População elogia autarquia pelo projecto do Convento mas contesta estaleiro sem fim à porta de casa

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Para lá do Convento e Largo de Jesus, através de obras realizadas em toda essa zona envolvente, a autarquia pretende “criar melhor qualidade de vida para os residentes com novas zonas verdes, mais estacionamento gratuito e muito trabalho invisível”, afirma Carlos Rabaçal

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Fotografia: Município  de Setúbal

Um projecto que “inicialmente rondava os 17 milhões e era da responsabilidade do Governo”, foi deste modo que as obras de requalificação do Convento de Jesus, Largo de Jesus e áreas envolventes foram apresentadas à população, através de uma reunião convocada pela autarquia no passado dia 25 e que juntou cerca de 50 pessoas no Salºao Nobre dos Paços do Concelho.

A reunião, dirigida com especial enfoque aos moradores da União de Freguesias de Setúbal, apresentou um projecto quase com 18 anos de percurso “a decorrer desde 2001, com candidaturas a fundos comunitários, realizadas por diferentes fases, para as infraestruturas visíveis e não visíveis que foram necessárias criar, desde a nova rede de esgotos, ao planeamento museológico do Convento e novos espaços verdes”, afirmou Ana Lenho, engenheira responsável pela aplicação do projecto no terreno. “Uma nova fase que representa cobertura de uma área com mais de 20 mil metros quadrados”.

Actualmente, “nas contas da autarquia fazemos uma estimativa de que a totalidade do projecto fique concluída com um investimento de cerca de 10 milhões de euros” comentou recentemente Carlos Rabaçal, vereador responsável pelo pelouro do Urbanismo a O SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO. “Quanto à nova fase da obra apesar do tempo estimado de conclusão apontar para um ano, julgo que ficará executada na totalidade até final de 2019, talvez um pouco mais, porque sabemos que existem sempre imprevistos com os quais temos que contar”.

O novo Largo de Jesus e o “eterno estaleiro de obras”

Perante as novidades apresentadas com o intuito de explicar aos moradores os inconvenientes que podem vir a surgir durante a realização de mais esta fase da grande obra e necessidade de manterem o diálogo constante com a autarquia no sentido de resolverem em conjunto todos as questões, muitos foram os moradores que parabenizaram e elogiaram o projecto da autarquia, em especial o novo espaço verde a ser criado no Largo de Jesus.

João Pinto, reside de frente para o estaleiro de obras, alocado na parte de trás do Convento e confessa, “é com grande satisfação que vejo chegar o final destas obras, porque vivo ali à muitos anos e os inconvenientes que temos passado são incontáveis, assim como os problemas de estacionamento, com os carros a entrarem na Rua Oliveira Martins e estacionarem junto à Santa Casa da Misericórdia, apesar de haver um sinal de estacionamento proibido”.

O morador acredita que depois desta intervenção para criar uma nova zona verde com cerca de 200 lugares de estacionamento “todos os residentes vão ter certamente uma vida muito mais sadia”.

Ana Ferreira, residente na Praceta Manuel Luís Figueiredo, comenta também “o muito que todos ali têm sofrido, ao longo de anos, com o estaleiro das obras alocado de frente para as suas janelas”. Nessa zona Ana Guerreiro confessa ter “visto de tudo”, inclusive, “camiões do lixo a lavar contentores”.

Uma situação que espera “tenha um fim breve, tal como o senhor vereador afirma e que traga a todos os residentes da zona melhores condições de vida”.

A par desta situação Ana Ferreira e Maria Helena, também residente na Praceta Manuel Luís Figueiredo, abordam algo que consideram “falta de cuidado do departamento de Ambiente da autarquia, porque permitiram que fossem arrancadas árvores de grande porte durante o período das obras, inclusive uma palmeira, simbólica da antiga Quinta do Salgado”.

Uma situação sobre a qual Carlos Rabaçal respondeu atribuindo a acção ao empreiteiro anterior, “que desrespeitou as indicações do departamento de Ambiente para preservar parte das árvores que já existiam na área envolvente ao Convento de Jesus, de modo a integrá-las novo espaço verde a ser criado. Um conjunto de erros que levou inclusive à substituição de empreiteiro”.

A obra visível e invisível

Um dos aspectos abordados por Carlos Rabaçal nesta reunião com os moradores foi a componente da obra “que não fica visível, mas que é preciso fazer”.

Obra que, no seu parecer, “há 40 ou 50 anos atrás foi feita correctamente, à luz do que era feito na época, mas que hoje precisa ser refeita à luz do que consideramos mais correcto”.

O caso mais concreto prende-se com os colectores de baixa e grande pressão para os esgotos domésticos. “Infraestruturas que não existiam e era necessário colocar no decorrer destas obras, para que os esgotos fossem todos direccionados para os emissários e depois para a ETAR de grandes dimensões que Setúbal tem e não está a ser aproveitada em todo o seu potencial, devido a descargas que ainda são feitas para a zona do Naval”, refere o vereador. “Com esta obra estamos a retirar 28% do esgoto da cidade que ainda está a ser descarregado no Naval. Algo impensável no século XXI”.

É com esta perspectiva sobre o século XXI que Carlos Rabaçal apresenta um projecto que “irá mudar totalmente a face da cidade”. Até 2020, “a cidade entrará numa nova fase, em que a área do Convento de Jesus será interligada à Praça de Bocage através de novos percursos pedonais e diferentes espaços verdes e mais lugares de estacionamento gratuito que permitirão tornar a cidade mais apelativa para a circulação a pé”.

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