Crianças da Escola Básica Joaquim de Almeida sofrem com chuva e calor

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De Inverno, alguns miúdos até têm de ser transportados ao colo pelas educadoras, face ao alagamento do espaço exterior quando chove. De Verão, o calor e o pó são a outra face do pesadelo. Arranque das obras de requalificação arrasta-se no tempo para desespero dos pais

 

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São de tenra idade e ficam reféns dos efeitos das chuvas, quando chega o Inverno, e do abafo do calor, quando ainda aperta o Verão. As crianças nem sabem que esperam e desesperam por obras na Escola Básica e Jardim-de-Infância (EB/JI) Joaquim de Almeida, no Montijo, para que termine o pesadelo das molhas e dos lagos de água que as obrigam, nalguns casos, a serem transportadas ao colo.

“Mesmo para os professores é difícil a travessia entre blocos nos intervalos, sempre que está a chover. Para as crianças é muito mais complicado. As educadoras até chegam a ter de transportar as crianças ao colo para o refeitório, no período do almoço”, afirma João Bastos, 44 anos, presidente da Associação de Pais e Encarregados de Educação da EB/JI Joaquim de Almeida. “Além de as crianças do ensino primário ficarem sem espaço para brincar nos intervalos, quando chove, têm ainda de ficar confinadas debaixo de alpendres”, lamenta, adiantando que “a própria escola até pede aos pais para enviarem uma muda de roupa para as crianças” de prevenção.

Se no Inverno o pavimento exterior chega a ficar significativamente alagado, no Verão as preocupações não diminuem. “O tempo seco acaba por provocar, naquele espaço, o levantamento de muito pó. Ao ponto de um aluno já ter sido obrigado a transferir-se para outro estabelecimento de ensino, com problemas de alergia”, conta.

Depois há ainda o problema do calor. “A temperatura é tão quente em algumas salas que, na altura do Verão, as educadoras até preferem deixar as crianças no átrio interior, para se ambientarem à mudança térmica, antes de irem para o espaço exterior”, revela o responsável pela associação de pais.

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“Existem duas salas que têm uma exposição solar bastante intensa, o que obriga a terem os estores sempre fechados e ao recurso a iluminação eléctrica. Toldos e ar condicionado seria uma solução”, observa João Bastos, acrescentando que, em sentido oposto, outras duas salas “apresentam-se muito húmidas e bafientas” pois nunca apanham Sol. “É comum os miúdos ressentirem-se desse ambiente”, sublinha, lamentando que nestes espaços também nunca se tenha optado pela instalação de ar condicionado.

Associação de pais sente-se enganada

A necessidade de obras na EB/JI Joaquim de Almeida não é de agora, mas tarda em ser resolvida para indignação dos pais, que não compreendem o arrastar dos problemas, sobretudo, quando se está no município com melhor eficiência financeira do distrito de Setúbal e nono melhor, nos distritos de média dimensão, do País, tendo fechado 2017 com um saldo superior a cinco milhões de euros.

O município tem procedido a intervenções no estabelecimento de ensino, porém insuficientes para resolverem os principais problemas. “No âmbito das obras mais recentes, na agora sala de prolongamento da pré-primária, que tem vidros desde o chão até ao tecto, subsiste o problema do aquecimento. Colocaram há umas semanas uns estores, mas isso não resolve de todo o problema”, vinca.

Paralelamente, a associação de pais, desabafa João Bastos, sente-se “enganada” pela “desinformação” que considera existir, face ao desenrolar dos acontecimentos, até porque “entre processo concursal, adjudicação das obras e pedido de visto ao Tribunal de Contas, ninguém chega a conclusão alguma”. Nem quanto ao “real estado em que se encontra o processo” nem quanto “a uma data concreta para o arranque da empreitada”.

João Bastos lembra as respostas dadas pelo presidente da Câmara, na reunião pública do executivo de 29 de Agosto último, e considera que as informações não têm aderência com a realidade. O autarca assumiu, então, que o concurso público para as obras de requalificação da EB/JI Joaquim de Almeida encontrava-se “em fase de conclusão”, naquele momento “na fase de elaboração do contrato com a empresa adjudicatária”, estando “sujeito a visto do Tribunal de Contas” e que estava previsto o início da empreitada “na pausa lectiva do Natal”.

Ora, de acordo com o responsável da associação de pais, o processo só terá dado entrada no Tribunal de Contas no dia 9 do mês passado. Ao mesmo tempo, João Bastos revela que, em resposta a um conjunto de questões formulado pelos deputados do PSD eleitos pelo círculo de Setúbal à Assembleia da República, o autarca montijense apresentou uma versão diferente. Nessa resposta, o presidente da Câmara admite que “foi assinado o contrato de empreitada com o adjudicatário da obra em 6 de Novembro de 2018” e que a obra de requalificação só “será desenvolvida em 2019”.

Tampas metálicas de esgoto são problema

Outro problema que urge resolver na EB/JI Joaquim de Almeida prende-se com “a existência de tampas metálicas de esgoto”, que se apresentam salientes em relação ao solo, no espaço do recreio, diz João Bastos. “Solicitámos há muito uma protecção plástica que envolvesse as referidas tampas, mas até hoje a situação continua por resolver”, queixa-se, lembrando que em causa está a segurança das crianças.

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