FREDERICO ROSA: ‘Fizemos muito trabalho invisível que vai dar frutos no segundo ano de mandato’

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O presidente da Câmara, ao lado do vereador das Obras Municipais, Rui Braga, deita um olhar sobre o primeiro ano de mandato e destaca algumas medidas tomadas neste período. Recuperação do Moinho de Maré Pequeno mereceu explicação detalhada dos socialistas

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Frederico Rosa não ficou surpreendido com a situação em que encontrou a autarquia, que apresenta, hoje em dia, um bom nível financeiro. Abordou as alterações aos serviços, que pretende de maior proximidade aos munícipes. E sublinhou que a reabilitação do moinho foi um projecto com a chancela do anterior executivo CDU que o PS resolveu tirar da gaveta.

SETUBALENSE-DIÁRIO DA REGIÃO – Quase a completar um ano de mandato, que balanço faz a este primeiro período?

FEDERICO ROSA – Ainda não tive tempo para me sentar e fazer um balanço. Agora, o que temos presente é que as coisas, hoje em dia, no Barreiro começam a ficar desbloqueadas. Conseguimos fazer muito trabalho invisível que vai dar frutos no segundo ano de mandato. Não posso esquecer neste primeiro ano, questões como o desbloquear das garantias bancárias do POLIS que se arrastavam há vários anos, sem fim à vista. A decisão de mudar toda a iluminação do concelho para iluminação LED. E uma medida, para nós muito simbólica e, mais do que isso, muito efectiva: a oferta dos dois manuais escolares aos alunos que residem no Barreiro, uma medida que toca em muita família.

A situação encontrada foi melhor ou pior do que o esperado?

FR – Lembro-me de dizer, ainda antes da tomada de posse, aliás, no primeiro dia em que fui apresentado como candidato do PS, que a nossa missão não era preparar uma candidatura mas sim uma presidência. Isso implicava conhecer ao máximo, dentro do que é possível, a realidade da autarquia. Há coisas que só conhecemos quando chegamos, mas diria que o panorama macro da realidade da autarquia não foi surpresa. Obviamente, tivemos algumas pequenas surpresas.

No que toca ao plano financeiro…

FR – … A autarquia teve 5 milhões de euros de mais-valias e transitou para o orçamento deste ano com cerca de 7,8 milhões. As taxas de execução, quer da receita quer da despesa, eram muito baixas. Estimamos que irão subir. Ao dia de hoje estamos num ponto muito bom ao nível financeiro.

Procedeu a algumas alterações, inclusive nos serviços operacionais. Já tem a “casa” arrumada da forma como idealizou?

FR – Para podermos exigir o máximo aos trabalhadores, temos de lhes dar condições. Estamos neste momento em transição de grande parte dos serviços para iniciar obra e depois para consolidar em novas instalações. Os serviços operacionais, que hoje trabalham no Nicola e que vão passar para novas instalações, tinham condições de trabalho que não eram dignas. Mas também outros. Vamos ter um grande reforço, ao nível de serviços, naquilo que é um dos nossos grandes centros operacionais, das águas e dos resíduos, onde estão também os Transportes Colectivos do Barreiro (TCB), que é no Lavradio. Vai passar a acomodar também a Divisão e o Departamento do Planeamento e do Urbanismo. Estamos também em fase final da obra de reabilitação de instalações que tínhamos no centro da cidade, na avenida do Bocage, onde vamos abrir um balcão único central para que a Câmara esteja perto das pessoas.

Uma intervenção que tem suscitado críticas fortes é a que está decorrer no Moinho de Maré Pequeno. A Associação Barreiro-Património, Memória e Futuro veio mesmo pedir a suspensão das obras e acusa a autarquia de cometer um atentado contra o património. Quer comentar?

FR – Este projecto de recuperação do moinho não é deste executivo. A decisão, o concurso público, a adjudicação e a consignação da obra foi tudo feito pelo anterior executivo. Essa associação já existia, curiosamente nunca a ouvi pronunciar-se. A CDU acusa-nos constantemente de falta de transparência e fiquei com a ideia, quando começámos a obra, que toda a gente desconhecia este projecto, que é um projecto não de um edifício classificado mas de um edifício que se encontra num sítio classificado. E ninguém sabia de nada. A imagem que foi posta a circular pela associação não correspondia à verdade. Também sabemos que a referida associação é maioritariamente feita por ex-autarcas e militantes do PCP. Lembraram-se, perante este novo executivo, de levantar uma bandeira política.

Uma bandeira política?

FR – Curiosamente, estamos em processo de passagem para a Câmara de edifícios ferroviários, como o dormitório, o armazém de víveres, edifícios completamente em ruínas, que vão ter uma nova vida, e nem uma palavra ouvi de congratulação por este facto, o que me leva a crer que o fim desta associação é meramente político. Mais: o que estava projectado no concurso, adjudicado e consignado pelo anterior executivo, era para se fazer do moinho um café. Tivemos duas intervenções neste processo: tirar o processo da gaveta e acabar com uma lixeira, uma ruína, a céu aberto e reabilitá-la e, depois, em vez de fazer um café fazer um sítio onde se pudesse contar a nossa história, a história do património moageiro que o Barreiro tem. Tivemos uma reunião, a pedido da associação, aqui na Câmara, onde puderam colocar todas as questões e que acabou, passadas duas horas e meia, três horas, porque um senhor dessa associação insultou o vereador Rui Braga, com motivos claramente políticos.

Como será então o Moinho de Maré Pequeno após esta intervenção?

VEREADOR RUI BRAGA – O engenho está junto à água e isso vai ser preservado, ninguém vai destruir o moinho de maré. A grande discussão em torno deste assunto é o uso que queremos dar ao moinho. O Barreiro precisa de pontos de interesse. Se lhe disser que a madeira das caravelas portuguesas na altura dos Descobrimentos saiu da Mata da Machada ou que era feito nos nossos moinhos o biscoito que acompanhava todos os navegadores daquela época, se calhar estou a dar-lhe uma novidade. Esta história é preciso ser vendida, contada.

O moinho fica numa zona privilegiada da cidade e investir uns largos milhares de euros para fazer uma cafetaria e concessionar não era o caminho. A associação em causa defende o património, espero que defenda mais do que paredes, porque tecnicamente o moinho não tinha recuperação. A capacidade de, num futuro próximo, podermos colocar o moinho a funcionar com o seu engenho original está presente. Não vai ficar nesta fase, mas se houver decisão podemos trazer o moinho à sua origem. A obra era para estar pronta a 31 de Dezembro. Acordámos com o empreiteiro que serão necessários mais 30 dias para concluir a 1.ª fase do projecto.

Investimentos privados prestes a serem anunciados

A captação de investimento, a avaliar pelas visitas de investidores estrangeiros ao Barreiro, tem merecido atenção. Há algumas novidades no que toca a investimentos?

FR – Aquilo que se vê é menos de 10 por cento de toda a diplomacia que fazemos, seja a receber ou a contactarmos pessoas. Temos várias coisas. Da nossa parte, temos projectos interessantes como a reabilitação da doca seca, que está a avançar agora, a ligação do parque Catarina Eufémia ao Moinho Pequeno e alguns investimentos privados quase a serem anunciados, alguns de imobiliário, alguns de equipamentos e um dossier, que tratamos quase como se fosse um filho, que tem a ver com a antiga estação dos barcos Sul e Sueste. Isto é uma maratona até estar concretizado, mas entrámos na última milha que é a mais difícil.

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