Famílias de jovens afogados no Meco pedem a sobrevivente que lhes conte a verdade

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Seis anos depois, pais juntaram-se na Igreja de Alfarim, para uma missa e depois rumaram a praia onde os seis jovens perderam a vida

Cinco anos volvidos sobre a morte de seis jovens estudantes engolidos por uma onda na Praia do Meco, os pais esperam que se faça justiça e que João Gouveia, único sobrevivente, lhes conte pessoalmente o que aconteceu.
As famílias juntaram-se este sábado (15) para celebrar uma missa na Igreja de Alfarim e no final, dirigiram-se à Praia do Meco para depositar flores no memorial erguido no local onde se deu a tragédia a 15 de dezembro de 2013.
Vítor Parente Ribeiro, advogado das famílias, aguarda pelo desenrolar do processo cível movido contra João Gouveia e espera que as primeiras audiências sejam marcadas para o início de 2019. “A principal razão pela qual se avançou com o processo é para que João Gouveia, que nunca teceu qualquer comentário aos pais, explique em audiência o que se passou naquela noite”, admite o advogado que lamenta ainda que os seus clientes estejam constituídos arguidos num processo de difamação promovido pelo Ministério Público por terem criticado a investigação.
O processo foi arquivado, mas o MP recorreu e ainda não é conhecida a decisão. “Como se não bastasse a perda dos próprios filhos, é triste ver estes pais com Termo de Identidade e Residência por terem criticado uma investigação miserável do Ministério Público”.

 

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Fernanda Cristóvão, mãe de Ana Catarina Soares, confessou à saída da igreja que a tristeza pela perda da filha não desapareceu nem desaparecerá e apelou a João Gouveia, o único sobrevivente da tragédia, que fale com os pais dos estudantes que perderam a vida. “Não nos calamos e não nos sossegamos enquanto não obtivermos respostas que podem ser dadas pelo João Gouveia, considerado um grande herói e que saiu daquela noite sem qualquer lesão, enquanto os outros são uns coitadinhos que perderam a vida”.

A mãe de Ana Catarina Marques critica ainda o silêncio da Universidade Lusófona e a ausência de qualquer representante e colega dos jovens mortos na cerimónia de ontem. “Parece que estas seis pessoas só existem para os seus familiares”, lamenta.

Rogério Matos

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