PENSAR SETÚBAL: A homenagem a Álvaro Cunhal em Setúbal

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Giovanni Licciardello – Professor

Esta crónica vem na sequência da atribuição do nome de Álvaro Cunhal a uma avenida, aqui em Setúbal e da colocação posterior de painéis em madeira, onde a figura de Cunhal surge de perfil, bem como réplicas de pinturas produzidas pelo próprio, que se encontram espalhadas pelo primeiro troço da avenida.

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Vamos então ao cerne da questão. A homenagem propriamente dita.

Álvaro Cunhal foi, durante três décadas, o líder praticamente incontestado do Partido Comunista Português (PCP), uma das organizações partidárias que se assume como herdeira ideológica e política do Comunismo.

 

O Comunismo é uma ideologia que assenta em vários pilares estruturais, tais como o forte condicionamento ideológico das sociedades civis, a ausência de liberdade, a colectivização forçada, o culto da personalidade dos seus dirigentes, a polícia política, a repressão, a utilização das prisões discricionárias, os campos de concentração, o assassínio e o genocídio.

 

Os maiores ditadores e criminosos do século XX e XXI foram, e são, entre outros, comunistas responsáveis pelo atraso dos respectivos países e pelo genocídio de milhões de pessoas, tais como Estaline, Mao, Pol Pot, Nicolai Ceausescu, Enver Hohxa, Fidel Castro, Erich Honecker, Menghistu Hailé Mariam, Lavrenti Béria e mais recentemente na antiga Jugoslávia, ex-comunistas recauchutados em nacionalistas, tais como Slobodan Milosevic, Radovan Karasic, Ratko Mladic, que foram condenados pelo Tribunal Penal Internacional de Haia, pela prática de genocídio.

 

Na Coreia do Norte, temos ainda Kim II-Sung, seu filho Kim Jong II e seu neto Kim Jong Un, naquela que é denominada a primeira dinastia comunista. Nesse país, as violações sexuais sistemáticas das mulheres assumem proporções indignas e repugnantes.

 

Depois temos a segunda dinastia comunista: Cuba. Fidel Castro, depois de governar Cuba durante 50 anos, abandonou o poder, sendo substituído pelo seu irmão Raúl. O julgamento encenado e a condenação à morte por fuzilamento do General Arnaldo Ochoa, um dos militares mais brilhantes, competentes e carismáticos, responsável pela estratégia militar cubana em Angola, foi mais uma prova do carácter obsoleto do regime.

 

Em alguns países comunistas (nomeadamente nas antigas URSS e RDA), existem fortes evidências que comprovam que os Estados promoviam e encorajavam a dopagem dos seus atletas olímpicos, para a obtenção de medalhas, com consequências nefastas para a sua saúde, nomeadamente infertilidade, alterações hormonais gravíssimas e cancros diversos.

 

Em todo o universo comunista, só existe o partido único. A liberdade de expressão, proibida; o condicionamento ideológico, uma constante; os campos de reeducação (leia-se de concentração), uma prática comum; a polícia política, particularmente repressiva.

 

A KGB soviética, a Stasi da RDA, a Securitate da Roménia, a Brigada Especial Nacional de Cuba, a Securimi da Albânia, a KDS da Bulgária, apenas para salientar as mais significativas, de uma dimensão obscura e repressiva.

 

O PCP, em geral e Álvaro Cunhal, em particular, são os  herdeiros políticos de todo este universo.

 

Por tudo isto, mais importante do que a inexistência de qualquer relação entre Cunhal e Setúbal, ou dos 300 mil euros que custou a empreitada, ao homenagear-se desta forma a figura de Álvaro Cunhal, está a prestar-se um tributo explícito ao Comunismo, uma das duas ideologias mais mortíferas do século XX.

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