Um país de brincadeira

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Juvenal José Cordeiro Danado – Professor

Um homem residente no Barreiro recreia-se em abusos e agressões a mulheres. Persegue-as e dá largas aos instintos de bruto. Já terá molestado cerca de cem mulheres, desde, pelo menos, 2012. O agressor foi detido várias vezes e sujeito a tratamento hospitalar para, uns dias depois, ser mandado em liberdade.

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Aos responsáveis pela proteção, segurança e tranquilidade das comunidades, como a qualquer profissional, exige-se o desempenho das funções com responsabilidade e competência; é para isso que os elegemos e que são pagos. No caso presente, e a crer na comunicação social, «O Setubalense/Diário da Região» incluso, as autoridades policiais têm feito o que lhes compete: registam a queixa, detêm o agressor e dão despacho ao processo. Mas o processo, como é uso e abuso na nossa terra, vai de trambolhão em trambolhão pelas secretárias dos doutores, entra pelas veredas tortuosas do faz-de-conta, acabando por perder-se nos escaninhos do deixa andar. E o brutamontes do Barreiro é perdoado de mais uma selvajaria, e sai livre que nem um passarinho. Até voltar a fazer das suas.

Numa nação que dizemos e queremos civilizada, a situação, geradora de alarme social numa cidade, numa região, deveria estar resolvida, faz tempo. Mas persiste.

Um caso de semelhante natureza, para se resolver, requer tratamento continuado do agressor – que tem direitos – e o seu distanciamento compulsivo da sociedade, até que esteja apto a comportar-se como um ser humano normal. Calculo eu. Não se regenerando, o homem continuará a constituir um perigo para as mulheres – que têm todo o direito de andar na rua em paz e sem receios de serem brutalizadas e feridas na sua dignidade, por tarados à solta –, pelo que a solução terá de ser o internamento a longo prazo, quiçá definitivo, numa instituição apropriada. Calculo eu.

Ao cabo de uma data de anos e casos, as digníssimas sumidades que têm ao seu cuidado a defesa dos direitos, a proteção e a segurança dos cidadãos, estarão à espera de quê? Que o criminoso relapso tire a vida a uma vítima? Ou que um pai, um marido ou companheiro, um avô, um irmão, um tio, um namorado resolvam armar-se em justiceiros? Se é pelo que esperam, estão a trabalhar bem, não haja dúvidas.

Por causa destas e doutras, volta não volta dou comigo a matutar se não viveremos num país de brincadeira. É que, ocorrências e assuntos públicos que exigem trato sério, por gente crescida, atinada, responsável, não podem ser encarados com a leviandade dos rapazes pequenos.

 

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