que a necessária revolução começará nos países da Europa, através dos jovens dos subúrbios de Londres, Paris ou Berlim, quando perceberem a verdadeira dimensão do buraco em que as ultimas duas gerações de políticos os meteram.

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