Deputados do PS e PSD criticam cancelas da Arrábida

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Deputados do PS e PSD criticam cancelas da Arrábida

Eleitos locais e parlamentares do PSD questionam fundamentação autárquica que levou ao corte do trânsito entre a Praia da Figueirinha e o Creiro e PS aponta para “incoerência” das medidas numa cidade que a CDU quer virar para o turismo

 

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Bruno Vitorino, Maria Luís Albuquerque e Nuno Carvalho (PDS), Eurídice Pereira, Ana Pereira e Fernando José (PS) e Carlos Branco (BE) visitaram na sexta-feira, 27, as chamadas “cancelas da Arrábida” por iniciativa do grupo de cidadãos “Praia na Praça” e lançaram duras críticas à solução encontrada pela Câmara Municipal de Setúbal para resolver os problemas de trânsito e estacionamento que se verificavam na estrada de acesso às praias da Arrábida, prometendo continuar a pedir esclarecimentos à autarquia sobre a matéria.

“A Câmara Municipal tem de pôr a mão na consciência e arranjar uma solução de bom senso”, porque “por mais que venham dizer que é preciso controlar os acessos e regras de segurança de certeza que se encontrariam outras soluções que não estas”, afirmou Bruno Vitorino, eleito por Setúbal na Assembleia da República e presidente da distrital no encontro decorrido junto das cancelas em frente ao túnel da praia da Figueirinha.

Em causa está a proibição do trânsito em automóvel particular nos dois sentidos entre o túnel da Figueirinha e o Creiro – das 07h00 às 20h00, entre 31 de Maio e 16 de Setembro – e a tarifação do estacionamento automóvel na praia. Medidas que, na opinião do deputado, foram tomadas “à pressa”, sem respeito pelos utentes das praias e pelos concessionários, e que neste momento “condicionam quem tem menos possibilidades” de aceder à praia tendo de pagar 4,10 euros de bilhete por um autocarro entre Setúbal e a Figueirinha, fazer vários transbordos de autocarros ou pagar o estacionamento nessa praia.

Através dos deputados parlamentares e locais o PSD quer saber aquilo em que a autarquia sustenta as medidas tomadas (em especial o corte de trânsito ao longo de três quilómetros naquele troço da EN379-1), e para isso o líder concelhio do partido, Nuno Carvalho, solicitou, a 25 de Julho, a “documentação que fundamenta esta decisão”, não tendo até ao momento obtido resposta.

Os deputados parlamentares Bruno Vitorino e Maria Luís Albuquerque partilharam no entanto que vão “insistir nesta matéria”, pedindo esclarecimentos à Câmara Municipal de Setúbal. “Esperamos que este reforço dos deputados do PSD possa até levar a que tenhamos acesso a essa decisão. Se não houver plano detalhado das razões que levam a que este condicionamento exista e não for dado a conhecer aos cidadãos e aos autarcas e deputados, então é impossível que participemos na solução”, frisou Nuno Carvalho.

Do lado socialista, também a deputada Eurídice Pereira teve críticas a apontar, apesar de reconhecer “um único denominador comum consensual nesta situação: o reconhecimento de que as coisas não podiam continuar como estavam”. “A segurança das pessoas e da Arrábida merece particular atenção mas não nos parece que seja com o corte sem tréguas das acessibilidades. Isso é passar do oitenta para o oito. Há formas menos radicais que permitem equilíbrios”, disse.

Eurídice Pereira considera que “a acessibilidade zero entre as 07h e as 20h afasta as pessoas, o que não é, por certo, o que se pretende” e confessa não entender “porque é que as regras são iguais em meses com comportamentos diferentes, porque é que as restrições são iguais nos dias de semanas e nos fins de semana, faça sol ou faça chuva”. Em causa está, acrescenta, a afluência das pessoas às praias e consequentemente a saúde económica dos concessionários, que “são o ganha pão” de muitas famílias. A deputada espera, por isso, que haja “espírito de diálogo e cooperação” para “afinar boas soluções” que não passem por “barreiras incompreensíveis” como as cancelas ali colocadas.

Na mesma onda de pensamento, também a socialista Ana Pereira afirmou, no local, que a “limitação [do trânsito] não parece uma solução” e realçou aquilo que considera ser uma “incoerência do executivo CDU, que diz que quer abrir o município ao turismo e depois faz isto. […] Para quem quer virar a cidade para o turismo e desenvolvimento sustentável, acabou de fechar a porta”, criticou.

Esta iniciativa do Praia da Praça – que convidou deputados do distrito em representação de diversos grupos parlamentares para que conhecessem a situação e tirassem as suas ilações – sucede a uma manifestação realizada no dia 10 de Junho, na Praça do Bocage, em que os organizadores reforçaram o “descontentamento da população” e exigiram saber porque razão foram as tomadas as medidas em causa.

O grupo entregou um pedido por escrito, junto da câmara municipal, para poder consultar o plano de emergência para a Arrábida, o acordo de concessão dos TST e para saber “se houve ou não contrapartidas com o Alegro, com a Secil e outras empresas privadas na cedência dos estacionamentos”, mas segundo contou a porta-voz Vanessa Sequeira também não obteve resposta até à data, tendo-lhes sido dito que o pedido estava a ser “processado”.

Vanessa Sequeira confirmou ainda ao DIÁRIO DA REGIÃO que o “Praia na Praça” tem estado a reunir os contributos e sugestões dos seus membros através do tópico #alternativaarrabida e mantém a vontade de avançar com uma apresentação formal de propostas de alteração das medidas junto do município. “Estamos disponíveis, efectivamente, para debater novas soluções”, concluiu.

Concessionários queixam-se da falta de clientes

Paulo Ribeiro, concessionário da Ondagalapos nas praias de Galapos e Galapinhos, diz que é “o mais lesado” neste momento pelas consequências do corte do trânsito e do sistema de deslocação em autocarros, uma vez que isso tem afastado as pessoas da praia. “Ninguém vem de Setúbal almoçar ao meu estabelecimento”, relatou, acrescentando que por estes dias os clientes estrangeiros é que sustentam o negócio – apenas “um terço” do lucro feito em anos anteriores.

Na praia da Figueirinha o cenário é idêntico, segundo Henrique Carvalho, concessionário do Banana Splash, que disse estar a lucrar apenas 30% do que em outros anos. Na sua opinião, a eleição de Galapinhos como a Melhor Praia da Europa, em 2017, terá precipitado a excessiva procura das praias e levado aos abusos de estacionamento. Por outro lado, disse, tanto a GNR como os patrulheiros que guardam as cancelas não estão preparados para dar indicações aos turistas, noutras línguas.

 

Fotografias: Diário da Região
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