Músculo policial desbloqueia paralisação do porto

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Autoeuropa vai tentar carregar um navio com 2000 carros. Navio “Paglia” chega hoje ao Sado  vindo de Santander. Estivadores estão à margem mas prometem luta

 

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A paralisação do Porto de Setúbal, que dura há quase três semanas, vai ser desbloqueada à força, com recurso à PSP que está hoje com grande aparato junto ao Terminal Ro-Ro, onde é aguardado um navio da VW Autoeuropa para carregar.

O navio “Paglia” dá entrada hoje no estuário do Sado, vindo de Santander, em Espanha, onde já carregou cerca de mil viaturas, para embarcar aproximadamente dois mil dos veiculos que a fábrica de Palmela tem estacionados no terminal portuário.

A chegada do barco, prevista para as 6 horas da manhã de hoje, é feita através do sistema “Marine Traffic”, diferente do sistema oficial usado pela Administração do Porto de Setúbal e Sesimbra (APSS), a Janela Única Portuária (JUB), pelo que é referido nos meios marítimos como um “navio-fantasma”.

O embarque requer cerca de de 50 trabalhadores, e deverá levar aproximadamente 16 horas, dois turnos de trabalho e os estivadores eventuais do terminal não foram convocados para o trabalho.

Ao que tudo indica, os trabalhadores para esta operação são de portos espanhóis e vêm já no navio.

Os estivadores em luta no Porto de Setúbal vão estar no local. “Vamos concentrar-nos à porta do terminal às 8 horas da manhã”, disse Carla Rodrigues, estivadora eventual.

Para garantir a segurança das pessoas envolvidas no embarque, os meios da PSP foram reforçados ontem em Setúbal, num aparato que não passou despercebido a quem circula pela cidade.

A PSP destacou agentes para a porta da empresa Operestiva, na Avenida Rodrigues Manito, onde os estivadores estiveram concentrados e junto ao Comando Distrital da PSP de Setúbal, na Avenida Luísa Todi, o reforço de meios foi também bastante notado, com várias viaturas estacionadas.

No interior do Terminal Ro-RO foi colocada logo ontem a viatura Posto de Comando Táctico, um autocarro onde funcionará a direcção operacional dos diversos meios, viaturas e homens, que estarão hoje no terreno em redor de toda a estrutura portuária.

A Operestiva, empresa de trabalho temporário dos dois terminais que estão paralisados, é o alvo principal da contestação dos trabalhadores em luta. A sociedade, que trabalha para os concessionários do Terminal Ro-Ro, a Navipor, e multiusos, Sadoport-Yilport, é a responsável pela contratação, ao dia, dos trabalhadores eventuais, que são 90% do total dos estivadores do porto de Setúbal.

Estes trabalhadores, em coordenação com o Sindicato dos Estivadores e Actividades Logísticas (SEAL) exigem o inicio de negociações, para a celebração de um contrato colectivo de trabalho, mas as empresas de trabalho portuário não aceitam negociar enquanto a paralisação não for cancelada.

 

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