Trabalhadores da Wash&Clean avançam com insolvência da empresa

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Com salários e vários anos de subsídios de férias em atraso, os trabalhadores da Wash&Clean mantêm-se em vigília à porta da empresa há mais de um mês e já apresentaram um pedido de insolvência da empresa

 

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Há mais de um mês em vigília à porta da empresa da empresa Wash&Clean Laundries, os 60 trabalhadores da lavandaria, situada no Parque Empresarial da Quimiparque, no Barreiro, exigem a reposição de salários em atraso, assim como subsídios de férias que, em alguns casos, chegam a 7 anos de incumprimento.

No seguimento desta situação, segunda-feira um representante do Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Curtumes do Sul / CGTP-IN e um representante dos trabalhadores avançaram com um pedido de insolvência para a empresa.

Cristina Pereira, representante do referido sindicato, em declarações a O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO, afirmou que “a situação foi avançada desta forma porque os sócios gerentes da empresa se recusaram a colocar o pedido de insolvência, tendo então sindicato e os trabalhadores avançado com o processo”.

Agora, os trabalhadores mantêm a vigília à porta da empresa enquanto aguardam a nomeação de um administrador de insolvência. “Esta é uma acção que visa impedir a saída de maquiaria e outros equipamentos, que possam vir a ser utilizados para o pagamento dos salários e subsídios em atraso, bem como das respectivas indeminizações”, explica Cristina Pereira.

Um acção que o sindicato considerou essencial “uma vez que já havia ocorrido uma tentativa de retirar maquiaria da empresa com a justificação de que iria ser vendida para obter fundos que possibilitassem a compra de gasóleo, para a frota de distribuição”.

Para além desta situação, Cristina Ferreira, expõe que “o facto de existirem outras empresas com ligação à Wash&Clean disponíveis para adquirir estes equipamentos e sendo essa venda fácil de efectuar pelos sócios gerentes ficou considerado o risco de descapitalização da empresa”.

Sobre o processo de insolvência, o sindicato comenta que os sócios gerentes não se opõem. “Ao que tudo indica apenas não queriam ser eles a avançar com essa medida devido a divergências entre si.

 

A lei e os direitos perante o Código de Trabalho

 

Luís Leitão, coordenador da União dos Sindicatos de Setúbal/CGTP-IN, explica que “do ponto de vista legislativo, os subsídios de férias em atraso não são considerados um incumprimento mas, no que diz respeito ao salário, o incumprimento dá-se quando o pagamento não é efectuado nos 15 dias subsequentes ao último dia do mês”. Nesses casos os trabalhadores podem pedir a suspensão do contrato e os pagamentos são assegurados pela Segurança Social.

Uma acção que foi tomada pelos trabalhadores da Wash&Clean no dia 14 de Novembro, precisamente ao abrigo deste benefício.

Na perspectiva do representante da União de Sindicatos, “pela lei, a insolvência devia ser decretada obrigatória nestas situações, mal se denotassem os primeiros incumprimentos. Porque desta forma os trabalhadores podem aceder ao Fundo de Compensação Social e garantir a sua subsistência”.

No caso da Wash&Clean o caso tornou-se ainda mais gritante perante a opinião pública barreirense devido ao facto de muitos trabalhadores estarem a sofrer carências graves.

Luís Leitão recorda, “algumas pessoas estão a enfrentar processos de despejo, porque devido à irregularidade dos pagamentos deixaram contas por pagar e muitos senhorios não foram compreensivos face a essas dificuldades”.

Outros trabalhadores estão a viver da solidariedade de terceiros e das próprias famílias, “que os apoiam a nível alimentar, de modo a que não passem carências no que diz respeito às suas necessidades básicas”, lamenta Luís Leitão.

Uma situação perpetrada pelo facto de os salários serem pagos após o dia 8 e, no mês de Setembro, o pagamento chegou mesmo a ser feito em duas prestações. Situação que levou a encargos extra com empréstimos à habitação e outros compromissos acrescidos de juros de mora. “Confrontada com estes casos a entidade patronal declarou que não iria assumir responsabilidade no pagamento destes encargos”.

 

PCP exige respostas ao Governo sobre caso Wash&Clean

 

Os trabalhadores da WashClean e o Sindicato dos Trabalhadores Têxteis, Lanifícios, Vestuário, Calçado e Curtumes do Sul / CGTP-IN têm sublinhado a urgente necessidade do Governo atender à sua situação, para que possa ser dada uma solução imediata aos seus problemas. Contexto em que o sindicato contactou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, não tendo obtido resposta até à data.

Uma situação que o PCP tem vindo a acompanhar com o Grupo Parlamentar a contactar os trabalhadores no local e posteriormente a receber a sua delegação na Assembleia da República, enquanto aguarda por respostas concretas da parte do Governo.

Em comunicado, a Organização Regional de Setúbal do PCP recordou que, “há mais de três meses que estes trabalhadores estavam confrontados com a falta de pagamento pontual dos salários e ameaçados pelos patrões com o encerramento da empresa”.

 

 

BE destaca casos de risco de fome entre os trabalhadores

 

O Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda tem acompanhado a situação dos trabalhadores da Wash&Clean e no seu parecer “existem casos verdadeiramente dramáticos do ponto de vista social”. Com famílias inteiras a trabalhar nesta empresa, a situação dos salários em atraso tornou-se ainda mais grave, devido à “falta de suporte que lhes permita fazer face a necessidades básicas de alimentação e pagamento de despesas fixas de água, luz e renda”. Muitas famílias estão apenas a subsistir “graças à generosidade e solidariedade de outros colegas de trabalho trabalhadores, havendo casos de risco de fome dos descendentes a cargo”, expõe o Grupo Parlamentar.

Perante estas situações o BE questiona o Governo sobre as medidas que a tutela tenciona colocar em prática, neste caso o Ministério do Trabalho e Segurança Social. Eventualmente, se existe uma intenção de “garantir a resposta social adequada aos trabalhadores da Washclean”. Assim como, “qual a disponibilidade para garantir a indicação de um técnico de serviço social para fazer a triagem das situações sociais que merecem uma intervenção mais rápida”.

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