Maria da Paz Trindade: Cem anos de Vida

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Giovanni Licciardello – Professor

No dia 11 de Novembro de 2018, perfizeram cem anos sobre a assinatura do Armistício, que colocou fim à 1ª Guerra Mundial.

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Hoje vamos falar de uma senhora amiga, Maria da Paz Trindade, que nasceu dois dias depois do Armistício, a 13 de Novembro de 1918.

 

No passado dia 13 de Novembro de 2018, Maria da Paz Trindade celebrou cem anos de vida.

 

Para conseguir entrevistá-la, tive de me socorrer da amizade e dos bons serviços, de três amigas comuns, Maria Leonor Martins, Maria do Rosário Martins e Dinah Mendonça, para poder concretizar este meu desejo.

 

Tive o enorme prazer de estar na sua residência, na companhia de Dinah Mendonça e de João Peral, que contribuíram decisivamente para uma maior exaustividade narrativa.

 

Maria de Paz Trindade nasceu em Lisboa, na Av. da Liberdade, mesmo em frente à Companhia das Águas.

 

Filha de Alzir Figueiredo e de Carolina Maria da Saúde Fernandes Figueiredo.

 

Foi-lhe atribuído simbolicamente o nome de Maria da Paz, precisamente pela alegria e sensação de alívio decorrentes do fim da Guerra.

 

Existiam dois acontecimentos que os seus pais falavam sempre com tristeza: o Regicídio e a Grande Guerra.

 

As primeiras recordações que tem de acontecimentos históricos relevantes, tem a ver com o 28 de Maio de 1926. O general Gomes da Costa entrou em Lisboa, com significativo apoio popular. Maria da Paz guarda duas balas desse acontecimento; uma foi-lhe facultada por um guarda republicano conhecido e a outra alojou-se num colchão de cama, disparada da rua.

 

Era vizinha do escritor Trindade Coelho, sendo a sua família uma das poucas que tinha telefone.

 

Conheceu o artista plástico Almada Negreiros, o pintor Bernardo Marques e o ilustrador Jorge Barradas.

Era sobrinha-neta do político Fidelino de Figueiredo e também sobrinha de Mário Novaes, um dos mais prestigiados fotógrafos do seu tempo.

Casou em 1939 com Joaquim Rosinha Trindade, funcionário da Junta Nacional do Vinho em Lisboa. Lembra-se perfeitamente dos refugiados espanhóis, na sequência da Guerra Civil.

 

Maria da Paz Trindade é uma grande entusiasta por touradas, sendo uma aficionada da festa brava. O avô materno, Manuel Luís Fernandes, foi o sócio fundador do Campo Pequeno e levava a neta desde tenra idade, para um dos camarotes. O avô foi também director do Coliseu de Lisboa.

 

Era uma grande apreciadora e admiradora de João Núncio.

 

Deslocava-se regularmente a Madrid, à Feira de S. Isidro, durante 30 anos seguidos ver as corridas de touros, hospedando-se no Hotel Rex.

 

Maria da Paz Trindade agita-se. Os seus olhos adquirem um brilho especial, os seus gestos evidenciam uma grande vivacidade e entusiasmo, quando fala de touros. É uma grande apreciadora da corrida à portuguesa, nutrindo uma enorme admiração pela coragem e espírito de entreajuda dos forcados

 

Mulher cavaleira, encara com alguma reserva. Falou de um touro chamado Orgulho que não foi morto em Espanha, por ter feito uma actuação soberba, em Abril de 2018.

 

Lê com regularidade a Revista tauromáquica espanhola Aplauso.

 

Salienta que os 100 anos passaram a correr e que valeu a pena esperar tanto tempo, para ver e apreciar a parada militar evocativa do centenário do fim da 1ª Guerra Mundial.

 

Cara Senhora Maria da Paz Trindade. Foi para mim uma grande satisfação, um enorme regozijo, uma acentuada honra e privilégio poder usufruir, ainda que por uns instantes fugazes, mas altamente significativos, da sua distinta e augusta presença inspiradora, fazendo os mais ardentes votos de um resto de vida passado com a dignidade que a senhora indubitavelmente merece.

 

Um grande beijo.

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