Arte, cultura e revolução

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Valdemar Santos – Militante do PCP

Ao ser anunciado, sob forma de nota de imprensa, que na tarde do passado dia 14 o Museu do Trabalho Michel Giacometti, em Setúbal, acolheria um debate público sobre este tema, na edição desse mesmo dia do Setubalense/Diário da Região pudemos ler: “tema e local os mais apropriados na referência de sempre a Vasco Gonçalves, figura maior da Associação Conquistas da Revolução, promotora da iniciativa”.

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Nesta intervieram Modesto Navarro, escritor e Vice-Presidente da ACR, e Manuel Augusto Araújo, arquitecto e crítico literário, assessor da Câmara Municipal de Setúbal.

O debate foi riquíssimo e não podia naturalmente deixar de ser explanada a Conferência de Bento Jesus Caraça em Setúbal, a 22 de Março de 1931, sobre “As Universidades Populares e a Cultura”, na Universidade Popular de Setúbal. O longo caminho percorrido, não só pelas abordagens históricas, teóricas ou ideológicas mas ainda pelos compromissos políticos e militância de antes e depois da Revolução assumidos, também ele teve como efeito, a posteriori, agora em leitura, uma espécie de folhear de uma chame-se “agenda” interminável onde, para além das datas, anos após anos, e paragens da nossa Península, se rememorou, porque a luta continua, o legado da Margem Certa.

Comece-se pela essa outra Conferência de Álvaro Cunhal na Capricho Setubalense, a 18 de Abril de 1997 (Bento nasceu a 18 de Abril de 1901), por iniciativa da UPS, denominada “O exemplo de Bento de Jesus Caraça 23 anos depois do 25 de Abril”.

Na sessão com António Dias Lourenço no Ginásio Atlético Clube da Baixa da Banheira, exactamente a 18 de Abril de 2001, comemorativa do Centenário do matemático comunista que dirigiu, em 1941, o lançamento da Biblioteca Cosmos e a quem a ditadura de Salazar, pela prisão, fragilizou a saúde e apressou a morte, já estamos a sublinhar o papel das colectividades, e daquela em particular, no contexto da democratização da Cultura.

Tantos e tantos mais passos do nascido em Vila Viçosa mas aqui, na Península, desde a Escola Profissional da CGTP-IN à Biblioteca Municipal da Moita que porta o seu nome e a outros equipamentos e instalações culturais, passando pela infindável toponímia – tantos passos são-no num roteiro que nos traz até à RÉGUA, escultura que abre em Setúbal a Avenida que o homenageia, da autoria de Vítor Figueiredo (1982).

Então outro “percurso” tomamos, o do Património, ou o Partido Comunista Português não concebesse e aqui não conduzisse, à capital sadina, e depois não levasse ao Pinhal Novo, à Moita, à Baixa da Banheira, a Palmela, a Almada… à Festa do Avante!, a Exposição destes 100 anos em foco.

Junte-se o 11 de Maio de 1975, outra data com espaço, o de um primeiro Congresso em Liberdade no qual Vasco Gonçalves, discursou: o I Congresso dos Escritores Portugueses, na Biblioteca Nacional, em Lisboa.

Damos por terminado, há repto: passemos a ler o Primeiro-Ministro do Povo e dos Trabalhadores.

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