Montepio já respira com saúde e esperança no futuro

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Pedro Santos explica reestruturação que permitiu romper com crise sem precedentes. Entrada em PER permitiu passar dívida de 10 milhões para longo prazo. Certificação de qualidade, acordo da clínica com o grupo Mello e redução dos recursos humanos foram factores decisivos para afastar risco de fecho de portas

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A transformação de uma dívida de mais de 10 milhões de euros a curto prazo para longo prazo, a redução do quadro de pessoal – que permitiu uma poupança anual de cerca de 700 mil euros – e a reestruturação das práticas e organização internas foram três dos pilares fundamentais da acção do conselho de administração da União Mutualista Nossa Senhora da Conceição do Montijo (vulgo Montepio) que catapultaram a instituição para um futuro de esperança.

Para trás fica uma crise sem precedentes em 146 anos de história de uma das mais prestigiadas entidades da comunidade montijense e arredado, em definitivo, o espectro do risco de fecho de portas, que assolou esta Instituição Particular de Solidariedade Social até final de Dezembro de 2017, altura em que a administração conseguiu a aprovação de um Processo Especial de Revitalização (PER).

“Pela primeira vez, ao fim de oito anos, conseguimos pagar os subsídios de Natal na totalidade a todos os funcionários. Um primeiro grande sinal desta reestruturação positiva. Quando chegámos, em Dezembro de 2016, os funcionários tinham quatro meses de salários em atraso”, lembra Pedro Santos, presidente em exercício, em substituição de Jaime Crato que, por motivos pessoais, está ausente do conselho de administração, órgão que não é remunerado.

“Encontrámos uma IPSS completamente desorganizada e com um passivo a curto prazo um pouco superior a 10 milhões de euros, o que tornava a entidade ingovernável, porque a exigência financeira para poder honrar compromissos era tão elevada que não havia libertação de meios suficientes para o efeito”, recorda o responsável, à entrada para o último ano de um triénio de mandato.

“Com a aprovação do PER conseguimos transformar a dívida a curto prazo em dívida a longo prazo, a amortizar ao longo de 23 anos, depois das renegociações com todos os credores”, sublinha, explicando de seguida: “Desde 2018 e até 2020, nestes três anos de carência de capital, estamos apenas a pagar juros. A partir de 2021 será necessário conseguir libertar cerca de 600 mil euros por ano para cumprimento integral do PER por duas décadas.”

Certificação de qualidade e cedência de clínica

Actualmente com seis valências – farmácia, jardins-de-infância (dois) e um ATL, lar e unidade de cuidados continuados e centro de dia, casa abrigo, centro comunitário e centro de apoio domiciliário –, a União Mutualista emprega 220 funcionários.

“Saíram 50 trabalhadores, 30 por negociação e outros 20 foram integrados em empresas de outsourcing”, salienta, frisando que a redução permitiu reduzir à volta de “700 mil euros por ano” em gastos com pessoal.

A situação era tão caótica como imperiosa se tornava a necessidade de uma mudança de paradigma, que passou por “transformar a associação numa verdadeira empresa a nível de funcionamento interno”, mantendo, porém, “o cariz de IPSS que a entidade detém desde há 146 anos para associados e utentes”.

A desorganização de método de funcionamento das várias valências e de organização era tão “acentuada” que “impedia alcançar resultados positivos em termos financeiros”.

Para já e a pensar no futuro, está em curso “a implementação de um processo de certificação de qualidade”. O objectivo da medida, alcançada já em 2018 e considerada decisiva, está definido: “Deixar a instituição preparada, em processos e métodos quer a nível interno (pessoal e formação) quer externo (associados e utentes), para abraçar o futuro”.

Na área da Saúde foi igualmente dado um importante passo, com a cedência do direito de exploração e convenções da clínica da instituição ao Grupo Mello. Uma cedência que resulta num encaixe de “876 mil euros”, que só será recebido na totalidade “em Abril de 2020, quando abrir a futura Clínica CUF Montijo”. Até ao momento, confessa Pedro Santos, a União Mutualista ainda só recebeu uma parte dessa verba, “um sinal de cerca de 200 mil euros”.

A gestão da clínica está, de resto, entregue ao grupo Mello “desde Abril deste ano”, data em que os investidores “assumiram todo o risco inerente à gestão” do referido equipamento.

“Isso permitiu libertar-nos de um negócio em que se perdia consecutivamente nos últimos tempos à volta de 200 mil euros por ano”, realça, acrescentando: “Ao mesmo tempo conseguimos garantir que todos os direitos e benefícios dos actuais e futuros associados se irão manter, inclusivamente na nova clínica que o grupo Mello tem prevista abrir em Abril de 2020.”

Já aprovado foi o orçamento da União Mutualista para 2019, que prevê “uma execução com 324 mil euros positivos no final do ano”, vinca ainda Pedro Santos. “A instituição está hoje muito mais motivada e organizada, nota-se nos olhos dos nossos colaboradores, que trabalham com mais rigor e empenho, o que não acontece apenas por termos feito a substituição das directorias nas várias valências”, afirma, destacando a concluir que em 2019 “haverá uma nova campanha de angariação de sócios”.

Hoje em dia, a instituição conta com 3.600 associados que usufruem de benefícios na aquisição de produtos na farmácia e de descontos significativos na actual e na futura clínica.

Camas do lar e apoio domiciliário a famílias vão aumentar em 2019

O próximo ano vai trazer novidades, fruto de renegociações que o conselho de administração da União Mutualista encetou este ano com a Administração Central e que concluiu com êxito, conforme revela Pedro Santos. “Estamos a melhorar os acordos existentes com o Estado. Desde logo no apoio domiciliário. Vamos passar a apoiar cem famílias, mais 20 do que aquelas que apoiávamos até à data. Já a partir do próximo dia 1 de Janeiro vamos também contar com mais 15 camas na valência do lar”, rematou.

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