Sadoport diz que empresas clientes ponderaram deixar Porto de Setúbal em definitivo  

114
visualizações

Administrador admite que o conflito entre patrões e sindicato pôs em risco a Autoeuropa e também a Navigator

Um dos administradores da Sadoport, dona de 60% da Operestiva, disse esta terça-feira que as empresas que escalam no Porto de Setúbal não gostaram do conflito laboral que opôs patrões e sindicato, chegando a ponderar não utilizar mais a infra-estrutura.

- Pub -

“As evidências não se podem negar. O que está mal tem de ser corrigido, mas está mal de ambas as partes […]. Uma das partes pôs em risco a própria indústria, não só a Autoeuropa, mas também a Navigator. As empresas não gostaram do que aconteceu aqui”, disse Ignacio Rodríguez López, durante uma audiência parlamentar na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas.

O administrador da Sadoport vincou ainda que, “sem navios, não há emprego para ninguém”, apelando para a honestidade no que se refere à atribuição de culpas.

“Não vai ser fácil voltar a construir isto tudo. Concordo perfeitamente com [a necessidade dos estivadores] terem um bom trabalho e condições dignas, mas agora onde estão os navios?”, sublinhou.

Em resposta aos deputados, Ignacio Rodríguez López notou também que é necessário “encontrar soluções reais para os problemas e não apenas para os pequenos detalhes”.

Por sua vez, o gerente da Operestiva, empresa de trabalho portuário de Setúbal, explicou que existem três principais empresas que representam cerca de 70% da carga da Sadoport e que ponderaram não voltar a trabalhar com o Porto de Setúbal.

“Neste momento, temos dois que vão voltar e, se o terceiro não voltar, temos um problema em mãos”, anunciou.

Em 14 de Dezembro, o Sindicato dos Estivadores e da Atividade Logística (SEAL) e os operadores portuários assinaram um acordo, no Ministério do Mar, que prevê a passagem imediata a efetivos de 56 trabalhadores precários (mais 10 a 37 numa segunda fase, com a assinatura do contrato coletivo de trabalho até ao final de Fevereiro) e o levantamento de todas as formas de luta, incluindo a greve ao trabalho extraordinário no Porto de Setúbal.

O acordo colocou termo a um conflito com os estivadores precários de Setúbal que recusavam apresentar-se ao trabalho desde o dia 05 de Novembro e garante também a prioridade na atribuição de trabalho aos actuais trabalhadores eventuais que não sejam integrados nos quadros dos operadores portuários, face a outros que ainda não estejam a laborar no Porto de Setúbal.

Lusa

Comentários

- Pub -