Paralisação de estivadores mantém navios afastados do porto

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Terminais Ro-Ro, onde são embarcados os carros da Autoeuropa, e da Sadoport, não conseguem operar navios. Apenas os terminais da Tersado e da Sapec têm trabalhado

 

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A paralisação dos trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal, que dura há mais de uma semana, já impediu a operação de 22 navios e estão em causa ainda mais 13 previstos para esta semana.

Ontem os dois principais terminais do porto, o terminal Ro-Ro e o terminal de contentores e carga geral da Sadoport, voltaram a estar completamente parados.

Apenas os terminais da Tersado, que tem outra empresa de trabalho portuário, e o terminal da Sapec, na Mitrena, estavam a trabalhar ontem. Na Sapec a laboração foi assegurada por um estivador efectivo.

O presidente do Sindicato dos Estivadores do Centro e Sul, António Mariano, disse ontem que 90% dos trabalhadores do Porto de Setúbal são precários.

Segundo António Mariano, as empresas que contratam estes trabalhadores – cerca de 150 de acordo com os dados do sindicato – estão a tentar fazer contratos com alguns trabalhadores, que são “ilegais em tempo de greve” e cujos termos são desconhecidos.

“Sabemos que um ou dois trabalhadores assinaram, mas nem ficaram com uma cópia do contrato”, denunciou.

Os trabalhadores exigem assim o retomar das negociações com os sindicatos para um acordo colectivo de trabalho que garanta os direitos destes trabalhadores precários que chegam a trabalhar 30 e 40 turnos por mês.

“Os trabalhadores estão fartos, muitos estão nesta situação há mais de 20 anos. Estão a ser alvo de manobras de intimidação e coação e decidiram parar totalmente desde dia 05 [de Novembro]. Está tudo parado em Setúbal”, indica o sindicalista, depois do jornal Público ter avançado na sua edição de hoje que “não há movimento de contentores no Porto de Setúbal, nem operações no terminal usado pela construtora automóvel Autoeuropa para expedir veículos para o mercado de destino”.

O Público destaca que a fábrica de Palmela tem 6.000 carros parados à espera de embarcar.

Uma fonte oficial da fábrica da Volkswagen em Portugal disse ao jornal que “a paragem dos estivadores já implicou o não envio de cerca de seis mil unidades para o seu mercado de destino”, salientando que a “situação pode colocar em causa a operação da fábrica [quando for] atingida a capacidade máxima de armazenamento de carros produzidos”.

Na segunda-feira, a Agepor denunciou a inexistência de trabalho portuário nos terminais de contentores de Setúbal, sem que esteja decretada uma greve ao trabalho em horário normal, e pediu a intervenção do Ministério Público.

Os agentes de navegação notaram que apenas está decretada uma greve ao trabalho suplementar pelo Sindicato dos Estivadores e da Actividade Logística (SEAL).

A par desta paralisação dos precários decorre um greve ao trabalho suplementar, decretada pelos estivadores do SEAL, até 01 de Janeiro de 2019 em defesa da liberdade de filiação sindical.

A greve em, causa abrange os portos de Lisboa, Setúbal, Sines, Figueira da Foz, Leixões, Caniçal (Madeira), Ponta Delgada e Praia da Vitória (Açores).

O Governo já disse que está a acompanhar a situação no Porto de Setúbal. Em declarações à agência Lusa, uma fonte do Ministério do Mar disse que a ministra Ana Paula Vitorino tem “mantido um diálogo contínuo” com vários operadores portuários.

 

CIP diz que greve está atingir “dimensões insustentáveis”

 

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal – CIP, António Saraiva, afirmou ontem que a greve no Porto de Setúbal “está a atingir dimensões insustentáveis” por estrangular o escoamento dos produtos portugueses, num país que está “carente de exportações”.

“É um problema que está a atingir dimensões insustentáveis e para o qual o Governo, dentro do quadro legal que tem disponível, tem de agir, porque estamos a provocar ali um constrangimento ao escoamento das nossas mercadorias”, disse à agência Lusa o líder da CIP, acrescentando que está “a provocar um estrangulamento à rentabilidade das empresas e ao seu desenvolvimento, num país que está carente de exportações”.

António Saraiva referiu que este porto “é vital não apenas para a Autoeuropa, mas para outras empresas da região que o utilizam”.

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