Deseducando

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Mário Moura –
Médico

Não posso deixar de manifestar o meu desagrado com certas tendências que os programas da televisão estão tomando nos últimos tempos.  Nem tudo é aceitável em nome das audiências, como sejam programas que fazem apelo à emotividade dos espetadores. E os diversos canais seguem o mesmo caminho trazendo para o ecrã da televisão casos de pessoas que sofreram ou sofrem de certos infortúnios que são esmiuçados até ao fundo pelas apresentadoras.

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E tais programas ocupam tempo diário demasiado e em horas de audiências maiores, puxando á lágrima dos espetadores mais sensíveis. Não deixo de perceber que alguns desses casos apresentados possam ser mostras de luta e de boas reações a infortúnios das ou dos seus protagonistas, mas isso não me parece que seja suficiente para compensar a parte negativa dessa exposição de casos doentios.

Se juntarmos a estes programas o tempo desmesurado dedicado aos problemas do futebol  e aos tempos de anúncios, pouco resta para sentirmos algum prazer em passar um serão em frente do ecrã da televisão.

Trago este tema dos programas da nossa televisão impulsionado pelo atual programa da SIC sobre casamentos à primeira vista que ainda por cima é anunciado constantemente entre os restantes programas, mantendo o tema vivo durante todo um serão ou uma tarde. Estando em crise há muito tempo a solidez dos casais como se vê pelo numero de divórcios, este programa apresentado com um fundo científico, com psicólogos ou conselheiros matrimoniais, não  contribui em nada para apresentar o casamento como algo que deve ser estável, pensado profundamente, tendo por base uma relação amorosa firme.

Não querendo por em dúvida os técnicos que dão essa aparência de coisa séria ao programa, se são competentes, se são mesmo pessoas com experiência na problemática da crise atual dos casamentos, o conjunto do programa é profundamente deseducativo e não  ajuda à luta contra o problema demográfico que vivemos entre nós.

Os conselhos, as experiências pre matrimoniais, não tocam no cerne da crise dos casamentos, não lutam contra o individualismo reinante nem ajudam a desfazer os conceitos que levam o nosso pais a envelhecer vertiginosamente com todos os problemas inerente a tal desvio demográfico, antes pelo contrário dão o aspeto de que com alguma compatibilidade temperamental se pode construir um casal estável .

Não esqueçamos que a família é o coração da nossa sociedade, que a família é essencial para se formarem cidadãos conscientes das suas responsabilidades sociais e tudo quanto contribua para lhe dar esse aspeto de coisa fácil em que os problemas se resolvem com uns conselhos de psicólogo, não contribui para melhorar a situação problemática que a família está atravessando.

E não esqueçamos que a TV agora andando até nos bolsos das pessoas nos telemóveis é um forte agente formador ou deformador das sociedades. Por isso quem define as programações dos vários canais tem grandes responsabilidades sociais.

Pensemos por isso neste problema !

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