Investimentos no Porto de Sines apontam para criação de 1600 novos empregos

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Nuno Mascarenhas, presidente da Câmara Municipal de Sines

Infra-estrutura portuária promete continuar a ser o principal motor da economia local. Apostas nos sectores turístico e das energias renováveis confirmam estratégia bem sucedida para captação de investimento

 

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Os investimentos previstos no Porto de Sines devem vir a criar, num futuro próximo, cerca de 1600 novos empregos e são tidos, pela dimensão que encerram em si, como principais destaques no âmbito do desenvolvimento económico da região e do país. Quem o diz é Nuno Mascarenhas, presidente da Câmara Municipal de Sines, que salienta a importância da infra-estrutura portuária para aquele concelho do litoral alentejano.

“A dinâmica do Porto de Sines e da plataforma portuária e industrial, com investimentos importantes na manutenção, ampliação e reconversão das grandes unidades, foi uma âncora que manteve Sines em crescimento mesmo no período da crise financeira pós-2008”, afirma o autarca socialista, admitindo que houve sectores, como a construção e a metalomecânica, que “atravessaram momentos difíceis e só há pouco tempo começaram a recuperar”, a contrastar com o crescimento da procura turística do concelho que, sublinha, registou nos últimos cinco anos “um aumento de quase 40%” das dormidas turísticas.

“O alargamento do Terminal XXI e a construção do novo Terminal Vasco de Gama, se vier a acontecer, podem significar, no futuro, 1600 novos postos de trabalho para a região, além de reforçar o peso deste porto como activo estratégico para a economia do país”, realça, adiantando: “Não obstante, exigem intervenções do Estado português na criação de ligações ferroviárias e rodoviárias mais eficientes e de nível superior, que concorram para a reafirmação do Porto de Sines como o maior porto nacional e um dos mais relevantes da Europa.”

Instado a revelar a estratégia municipal para captação de investimento e criação de emprego, o edil lembra a “postura proactiva” mantida pela autarquia e aponta desde logo um exemplo. “Em 2016, formalizámos uma parceria com o Porto de Sines e a aicep Global Parques para que a acção entre as três entidades na promoção do Espaço Económico de Sines seja articulada”, recorda, salientando que Sines “tem características muito particulares” e exige que os referidos “três grandes intervenientes, gestores de áreas para a instalação de empresas, complementem a oferta uns dos outros e sejam consistentes na mensagem que transmitem aos investidores”.

Geminação com cidades chinesas na forja

Para Nuno Mascarenhas, Sines só tem a ganhar “com novos investimentos que ajudem a diversificar a natureza das indústrias” existentes no concelho. O presidente da Câmara explica que Sines também “reúne condições para se posicionar na dianteira da transição do actual paradigma energético” e garante: “É por isso que estamos especialmente receptivos a investimentos nas áreas das energias renováveis, nos portos e logística, no turismo e na economia do mar em geral, incluindo projectos modernizadores do sector da pesca.”

Os vectores que norteiam a acção estratégica do município não se confinam, porém, à região e ao país. Paralelamente, a internacionalização tem sido aposta.

“Temos vindo a intensificar a nossa participação em acções de diplomacia económica, reforçando laços com as cidades portuárias de todo o mundo e com mercados preferenciais, como o chinês, para o qual o Porto de Sines é muito valioso, por ser o porto de águas profundas europeu mais próximo do Canal do Panamá”, indica, destacando algumas operações recentes: “Com esta finalidade, estivemos recentemente no fórum global de cidades portuárias, realizado em Taiwan, integrámos uma viagem de negócios à China promovida no âmbito do projecto Alentejo Global Invest e estamos a iniciar procedimentos para formalizar a geminação com duas importantes cidades portuárias da China: Ningbo e Beihai.”

O sector turístico tem merecido igualmente atenção especial. E continua a ser aposta estratégica. “No turismo, apostamos no sector náutico, tendo recebido recentemente a certificação da Estação Náutica de Sines. O nosso concelho tem condições excepcionais para este sector em toda a sua extensão de costa e este projecto vai contribuir para promovê-las”, observa o chefe do executivo camarário, desvendando ainda outro projecto colocado em marcha, que permitirá requalificar a Zona de Indústria Ligeira.

“Para melhorar as condições das empresas já instaladas e para garantir suporte físico a muitos dos investimentos que poderão advir, directa ou indirectamente, desta dinâmica, estamos também a iniciar um projecto faseado de requalificação da nossa Zona de Indústria Ligeira, bem como a sua expansão até 28 novos lotes, num investimento de cerca de 7 milhões de euros, para o qual aguardamos a aprovação de financiamento”, concluiu.

Central eólica de M€ 95 e quatro unidades hoteleiras a caminho

As políticas municipais para captação de investimento e criação de emprego já começam a surtir efeito. A caminho de Sines estará mais um equipamento, estimado em quase cem milhões de euros, que até já recebeu aprovação da tutela.

“Nas energias renováveis, existe um investidor interessado em construir uma central eólica no concelho com uma potência de 60 megawatts. Este investimento, no montante de 95 milhões de euros, foi resultado directo do empenho da Câmara Municipal e já tem luz verde da Secretaria de Estado da Energia”, revela Nuno Mascarenhas. Segundo o autarca, este equipamento irá “juntar-se” às três centrais eólicas já existentes em Sines e, quando estiver concluída, permitirá ao concelho sineense apresentar uma “potência total instalada a rondar os 80 megawatts de electricidade verde”.

O presidente da Câmara salienta a vantagem sineense neste particular do sector das energias renováveis. “Pelas suas características de vento, pela exposição solar de 3 mil horas anuais e pelo factor de já ter ligações de densidade ímpar à rede nacional de distribuição de energia, Sines é um destino cada vez mais apetecível”.

No sector turístico estão a nascer no concelho quatro unidades hoteleiras, que contaram com a intervenção da autarquia “no planeamento do território, na agilização de processos e na intermediação” com parceiros. “Em Porto Covo já se iniciaram as obras de um novo hotel e outro arrancará em breve, aumentando o número de camas daquela aldeia em cerca de 250. Em Sines nascerá um novo hotel de quatro estrelas, com 120 quartos, e já se iniciaram as obras de um novo aparthotel com 70 apartamentos”, realça o autarca.

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