NUTS Península de Setúbal: Caminho para o desenvolvimento

Municípios da Península de Setúbal muito longe de Lisboa

Não é só o PIB da Península de Setúbal que está muito abaixo da média comunitária (55%). Seis dos nove municípios da margem sul apresentam também valores preocupantes.

Consulte o estudo no final deste dossiê

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Os municípios da Península de Setúbal, individualmente considerados, são consideravelmente mais pobres do que os concelhos da Margem Norte do Tejo. Esta é outra conclusão do estudo que compara o estádio de desenvolvimento entre as duas regiões que compõem a Área Metropolitana de Lisboa e que o DIÁRIO DA REGIÃO noticiou já na sexta-feira.

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Segundo o documento, apresentado na semana passada, há seis municípios no total dos nove da Península de Setúbal abaixo dos 5.000 euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas per capita.

A Moita (1.926), Sesimbra (2.326), Barreiro (2.532), Seixal (2.791), Almada (3.254) e Montijo (3.862) são os seis concelhos que apresentam o VAB mais baixo, e abaixo até da já baixíssima média da Península de Setúbal (4.506, que compara com a média de 17.064 da Margem Norte de Lisboa). Do lado norte, apenas um município, Odivelas, apresenta este indicador abaixo dos 5.000 (nos 3.025).

Nos restantes três concelhos da Península de Setúbal, o VAB é superior, com Palmela no topo regional (11.472), seguida de Setúbal (8.512) e Alcochete (6.806), mas muito longe dos melhores do outro lado do Tejo, onde Lisboa chega aos 41.0036 e Oeiras aos 28.295.

Os promotores do estudo concluem que estes números revelam o nível “extremamente baixo” dos concelhos da Margem Sul em que nenhum é superior à média do outro lado, quando, ao contrário, todos os municípios da Margem Norte ficam sem acima da média da Península de Setúbal.

O estudo, realizado pela Plataforma para o Desenvolvimento da Península de Setúbal, que reúne a Associação da Industria da Península de Setúbal (AISET), a Associação do Comércio, Industria, Serviços e Turismo do Distrito de Setúbal (ACISTDS), a Cáritas Diocesana de Setúbal, e o Movimento Pensar Setúbal (MPS), compara a situação económica das duas margens do Tejo.

Segundo os dados apresentados, a Península de Setúbal, com um PIB per capita de apenas 55% do comunitário, está a divergir da média europeia, e é já a quarta região mais pobre de Portugal, apenas melhor do que as regiões do Alto Tâmega, Tâmega e Sousa, e Beiras e Serra da Estrela.

Entre 2000 e 2016 a margem sul cresceu menos do que as restantes regiões do país e que está a ser prejudicada no seu desenvolvimento por estar integrada na Área Metropolitana de Lisboa, uma NUTS III (Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos), sem acesso aos fundos comunitários por ter um PIB per capita superior ao da média europeia.

A Península de Setúbal representa 28% da população total da AML mas apenas 9% do Valor Acrescentado Bruto (VAB) das empresas o que “implica que mais de 150 mil pessoas se desloquem diariamente para a margem norte.

Desde 2000, a região de Setúbal perdeu 31 mil jovens entre os 20 e os 34 anos, a população envelheceu e o PIB per capita pode cair para os 47% da média da UE se entretanto nada for feito para que a península passe a ter acesso aos fundos comunitários.

Actualmente o PIB per capita da margem norte é mais do dobro (117%) do da margem sul e a comparação com as cinco regiões-plano existentes em Portugal (NUTS II) evidencia a “estagnação económica” de Setúbal e a “dificuldade” da sua economia recuperar da recessão.

De 2011 a 2016 a evolução dos apoios ao desemprego (subsídio de desemprego e subsídio social de desemprego) e à inserção social (Rendimento Mínimo Garantido e Rendimento Social de Inserção), “demonstra claramente a maior incidência” na região de Setúbal em comparação com a margem norte.

A Península de Setúbal preenche as condições de população necessárias para ser uma NUT III ou até uma NUT II e os índices económicos justificam o reconhecimento como região pobre da Europa, ‘região em transição’, como se designa oficialmente a categoria a que corresponde um reforço dos fundos de coesão.

Os promotores do estudo calculam que o prejuízo para a Península de Setúbal, em verbas que não recebeu de fundos comunitários, nos últimos dois quadros comunitários de apoio é já de três mil milhões de milhões de euros.


FRANSCISCO ALVES RITO – Director do DIÁRIO DA REGIÃO

A hora da política e dos políticos

“Como é possível ter-se acreditado que uma região que há apenas algumas dezenas de anos teve de ser resgatada por uma Operação Integrada de Desenvolvimento (OID-PS) já é, agora, a mais rica do país?”

 

 

 

 

 

 


Antoine Velge – Presidente da Associação da Industria da Península de Setúbal (AISET)

O diagnóstico confirma diferença assustadora entre região de Setúbal e margem norte do Tejo

“Por detrás dos sucessos incontestáveis da Autoeuropa ou da Navigator escondia-se uma região em queda e empobrecida”

 

 

 

 

 


Domingos Sousa – Presidente da Cáritas
Diocesana de Setúbal

O diagnóstico confirma diferença assustadora entre região de Setúbal e margem norte do Tejo

“Sem desenvolvimento económico não pode haver criação de emprego e melhoria da condição de vida das pessoas”

 

 

 

 

 


Orlando Santos – Presidente do Movimento
Pensar Setúbal (MPS)

Região de Setúbal já perdeu três mil milhões de euros de fundos comunitários

“Fomos prejudicados na distribuição dos fundos comunitários pelo território nacional e acabámos por ter pouco significado nos últimos três QCA”

 

 

 

 

 


Francisco Carriço – Presidente da Associação de Comércio, Industria,
Serviços e Turismo do Distrito de Setúbal (ACISTDS)

No Litoral Alentejano há mais desenvolvimento económico porque continua a ter fundos comunitários

“Não há investimento estrangeiro na península como já houve, e o comércio também é afectado, como é visível nas baixas comerciais de Setúbal, do Seixal, Montijo, Barreiro, Almada e em todas as outras”

 

 

 

 

 

 


Maria Amélia Antunes – Advogada, antiga autarca no Montijo,
consultora jurídica do estudo
NUTS Península de Setúbal
caminho para o desenvolvimento

Península de Setúbal, que futuro?

“A reflexão deve conduzir, agora, a um novo posicionamento, convocando todos os agentes a conhecer e agir por forma a alterar positivamente a situação da região”

 

 

 

 

 

 

 

NUTS PENÍNSULA DE SETÚBAL: CAMINHO PARA O DESENVOLVIMENTO

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