Simulacro de acidente na zona da Mitrena testa resposta de meios de socorro  

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Cerca de 6 mil pessoas participam num simulacro que vai testar efectivo de bombeiros, protecção civil, forças de segurança, unidades de saúde e empresas. O acidente é virtual mas os meios são reais. É o Mitrex 2019

 

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Um vagão cisterna ferroviário que transporta produtos tóxicos descarrila, na zona industrial da Mitrena; há um derrame e na sequência dispersa-se uma nuvem de vapor originário de substância perigosa que poderá provocar graves problemas de saúde a quem estiver por perto.

Pelo mesmo minuto, na estação de Praias do Sado A, um comboio com passageiros acaba de chegar. É urgente evacuar quem nele viaja, mas tudo se complica quando durante esta operação um veículo embate com um comboio.

Na Mitrena as empresas são colocadas em alerta, trabalham ali cerca de 5 mil pessoas que poderão ter de ser evacuadas, é necessário pôr em prática os planos de segurança de cada uma. A proximidade de uma zona habitacional é outra preocupação; pode existir também a necessidade de evacuação, é preciso assegurar transporte e realojamento.

Enquanto tudo isto se passa, o Hospital de S. Bernardo vai accionar o plano de emergência e testar a capacidade do serviço pediatria no atendimento a 30 crianças. Também a morgue vai ter de estar preparada para receber 30 pessoas que teriam falecido devido ao acidente.

Este é o cenário que vai ser montado na manhã de sexta-feira no simulacro Mitrex 2018 pela Protecção Civil Municipal de Setúbal, com o objectivo de “testar a capacidade de resposta de todos os agentes de socorro do concelho, assim como as aptidões das empresas da península da Mitrena para fazer face a situações de acidentes ferroviários que envolvam transporte de mercadoria perigosa”, avança a presidente da Câmara de Setúbal.

Na conferencia de imprensa para apresentação deste exercício, a presidente Maria das Dores Meira afirmava que “todos os meios da autarquia vão ser disponibilizados”, o que envolve bombeiros, maquinaria, pessoal operacional e, naturalmente, a Protecção Civil Municipal. No total, vão participar neste simulacro livex 6 mil pessoas e todos os meios necessários para responder a um acidente deste género.

“Não sabemos quando, mas um dia acontecerá uma situação idêntica à que vai ser simulada”, afirmava o coordenador da Protecção Civil Municipal, José Luís Bucho. Por isso, neste cenário “vão ser usados meios reais e envolvidas várias entidades”. Ou seja, no terreno, para além dos cerca de 5 mil trabalhadores das empresas instaladas na Mitrena, vão estar 50 bombeiros e 600 estudantes do ensino secundário que tiveram formação prévia para participar neste simulacro, como figurantes.

Durante o exercício, os jovens vão ser transportados em autocarros dos TST até à Lisnave e depois para o ferry-boat da Atlantis Ferris, responsável pelo transporte fluvial no Sado. “Nem todos os envolvidos neste exercício sabem tudo o que se vai passar, o objectivo é que actuem tendo também por base a surpresa que uma situação destas implica”, refere o Comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, Paulo Lamego.

Aliás, este cenário de suspense deverá ser aplicado às próprias empresas envolvidas, uma vez que lhes vai permitir “cumprir requisitos legais sobre segurança”, requisitos a que estão obrigadas perante a Agência Portuguesa do Ambiente e a Autoridade Nacional de Protecção Civil, refere José Luís Bucho.

Com a manhã de sexta-feira, na Freguesia do Sado, montada para testar forças de socorro do concelho, uma delas vai estar em maior destaque por actuar não só em Setúbal, mas em todo o território a Sul do Tejo, por ser a única que existe nesta área. Trata-se do Grupo de Intervenção de Matérias Perigosas que vai ter de lidar com a simulada fuga de vapores libertados pelo derrame de matéria tóxica após o descarrilamento.

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