Questões que marcam os dias e outras que marcam a vida

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Francisco Alves Rito – Diretor d’O Setubalense – Diário da Região

A actualidade obriga-nos a transformar a habitual nota do dia numa coisa maior, e de cunho mais formal, porque são coisas que marcam. Uma marca o quotidiano e pouco mais, mas a outra não é para menos do que determinar a nossa vida colectiva.

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A peixeirada “democrática”  no Montijo

A situação de falta de respeito, não apenas pessoal mas até institucional, que se vive entre os eleitos na Câmara Municipal do Montijo, faz das reuniões públicas deste órgão municipal uma câmara de horrores da democracia, da política e da boa-educação.
São, sem sombra de dúvida, e de longe, as reuniões de câmara de mais baixo nível do distrito. Em nenhuma outra autarquia da região se vê, actualmente, aquilo que no Montijo se transformou no habitual.

Os ataques entre os eleitos deixaram de ser políticos para serem pessoais e deixou de haver respeito até pelos cargos que os eleitos ocupam. O presidente da Câmara e os vereadores não são apenas o Nuno Canta, o Carlos Jorge de Almeida ou o João Afonso. São muito mais do que as pessoas – o que já é muito e deveria ser suficiente para se respeitarem -, representam a instituição Municipio do Montijo e os milhares de cidadãos que os elegeram.

A culpa reparte-se por todos e, curiosamente, neste aspecto os menos culpados serão até os partidos, porque se trata de posturas pessoais não determinadas pelas forças que representam. Mas, embora não tenham culpa, os partidos têm responsabilidade na matéria. Não apenas escolheram ou aceitaram estas figuras como seus candidatos, como, que se saiba, nada fizeram para acabar com tal conduta ou, pelo menos, demarcarem-se.

 

A golpada na regionalização do país

Pior do que a língua dos políticos no Montijo é a mingua de seriedade politica no pré-processo de regionalização que se vive em Portugal.

20 anos – fez ontem – depois do primeiro e parcialmente triste (um pouco quanto à forma e muito no resultado) referendo sobre a matéria, a criação das regiões administrativas está a avançar duplamente mal.

Primeiro porque o avanço é sub-reptício, com agendas ocultas, negociações pouco claras, sem que o necessário debate público seja assumido. Os partidos com maiores responsabilidades parlamentares parece que não querem verdadeiramente a regionalização, quando, receio bem, o que não querem realmente é o debate aberto.
O processo avança mal também – e neste caso é ainda mais grave – porque está a ser desenhado um mapa das regiões administrativas que constitui um atentado ao nosso direito colectivo de participar nesse processo e um erro histórico para a região de Setúbal.

A ideia em curso, de transformar as Áreas Metropolitanas de Lisboa e Porto em regiões, não serve, de modo nenhum, à Península de Setúbal.
Já vimos o que estamos a perder em fundos comunitários, e com isso percebemos como esses “erros” político-administrativos são possíveis e como são danosos.

No caso das regiões administrativas, a integração de Setúbal, é igualmente errada e prejudicial para os nossos interesses e bem-estar.

Se ficar na mesma região que Lisboa, Setúbal continuará dependente, subalternizada e esquecida. A viver do meio-frango estatístico que Lisboa come sozinha.
O lugar do distrito de Setúbal é na região do Alentejo, no mínimo com o Distrito de Évora, desejavelmente também com o Distrito de Beja.

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