Protecção Civil satisfeita com capacidade de resposta em simulacro

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Depois de dois incêndios na Mitrena este ano, a Protecção Civil Municipal subiu a fasquia e testou efectivo e meios num grande cenário de acidente. Numa primeira análise a capacidade de acção foi aprovada

 

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A Câmara de Setúbal testou na manhã da passada sexta-feira a capacidade de resposta da Protecção Civil a um eventual acidente industrial, através do exercício Mitrex 2018, que simulou o derrame de um produto tóxico provocado pelo descarrilamento de um comboio na Mitrena. Numa primeira conclusão, o vereador Carlos Rabaçal, responsável pela Protecção Civil  Municipal diz que “a resposta foi muito rápida e eficiente” e “tudo funcionou como era suposto”.

“Este simulacro vem testar a capacidade de resposta dos agentes da protecção, do planeamento, das entidades envolvidas, dos hospitais, empresas, da Comissão Municipal de Protecção Civil, dos planos de emergência e foi feito em tempo real, resolvendo o problema num vagão que, após queda de uma via-férrea, rompeu e resultou na libertação de uma nuvem tóxica com impactos numa zona industrial”, explicou à Lusa o vereador com o pelouro da Protecção Civil, Carlos Rabaçal.

Nesta simulação foi criado um cenário em que um furacão está a passar pela cidade e a causar várias ocorrências, entre as quais o descarrilamento do comboio e o derrame de amoníaco, uma substância química que se propaga rapidamente e que pode levar à morte ao fim de dez minutos de inalação.

Foi pelas 10h00 que a sirene dos Bombeiros Sapadores de Setúbal tocou e os operacionais deslocaram-se rapidamente à Mitrena, onde, ao depararem-se com a fuga tóxica, são obrigados a recuar para vestir os fatos de protecção.

Simultaneamente foi necessário activar a Comissão Municipal de Protecção Civil, os planos de emergência e evacuar todas as casas, escolas ou unidades fabris num raio de um quilómetro.

Segundo o vereador da Protecção Civil, toda a resposta ao simulacro foi efectuada em “tempo real”, para que todas as entidades saibam como responder de forma rápida e eficiente a um “acidente real”.

“Setúbal está a preparar-se para qualquer incidente do género e nós testámos um produto químico que é o amoníaco, que é bastante perigoso, mas tivemos há algum tempo um acidente real com outro produto químico, o fósforo, e respondemos de uma forma muito eficiente. E os simulacros dinamizados antes foram muito importantes para dar uma resposta rápida”, indicou.

Carlos Rabaçal referia-se a dois incêndios ocorridos na Mitrena, no início do ano, um dos quais em Fevereiro, que destruiu os armazéns de enxofre da Sapec Agro e provocou mais de uma dezena de feridos ligeiros por inalação de fumos, e outro em Março, num depósito de solvente da Sapec Química.

Segundo o vereador, o exercício efectuado hoje tinha ainda o objectivo de “dar uma resposta multifacetada a todas as consequências seguintes ao acidente industrial”, como o corte de estradas, minimização de situações ou evacuação de escolas.

No cenário criado, uma escola primária foi afectada pela nuvem tóxica e cerca de 30 crianças com sintomas foram encaminhadas para a pediatria do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, além de outros 30 estudantes do ensino politécnico que acabaram por falecer, sendo necessário levar os corpos para a morgue da mesma unidade hospitalar.

De acordo com Carlos Rabaçal, estiveram no terreno “cerca de 50 operacionais”, mas em toda a operação participaram “cerca de 6 mil pessoas”, entre as quais os trabalhadores das empresas envolventes e estudantes que tiveram formação para participar no exercício, simulando diferentes situações.

Lusa

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