A Ilusão que não ‘enCanta’

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José Esteves – Munícipe do Montijo

Na passada semana o “Setubalense – Diário da Região” chamava à sua capa um ufano presidente da Câmara Municipal de Montijo que, sem falsas modéstias, declarava que “Montijo tem bom Governo”…

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Outra coisa não seria de esperar…

Porque alguém que só parece acreditar no que “quer ver” ou nas “loas” dos “seus”, e que “atira” com todos aqueles que o tentam alertar para a realidade “real” para a qualidade de não assumidos porta-vozes da oposição, com intenções obscuras e a quem não se pode dar qualquer crédito, dificilmente pode ver “outra coisa”…

É que, se assim não fosse, Nuno Canta já teria percebido que os tons do concelho não estão tão “cor-de-rosa” como ele parece acreditar e como os seus mais próximos lhe fazem crer, porque gostam ou precisam de lhe agradar ou porque só essa “visão” ele permite perto de si…

É que, assim de repente e em mero exercício de memória, ocorrem-me uma mão cheia de situações e acontecimentos só destes últimos meses que aconselhariam um maior comedimento neste extravasar de autocontentamento e, subsequentemente, uma maior humildade no balanço.

Senão vejamos:

Aquela vergonha do pavimento do logradouro da EB do Afonsoeiro é uma invenção de pais “feitos com a oposição”?

A situação da EB/JI Joaquim de Almeida, que espera uma intervenção urgente e há tanto reclamada, e que parece aguardar um visto do Tribunal de Contas cujo pedido este estranhamente terá dito que nem sequer conhece, também não passa de um “jogo político” levado a cabo por pais e encarregados de educação “ao serviço” dos partidos da oposição?

E será que a situação que se vive na EB D. Pedro Varela, com uma falta de auxiliares educativos que já levou até ao encerramento do bar da escola, para além das questões de (in)segurança que lhe estão inerentes, não passa afinal de um “argumento” de um “filme de ficção” escrito pela oposição, em que os alunos, os pais e os encarregados de educação e os profissionais daquela escola não passam afinal de “atores recrutados pela oposição”?

E as queixas recorrentes sobre a qualidade da água para consumo humano em tantos locais do Concelho, são também o resultado de uma estratégia da oposição que convence injustamente tantas pessoas de uma realidade que, afinal, “não existe”?

O mesmo acontecendo com as crescentes queixas relativas à degradação ambiental que vai tomando conta do espaço público do Concelho, em especial no interior dos bairros e fora dos eixos principais, em que vemos jardins e espaços verdes sem a adequada conservação, passeios mal cuidados e cheios de infestantes, estradas com deficiente manutenção e cheias de buracos, e uma recolha de resíduos sólidos urbanos tão desadequada das necessidades atuais que há dias em que é a própria saúde pública que fica em risco em tantos locais, tudo isto são “cenários fantasiosos fabricados pela oposição” e denunciados por suspeitos agentes por si infiltrados entre a população?

Bem, que grande oposição que então temos no Concelho! Se, em minoria, consegue tudo isto…

Mas há pelo menos 3 destes acontecimentos em que a Câmara Municipal, e em particular Nuno Canta, fazem questão de chamar a si orgulhosamente o mérito total: o desastre urbanístico da construção que vem tapar parte da fachada do edifício-sede da Junta da UF do Montijo e Afonsoeiro, no Pátio da Água; o desastre ambiental do abate indiscriminado de árvores adultas saudáveis na Av. 25 de Abril, em sentido contrário às exigências do combate às Alterações Climáticas; e o desastre democrático da violação de correspondência dos vereadores da oposição, ao arrepio dos mais básicos princípios de um Estado de Direito Democrático e do mais elementar respeito pelo Estatuto do Direito de Oposição que, estou certo, será devidamente sancionado pela via judicial!

Pode-se pois concluir que o “bom governo” não passa do resultado de uma “sondagem” feita entre indefetíveis e em “círculo fechado”…

A realidade é bem diferente desta “ilusão”… que não ‘enCanta!’

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