Indiferença, a mãe das nossas tragédias

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Francisco Ramalho – Ex-bancário, Corroios

Pelo menos nos últimos anos, a atual tragédia de Borba, foi talvez a mais anunciada das nossas tragédias. Basta observar-se as inúmeras fotos publicadas sobre a matéria. Mesmo assim, o presidente da respetiva câmara, apressou-se a afirmar que nada lhe pesava na consciência. O primeiro-ministro, disse que desconhecia a perigosidade em que se encontrava a estrada em causa. E, que se saiba, os habitantes das imediações que frequentemente por ali circulavam, não protestaram ou fizeram qualquer denuncia publica. Por exemplo, na Assembleia de  Freguesia local ou na Assembleia Municipal. Apenas algumas constatações e, pelos vistos, ligeiras, do perigo que dali poderia advir.

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Uma conclusão daqui poderemos tirar: a nossa generalizada indiferença, mesmo perante tão evidentes sinais de perigo. E que perigos! Como agora, natural e infelizmente, se comprovou.

Mas, sendo a que nos se afigura mais potencialmente indiciadora da catástrofe que se consumou, como se sabe, houve inúmeras outras no país. Por exemplo, os recorrentes incidentes nas mais ou menos artesanais fabriquetas de material pirotécnico, provocando inúmeros mortos e feridos. Poderíamos ainda falar na falta de limpeza de matas (que este ano, devido às desgraças que sabemos, lá se fez qualquer coisa) na negligência, na desertificação do interior, no mau estado de estradas e tantas outras lamentáveis situações que estão na origem de muitas outras catástrofes.

Mas há indiferenças mesmo criminosas! Um presidente de câmara pode e deve interditar uma estrada municipal perante os potenciais perigos como a que está em causa, apresentava. E que dizer de responsáveis de organismos do Estado também com responsabilidades nesta matéria que nem sequer informaram o ministro da tutela?  Ou este foi informado e não apresentou a questão nas reuniões do Executivo? Para o PM não ter conhecimento!

Portanto, há indiferenças que matam. Perante a dimensão da atual tragédia e até como medida didática, exemplar e preventiva, esperemos que ela, a indiferença, não seja a responsável por que, mais uma vez, a culpa morra solteira.

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