Morta à martelada enquanto dormia – toda a história de um crime macabro

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Amélia Fialho foi morta à martelada na cabeça quando dormia profundamente. Tinha sido drogada pela filha adoptiva, Diana Fialho, 23 anos, e pelo genro, Iuri Mata, 27, com comprimidos que o casal desfez e misturou na bebida da vítima, durante o jantar do passado dia 1, na casa onde coabitavam, no Montijo.

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“Terá ficado meia zonza, sonolenta, sem saber o que lhe estava a acontecer, acabando por se ir deitar. Encontrava-se a dormir profundamente quando foi agredida várias vezes na cabeça com um martelo. A nossa convicção é que a senhora morreu em casa”, disse fonte da Polícia Judiciária (PJ) de Setúbal a o SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO.

Depois livraram-se do corpo, que colocaram na bagageira do carro. Compraram gasolina numa estação de abastecimento, dirigiram-se a Pegões, onde depositaram o cadáver, regando-o com o combustível e incendiando-o. “O estado em que ficou o corpo, completamente carbonizado, nem deixava perceber se era homem ou mulher”, revelou a mesma fonte. Nem todas as partes do corpo estavam juntas, quando este foi encontrado pela PJ na noite do passado dia 5. Mas, o corpo não foi desmembrado. “Estava uma perna separada do resto do corpo, mas devido à reacção deste ao incêndio e à posição de como foi deixado num terreno com um declive, que motivou que resvalasse”, explicou.

PJ encontrou documentos da mãe escondidos

O casal tentou apagar todos os vestígios de forma a afastar quaisquer suspeitas. Desfizeram-se do martelo utilizado no crime e do telemóvel de Amélia Fialho, lançando-os da Ponte Vasco da Gama ao rio Tejo. “Mas ficaram com os documentos da vítima, esconderam-nos, porém, foram recuperados pela PJ”, confirmou a mesma fonte policial.

Além disso, lavaram a casa e o carro com lixívia. “Mas, os hemáticos [vestígios de sangue] foram detectados” na bagageira do veículo, “em alguma quantidade”, e também “em casa”, na sequência das buscas realizadas pela PJ no dia 6. Também as imagens captadas em câmaras de vigilância na estação de combustível e a monitorização dos telemóveis do casal deram conta à PJ dos locais por onde os dois passaram.

A polícia conseguiu também apurar que Diana e Iuri “realizaram pesquisas na Internet para encontrarem a forma de matar a senhora, como por exemplo onde ficava uma estrada de terra batida, Pegões, ou uma quinta isolada, tal como se pode procurar qual o medicamento que adormece as pessoas”. Diana e Iuri “pensaram que conseguiam cometer um crime perfeito”, mas enganaram-se. Acabaram detidos na madrugada de dia 7 e ficaram em prisão preventiva depois de terem sido presentes a tribunal, no Montijo.

Herança e desavenças foram móbil do crime

Diana Fialho era herdeira única de Amélia Fialho e pretenderia apropriar-se de tudo. Esta terá sido a principal motivação que levou a filha adoptiva, em conjunto com o seu marido, a planear a morte da mãe, que possuía bens imóveis: o duplex onde coabitavam e um andar, alugado, em Montijo, e uma casa na Galiza, Espanha, além de dois carros. Outra das razões, segundo a PJ, terá sido a relação turbulenta e as frequentes desavenças com a vítima. De resto, as autoridades terão mesmo registo da existência de uma queixa de agressões da filha à mãe efectuada em 2014.

Adoptada aos 9 anos

Ao contrário do que tem sido veiculado em alguma Comunicação Social, Diana Fialho foi adoptada por Amélia aos nove anos de idade e não aos cinco. Esteve até aos 18 anos a viver na casa da vítima, de onde saiu para ir viver com a mãe de Iuri Mata, então seu namorado. Os dois viriam a mudar-se depois para casa da avó do jovem, que tinha poucas posses. Amélia viria a aceitar há cerca de dois anos o regresso de Diana a casa, apesar de a filha ter imposto como condição que a mãe acolhesse também Iuri, com quem viria a casar a 14 de Julho último.

Diana tinha ascendente sobre Iuri… ambos confessaram crime

Face às evidências dos factos da investigação recolhida, Diana e Iuri sentiram que não tinham outra alternativa e confessaram. “O crime foi praticado em co-autoria, houve uma decisão conjunta, um plano conjunto e uma execução conjunta. Ambos agrediram a vítima com o martelo”, disse fonte da PJ de Setúbal. “Nota-se muito claramente que ela tem de facto um ascendente sobre ele e que na execução do crime foi preponderante, foi-lhe dando indicações, foi-lhe mandando fazer, foi lembrando-se de coisas que ele não se lembrou”, reforçou.

Os passos de Diana para encobrir o crime

O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO foi o primeiro órgão de Comunicação Social a noticiar o desaparecimento de Amélia Fialho e a contactar com a filha adoptiva, cuja estratégia para afastar suspeitas do crime praticado foi iniciada no facebook dois dias após o homicídio.

DIA 3, Diana apresentou participação formal na PSP do Montijo sobre o desaparecimento da mãe. Publicou, pelas 23h29, o apelo no facebook a dar conta desse desaparecimento.

DIA 4, pela manhã, respondeu a o SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO, através de mensagem pela rede social, sobre alguns dados da mãe (idade, altura, cor do cabelo). Mas foi incapaz de lembrar a roupa que a mãe teria vestida na noite em que desapareceu. “O problema é esse, nós não vimos o que ela tinha vestido, estávamos a preparar-nos para irmos sair também e quando demos conta a porta da rua já tinha batido e ela saído”, disse. À tarde desse mesmo dia enviou nova mensagem: “Se souberem de algo avisem-nos por favor.”

DIA 5, pelas 19h46, Diana partilhou no facebook a notícia do desaparecimento da mãe que fora publicada no site do DIÁRIO DA REGIÃO pelas 15h36 e que também integrava a edição em papel de O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO desse mesmo dia.

DIA 6, a TVI contacta o SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO pela manhã, para tentar obter o contacto de Diana. O SETUBALENSE – DIÁRIO DA REGIÃO enviou uma mensagem pela rede social a Diana, a perguntar se estaria interessada em ceder o seu contacto telefónico à estação televisiva, que pretendia realizar um directo pelas 12h30 no Montijo. Diana respondeu: “Deixe-me falar com o advogado primeiro e depois digo-lhe algo. Obrigada”. Mas não disse. Ainda assim, a TVI conseguiria chegar à fala com Diana e realizou o directo pretendido.

DIA 7, pelas 02h00, Diana e Iuri foram detidos. Ficaram em prisão preventiva depois de ouvidos no tribunal do Montijo.

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