PENSAR SETÚBAL: Os 100 anos da 1ª Guerra Mundial – Uma Homenagem ao Cap. Luiz Diniz Rodrigues

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Giovanni Licciardello – Professor

Hoje vamos falar de Luiz Diniz Rodrigues, que participou na 1ª Guerra Mundial. Era familiar de duas caras amigas, a Dr.ª Maria Leonor Rodrigues Júlio Martins, que foi professora em Setúbal, nos anos 50, contemporânea de Sebastião da Gama, tendo realizado o estágio juntos, na Escola Veiga Beirão e de Maria do Rosário Júlio Martins, que muito gentilmente me facultaram os seus dados biográficos.

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A família ainda conserva consigo as fardas, a espada e o malão com a inscrição do Corpo Expedicionário Português com que partiu para a Grande Guerra.

 

Luiz Diniz Rodrigues nasceu a 25 de Outubro de 1889 em Lisboa. Fez parte do CEP (Corpo Expedicionário Português), tendo embarcado para Brest em Janeiro de 1917, cujo barco apanhou um enorme temporal. Quando desembarcaram, seguiram de imediato de comboio para a Linha da Frente, ficando subordinados hierarquicamente ao Exército Britânico.

 

Quando foi mobilizado, Luiz Rodrigues já tinha concluído o curso de Engenharia e trabalhava nos CTT.

 

Na qualidade de Alferes Miliciano de Engenharia, ficou incorporado no sector das Comunicações na Linha da Frente, não tendo, por esse motivo, estado nas trincheiras a combater.

 

Esteve “aboletado” (termo usado na I Grande Guerra) em casa de uma família francesa e tomava as refeições na messe dos oficiais ingleses. Segundo ele, os soldados queixavam-se muito da falta de vestuário, que não estava adequada às temperaturas baixas, e também da alimentação que era fornecida pelos ingleses, sendo muito diferente da que estavam habituados nas suas aldeias.

 

No famoso Natal de 1914, ambos os lados do conflito suspenderam as hostilidades e confraternizaram todos. Amigos e inimigos.

 

Quando as tropas portuguesas estavam à espera de serem substituídas, devido ao cansaço de muito tempo nas trincheiras, e com um moral muito baixo, deu-se a Batalha de La Lys, em 9 de Abril de 1918. Os Portugueses tentaram resistir, mas tiveram que retirar, tendo sido muito difícil e com muitas baixas.

 

Durante muito anos, Luiz Rodrigues evitou falar da Guerra, e só no fim da sua vida, se abriu um pouco mais, sem nunca mencionar aspectos da guerra propriamente dita, mas apenas de alguns episódios mais rocambolescos!

 

Para dormir nas trincheiras, Luiz Rodrigues improvisou um catre com ramos e fios de telecomunicações, para não ficar deitado na lama no chão.

Como Espanha era “neutra”, não admitia ser atravessada por soldados. Assim os poucos combatentes que tiveram direito a licença e que vinham de descanso a Portugal, vinham à “paisana” e os governantes espanhóis fechavam os olhos, ignorando a situação.

Por ocasião do Armistício, Luiz Rodrigues encontrava-se em Portugal na sua primeira licença, e já não voltou a França, como estava previsto, com sua grande pena, pois os combatentes portugueses participaram no desfile da vitória em Paris e ficaram lá até Abril / Junho de 1919.

Após a guerra, Luiz Rodrigues manteve-se no exército até cerca de 1930. Nessa altura, já casado e com filhos, deixou o Exército com a patente de Capitão, pois passava a vida fora de casa, devido aos tempos conturbados vividos em Portugal, com muitas revoluções… e retomou o seu emprego nos CTT.

Faleceu a 14 de Janeiro de 1988, aos 98 anos, em Lisboa

Luiz Rodrigues foi sempre sócio da Liga dos Combatentes, tendo pedido para ser sepultado no talhão da Liga dos Combatentes no Cemitério do Alto de São João, estando agora as suas ossadas na respectiva Cripta.

Fica aqui uma singela, mas muito significativa evocação de Luiz Diniz Rodrigues, combatente da 1ª Grande Guerra Mundial.

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