Estivadores prosseguem luta no porto após falhanço das negociações

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Hoje de manhã continuam em protesto no cais. Trabalhadores da Setulset mantêm-se ao lado dos da Operestiva

 

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As negociações laborais para o fim do conflito no Porto de Setúbal falharam, na sexta-feira, e os estivadores vão prosseguir a luta que já dura há quatro semanas.

Os trabalhadores, tanto os da Operestiva, que iniciaram a paralisação a 06 de Dezembro, como os da Setulset, que entraram na luta após o recurso á PSP, vão manter a paralisação e a concentração diária no cais.

Esta segunda-feira já estão novamente na zona dos terminais Ro-Ro e de contentores, que tem sido o palco principal do protesto.

Na sexta-feira, a Operestiva, empresa de trabalho portuário que opera nos terminais Ro-Ro, para a Navipor, e contentores, para a Sadoport-Yilport responsabilizou o sindicato pelo falhanço das negociações.

“Mais de um ano depois do início das primeiras negociações com os representantes sindicais do Porto de Setúbal, não foi possível chegar a acordo por razões às quais somos totalmente alheios”, refere a nota enviada pela Operestiva.

“Durante este último ano a Operestiva disponibilizou-se para participar activamente numa alteração profunda das relações laborais no Porto de Setúbal. A Operestiva criou e abriu vagas para um quadro permanente de colaboradores. Nestes últimos dias não se discutiram condições remuneratórias – que são bastante acima da média nacional. E, inclusivamente, manifestámos a nossa disponibilidade para aumentar a dimensão do quadro permanente inicialmente proposto.”, acrescenta a mesma nota.

A empresa afirma que “o único obstáculo à conclusão de um acordo foi a intransigência dos representantes sindicais quanto ao Porto de Leixões e de Sines” e que “estas são circunstâncias às quais a Operestiva e o Porto de Setúbal são totalmente alheios e que prejudicam gravemente todos os trabalhadores do Porto de Setúbal”.

“Já na próxima semana [a partir de hoje] o Porto de Setúbal deverá ter uma quebra de 70% na carga movimentada. E existe uma “fuga” consistente de clientes para outros portos, nomeadamente espanhóis. Nestas circunstâncias, a Operestiva vai proceder a uma avaliação da viabilidade económica da empresa. Estão salvaguardados todos os direitos dos seus trabalhadores.”, conclui o comunicado.

 

O presidente do Sindicato dos Estivadores (SEAL) acusou as empresas portuárias de quererem protelar a precariedade e a perseguição a alguns trabalhadores, responsabilizando-as pelo fracasso das negociações para um acordo laboral no Porto de Setúbal.

“As negociações foram interrompidas, porque as empresas e o Governo quiseram misturar uma questão local de Setúbal com um problema nacional, relacionado com a perseguição aos trabalhadores filiados no SEAL – 50 no Porto de Leixões e 25 no Porto do Caniçal, na Madeira”, disse à agência Lusa o presidente do SEAL, António Mariano no final das negociações promovidas pelo Ministério do Mar, que terminaram hoje em Lisboa.

“Até nos disponibilizámos para suspender temporariamente a greve ao trabalho suplementar no Porto de Setúbal, sendo que no prazo de 15 dias essas perseguições a trabalhadores filiados no SEAL teriam de terminar, mas as entidades patronais recusam qualquer acordo se não suspendermos a greve ao trabalho extraordinário”, acrescentou.

António Mariano defende, no entanto, que o sindicato não pode suspender a greve ao trabalhado extraordinário e abandonar os seus filiados que estão a ser perseguidos em outros portos do país, e garante que a própria “ministra do Mar já foi confrontada com provas da perseguição que está a ser feita aos trabalhadores do SEAL nos portos de Leixões e do Caniçal, na Madeira”.

“A senhora ministra já viu os recibos de trabalhadores do nosso sindicato, que recebem metade do salário só porque são filiados no SEAL, comparativamente com outros trabalhadores, que entraram no mesmo dia e fazem exatamente o mesmo trabalho. Mas a senhora ministra entendeu que em 15 dias não havia condições para resolver estes problemas”, disse.

 

CAIXA

Trabalhadores preocupados com o futuro apelam à solidariedade

A notícia do falhanço das negociações deixou os estivadores de Setúbal mais preocupados com o futuro.

“Estávamos na esperança que hoje houvesse acordo. Claro que estamos muito preocupados. É o futuro de 150 famílias que está em causa”, disse a O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO Carla Rodrigues em Setúbal, estivadora há nove anos.

“Estamos há 25 dias sem receber” acrescenta, referindo-se ao facto de os trabalhadores eventuais, por serem contratados ao dia, não auferirem vencimento nos dias em que não trabalham. A luta em que estão os eventuais de Setúbal não é legalmente uma greve, precisamente por essa razão.

Para fazer face às dificuldades financeiras em que já se encontram, ao fim de quase quatro semanas de paralisação, os estivadores eventuais estão a desenvolver acções de angariações de fundos, apelando à solidariedade dos portugueses.

“Já abrimos uma conta, em nome de dois membros do SEAL e de três trabalhadores eventuais, para quem quiser fazer donativos”, informa Carla Rodrigues. A conta solidária, no Novo Banco, foi formalizada ontem e esta sexta-feira já está activa e pronta a receber dinheiro.

Entretanto, os trabalhadores decidiram também promover um espectáculo de solidariedade, com artistas nacionais que aceitem participar.

Para organizar esse espectáculo de angariação de fundos vão pedir apoio da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), para que seja cedida a utilização do espaço do Cais 3, do Porto de Setúbal para a realização do espectáculo a favor dos eventuais.

Este espaço ribeirinho da cidade do Sado foi já palco das comemorações oficiais do 10 de Junho, no último mandato de Cavaco silva como Presidente da República.

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