Ambientalistas defendem moratória na venda da Herdade da Comporta

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Herdade da Comporta

A Associação ZERO considera ainda que deve ser ponderada a reintegração da totalidade deste património na Companhia das Lezírias

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A Associação ZERO defendeu esta terça-feira uma moratória à venda da Herdade da Comporta, até à conclusão do Plano de Gestão do Sítio Comporta-Galé, e a inclusão daquele património na esfera pública com uma eventual integração na Companhia das Lezírias.

“A ZERO considera que o Estado deve impor uma moratória à venda até à finalização deste plano da responsabilidade do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF), desde há muitos anos por concluir”, pode ler-se num comunicado divulgado pela associação ambientalista.

“A ZERO teme também que o Estado português perca a oportunidade de fazer justiça e de exercer os direitos dos contribuintes, fortemente penalizados pela crise bancária, garantindo a inclusão de uma vasta área de território na esfera pública, aproveitando o facto de o principal credor do Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado (FEIIF), que gere os activos imobiliários da Herdade da Comporta ser, a Caixa Geral de Depósitos”, salienta a associação, que questiona a necessidade de uma “venda apressada”, lembrando que está prevista para a próxima sexta-feira uma assembleia dos participantes do fundo que gere a Herdade da Comporta para deliberar sobre as ofertas de compra daquela propriedade do litoral alentejano.

Critério de venda ‘não deve ser apenas economicista’

Para a associação, a integração da herdade na esfera pública é a única opção que garante a possibilidade de uma “reavaliação das escolhas erradas tomadas nos últimos anos em matéria de ordenamento do território no litoral alentejano, em particular pela criação de Áreas de Desenvolvimento Turístico (ADT) que não salvaguardam o património natural protegido”.

“O critério de venda não deve ser exclusivamente economicista, deve ponderar fortemente a possibilidade de utilizar a área em causa para projectos que favoreçam uma ocupação mais sustentável do território e em maior consonância com a preservação dos valores naturais, paisagísticos e até culturais da área da Comporta, e não alinhar numa ocupação turístico-imobiliária com índices de ocupação e impactes elevados à semelhança do previsto para a Costa Alentejana entre Tróia e Sines, que infelizmente continua prevista e que só a crise económica do início da década travou”, acrescenta o documento.

Os ambientalistas da ZERO consideram ainda que “deveria ser ponderada” a reintegração da totalidade da Herdade da Comporta (Herdade da Comporta FEIIF, o fundo de investimento imobiliário que gere os projectos turísticos e imobiliários daquela zona, e a Herdade da Comporta – Actividades Agrosilvícolas e Turísticas, que gere a actividade agrícola e florestal) na Companhia das Lezírias. Até porque, defendem, a Companhia das Lezírias “é hoje um exemplo de gestão pública”.

Lusa

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