Terminal de Contentores está em condições de receber luz verde da autarquia

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Os autarcas socialistas estão confiantes num desenlace feliz. Terceira Travessia sobre o Tejo, novas ligações Barreiro-Montijo e Seixal-Barreiro, com expansão dos TCB na margem sul, em cima da mesa. Novo aeroporto poderá ser alavanca económica, mas Frederico Rosa reserva posição para quando conhecer o projecto

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O concurso para o Terminal de Contentores pode ser lançado já em 2019. Como vê este projecto?

FREDERICO ROSA – O Terminal de Contentores deve acomodar-se à estratégia do Barreiro e não ser a estratégia do Barreiro. Isto porque nem o terminal vai resolver todos os problemas do Barreiro, nem deve ser diabolizado e visto como o problema de todas as coisas. Queremos muito que o terminal venha para o Barreiro. Não tenho dúvidas que irá proporcionar postos de trabalho no Barreiro.

Quantos?

FR – Cerca de 500 directos numa primeira fase, além de todo o impacto a nível indirecto. Temos de trabalhar com rigor, de forma metódica, em parceria, para levar este projecto a bom porto, ou seja a concurso público internacional.

Já no próximo ano?

FR – Penso que sim.

Voltando à localização que sofreu alterações e gerou polémica…

FR – … A versão que apareceu sempre, a qual a Câmara acompanhou sempre com o grupo de trabalho, foi a que colocava contentores à frente da avenida da praia. O que foi feito agora foi compatibilizar o terminal, quer desimpedindo a vista da avenida da praia, levando-o mais para junto da zona industrial, e aí compatibilizá-lo também com a Terceira Travessia sobre o Tejo (TTT) que tem de estar prevista. Esta não está contemplada no projecto do terminal de contentores, mas este equipamento não pode impedir que no futuro o traçado da TTT seja inviável.

RUI BRAGA – Quando pegámos neste processo, tínhamos saído de um parecer negativo da Câmara do Barreiro em sede de estudo de impacte ambiental que barrou o processo. Na altura éramos oposição e foi por unanimidade que a Câmara disse não estar de acordo com a localização. Na primeira reunião com o grupo de trabalho, liderado pelo gabinete da ministra do Mar, tive oportunidade de dizer que a nossa oposição mantinha-se inalterável se o terminal, nas suas duas fases, tapasse as vistas da avenida da praia e enclausurasse o Barreiro dentro de uma barreira de contentores. Então diminuiu-se o número de capacidade do terminal e mexeu-se na TTT, fez-se uma curva em planta que permitiu acomodar o terminal mais para a zona industrial.

E neste momento…

RB – Enquanto estamos a falar, está a ser estudado como é que o terminal se cose com a cidade do ponto de vista urbanístico da melhor forma, para mitigar os impactos. E acho que estamos em condições, face à posição de todos os partidos políticos no passado, de dar parecer favorável em sede de impacte ambiental. Na altura da consulta pública, que vai durar desde 16 do mês que vem a 26 do mês seguinte, estamos a preparar uma sessão de esclarecimento pública para que os barreirenses possam vir a debate. Ponto muito importante para nós: temos pedido que seja incluído no concurso internacional a obrigatoriedade, a preferência, que implique que o “player” que venha a ganhar o concurso tenha sede de operação na cidade do Barreiro. Isto para que pague aqui o seu imposto, em sede de derrama.

Ao terminal junta-se a questão das acessibilidades, onde se enquadra a TTT e até uma nova ligação rodoviária ao Montijo. Tudo previsto?

RB – Estes grandes projectos, Terminal de Contentores,TTT e uma eventual ligação ao Montijo no âmbito da construção do aeroporto na BA6, em todas as suas vertentes, estão compatibilizados no nosso território. Ou seja, nenhum canabiliza o outro. O terminal tem a sua vida, os seus acessos; a TTT se for construída tem também o seu espaço; e a ligação ao Montijo está também defendida, no nó de amarração muito próximo, nos terrenos da Baía do Tejo.

Essa ligação pode vir a ser feita por túnel, como chegou a defender o presidente da Câmara do Montijo, Nuno Canta?

RB – Há várias possibilidades em cima da mesa.

FR – Quer a ligação Barreiro-Seixal quer a ligação Barreiro-Montijo, por rodovia – e aqui também falamos na possibilidade de futuramente os autocarros do Barreiro (TCB) poderem servir de forma mais ampla a margem sul –, são para nós infra-estruturas estruturantes.

Já houve interesse manifestado pelo município do Montijo nos TCB?

FR – As conversas já se arrastam há muito tempo, antes do nosso mandato, conversas informais, manifestações de interesse… mas só vamos conseguir chegar de forma estruturada a estes princípios se tivermos acessibilidades. Haverá o tempo de termos essa conversa. Importante é haver acessos Seixal-Barreiro e Barreiro-Montijo. Se é por viaduto ou por túnel, os técnicos que decidam a melhor solução e nós cá estaremos para depois fazermos a nossa avaliação. A engenharia hoje faz tudo, desde que haja dinheiro. Temos de ter mais interligações do ponto de vista rodoviário e também fluvial. A ligação ao Montijo hoje em dia coloca-se muito no âmbito da possibilidade do novo aeroporto.

Há quem defenda que o Barreiro é quem sofrerá maior impacto, com poluição sonora, se o aeroporto for construído no Montijo.

FR – Vou pronunciar-me quando conhecer o projecto, os estudos. Hoje sabemos que haverá constrangimentos ao nível do ruído e que, caso haja uma ligação Barreiro-Montijo, seremos a cidade mais próxima do aeroporto. Como pontos positivos pode chegar ao Barreiro um nível de emprego como não se via há largas décadas, porque temos nos territórios da Baía do Tejo terrenos disponíveis para poder alocar toda a indústria que gravita à volta do aeroporto. Este investimento tem de se transformar numa grande alavanca de todos os territórios. Como nunca fui “achador profissional”, que são aquelas pessoas que acham sobre tudo e sobre nada, quero conhecer o projecto para me poder pronunciar.

‘Educação é o verdadeiro elevador social’

No arranque do ano lectivo, o presidente da autarquia realçou as obras na escola dos Fidalguinhos e na escola n.º 4. Mas, a oferta dos manuais de Matemática e Português do 7.º ao 12.º ano foi a medida que mais satisfez

Foi difícil a preparação do arranque deste novo ano lectivo?

FR – É sempre difícil, porque queremos sempre que existam mais condições do que as existentes. Tivemos duas escolas com condições para abrir portas. A Escola Básica dos Fidalguinhos, que visitámos de manhã [segunda-feira], que foi sujeita a uma obra que se arrastou durante muito tempo e que conseguimos agilizar. Temos também uma obra de uma escola que está atrasada, que se arrasta ainda antes de nós cá chegarmos. Mas tomámos a decisão de, na escola ao lado (n.º 4) – que tinha problemas de cobertura e mesmo dentro das salas – avançarmos para obras e reabilitá-la, para que os miúdos não estivessem mais em contentores. Foi uma obra recorde, começámos no final de Agosto e está completa, tirando alguns remates de obra.

Além disso, a oferta dos manuais escolares das disciplinas de Português e Matemática, do 7.º ao 12.º ano, foi daquelas medidas que nos satisfaz. A Educação é o verdadeiro elevador social, é pela Educação que se criam mais oportunidades de emprego, melhores cidadãos, capital humano mais qualificado e, acima de tudo, mais consciente. Estamos a falar de um investimento de 250 mil e 300 mil euros, que tem impacto directo no orçamento familiar dos barreirenses, afectará qualquer coisa como 50 a 75 euros por pessoa.

É para manter de futuro?

FR – Sim. Gostaríamos nós de ter condições para oferecer mais livros. Até queremos criar condições para alargar esta oferta a mais livros.

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