A Vida é Bela

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PJ VULTER – Escritor do Montijo. Publicou «Marta»,pela Coolbooks, em 2017. E publica regularmente no seu blog https://pjvulter.wixsite.com/pjvulter/blog.

Tenho visto muita coisa e ouvido outra tanta; e, no meio de tudo isto, nada me serve. Nada me explica o que se passa, o que se sente, o que se quer e não se tem e o que se tem e não se quer… Dizem-me: «É a vida!». Será?

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Será que a Vida tem de ser – necessariamente – um pastel de nata com pouca canela?

Não posso crer que num universo – dito – perfeito, haja espaço para este tipo de existência; uma existência que a muitos parece pueril, desprovida de nexo e de lógica. Como pode ser que num Universo onde, aos poucos, se vai compreendendo tudo, onde tudo está interligado, onde até uma rocha perdida no espaço gelado se encaixa no grande plano – pois, puxada é, pelas forças X e, repelida foi, pelas forças Y – nós nos sintamos tão sós, tão isolados e tão sem sentido?

Talvez seja possível que todos nós sejamos, apenas, como aquela rocha…

Algures no espaço insondável rola uma rocha, grande ou pequena – tanto faz; confabulou-se chamar-lhe asteroide. E esse asteroide encaminha-se, pelo frio e gelado espaço interestelar, para o seu destino; um destino conjurado pelas forças universais. Se essa rocha tivesse consciência, provavelmente, sentir-se-ia como nós: não veria sentido na sua existência vazia e sentir-se-ia impotente para travar o que lhe ia sucedendo. Mas não a tem e é certo que há um plano para ela. Ninguém sabe qual ele é, porque, na verdade, neste imenso Universo, o asteroide pode ser influenciado por tudo e tudo, ele, pode influenciar: pode, simplesmente, ser fatalmente atraído por um mundo enorme, ou estrela massiva, e esmagar-se no seu seio, tornando-se parte dele ou dela; pode ser capturado por um sol e tornar-se um cometa, belo e terrífico, um cometa que apaixone os poetas de um mundo distante ou faça alguém interessar-se pela astronomia; ou pode ser emboscado por outros asteroides e amalgamar-se no núcleo de um novo planeta, contribuindo, assim, para a criação de um mundo onde a vida resplandecerá em maravilhas inimagináveis…

Se nós formos, apenas, como aquela rocha, já viram a grandeza que nos poderá esperar?

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