Dia de Todos os Santos

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Mário Moura - Médico

Sempre senti como importante comemorar este dia de todos os santos que passa amanhã, bem como o dia seguinte que habitualmente se chama “dia de finados”.
A minha interpretação do termo “ser santo” não se baseia em alguém fazer alguma ação que a ciência não justifica. Ora um milagre é apenas uma resposta de Deus a uma prece dum seu fiel -faço um pedido, numa situação de grande aflição que não vejo como solucionar e essa solução me aparece no seguimento do meu pedido feito com fé na existência dum poder que tudo pode e tudo controla e que é a bondade superlativa e por isso me vai ajudar.

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É claro que para mim viver na plenitude dos nossos tempos espalhando amor especialmente aos nossos irmãos que são excluidos da nossa sociedade é ser santo. Para mim só há um pecado grave que é não amar. Nesta conformidade acredito que por esse mundo fora e por todas as quatro partidas do mundo há muita gente que sempre viveu amando o próximo na família, na profissão, na sua vida social, e que ninguém conhece nem nunca veremos admirados num altar. Esses que são verdadeiramente santos no quotidiano da sua vida sendo verdadeiros imitadores de Jesus Cristo, mesmo que não creiam nELE ou nem saibam quem é, mas contribuem para melhorar este mundo caótico, hedonista e individualista em que vivemos. Por isso me comove o “dia de todos os santos” e não deixo de homenagear intimamente esses santos – e é tão difícil viver santamente no mundo atual!!

O dia de finados em que vemos muita gente acorrendo aos cemitérios rezar ou simplesmente ornamentar a campa dum familiar, de qualquer maneira homenageando um ente querido desaparecido desta vida terrena é um dia propício a meditarmos sobre a morte que presentemente é um verdadeiro tabú nos nossos pensamento, nas nossas preocupações e nos motivos de conversas. A morte é um tema 0a que hoje se foge, é um tema que não compreendemos nem sabemos bem o que é, isto é como definir. Alem disso falar na morte arrasta consigo refletir sobre o sentido da vida – Nascemos (O QUE NÃO PEDIMOS!), vivemos labutando para sobrevivermos na sociedade, e quando pensamos na morte (pensamentos a que fugimos!) vem-nos à mente para que vivemos, lembramos o quanto nos sacrificámos, passamos em revista um esforço permanente que tivemos de fazer anos e anos para – afinal – tudo se desfazer na terra ou convertido a um punhado de cinzas e uma nuvem de vapor de água a sair pela chaminé do crematório. Que sentido tem a vida vista assim?

Temos de pensar na morte para podermos pensar no sentido da vida, para podermos interrogarmo-nos sobre o “alem” ao sairmos do “aquém” onde vivemos. Sartre dizia que a maioria das pessoas apenas estavam no mundo, não vivendo, porque não assumiam – a maioria – o seu poder de continuar a criação, porque não tiveram a preocupação em construir uma “pegada ecológica” que contribua para a salvação da “mãi terra”, porque se esqueceram que o afeto e a fraternidade são objetivos de vida, ou ainda porque fugiram às responsabilidades de participarem da gestão da “res pública” (da coisa pública a que chamamos política!).
É urgente por em prática a sabedoria da meditação sobre a morte, para que a existência readquira autenticidade.. Porque na antecipação da morte capto o valor único da pessoa humana que vale mais do que todas as coisas: as coisas são meios, só a pessoa é fim insubstituivel. Confrontados com a meditação sobre a inevitabilidade da morte, é abalada a raiz da existência enquanto totalidade, levando-nos inevitavelmente a pôr questões bem mais profundas do que o que dizemos no quotidiano das nossas vidas. A vida continua, pois a morte não é nada, apenas continuamos do outro lado Caminho!

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