No Litoral Alentejano há mais desenvolvimento económico porque continua a ter fundos comunitários *

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O conjunto do distrito de Setúbal tem 13 concelhos, dos quais nove pertencem à Península de Setúbal e os outros quatro ao Litoral Alentejano e nós temos notado que o desenvolvimento nestes quatro concelhos apoiados pelo QCA tem sido superior aos nove da península.

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A Península de Setúbal há mais de 30 anos era extremamente industrializada, no tempo da Ariston, a Movauto, a Renault e outras empresas que entretanto saíram. Felizmente ficaram algumas boas indústrias e actualmente o associativismo está muito bem dividido na região, com a AISET a representar as médias e as grande empresas, e a ACISTDS representa as pequenas empresas.

Francisco Carriço – Presidente da Associação de Comércio, Industria,
Serviços e Turismo do Distrito de Setúbal (ACISTDS)

O tecido económico é constituído por todo este tipo de empresas e faz muita falta, às pequenas, um bom estado de saúde das médias e grandes porque é delas que também depende a classe média, que tem sido dizimada.

Este estudo demonstrou que nós tínhamos um poder de compra na ordem dos 68% da média da Europa e que hoje está abaixo dos 55%, o que quer dizer que todos nós empobrecemos.

Não há investimento estrangeiro na península como já houve noutra altura e o comércio e os serviços são também afectados por esta situação, como é visível nas baixas comerciais, de Setúbal, do Seixal, Montijo, Barreiro, Almada e em todas as outras.

As quatro associações estão juntas na plataforma, na defesa dos interesses da região, falta juntar as autarquias, que é natural que se juntem na segunda fase, mas o movimento de cidadania é sempre o primeiro a avançar.

A Península de Setúbal tem sido discriminada. Entrou para a AML e para a respectiva NUT, que está inibida de fundos comunitários. A nossa grande luta é sair desta NUT, porque não temos nada a ver com o norte do Tejo. Conheço os concelhos da margem de Lisboa, que visito frequentemente, e, na União das Associações Comerciais de Lisboa, que representa essa parte dos comerciantes da AML, os problemas são diferentes dos nossos.

Nas associações de Sintra ou Cascais o problema dos comerciantes não é a falta de poder de compra da população, como é a na nossa região. Querem-nos classificar entre os grandes, como se tivéssemos o poder de compra dos maiores do país, acima da média europeia, e dizem-nos que não precisamos de fundos comunitários, quando isso não é verdade.

A região norte da AML que fique com os números das estatísticas que tem, mas libertem-nos para termos acesso aos fundos do QCA. Com essa alteração ganha o tecido empresarial, o comércio, as autarquias e a população.

No Norte, o Porto usou o artifício de alargar a região a um vasto território, para não concentrar em meia-dúzia de município e diluir o enorme poder de compra que têm, e assim conseguiu classificar-se para continuar a receber fundos comunitários.

Houve regiões que deram um salto enorme, e nós também temos que ter direito a estas verbas. Esta vai ser a nossa luta até ao fim, quer tenhamos ou não o apoio das autarquias.

*Declaração proferida na apresentação pública do estudo ‘NUTS Península de Setúbal: Caminho para o desenvolvimento’, a 12/07/2018, em Setúbal. Titulo feito pelo DIÁRIO DA REGIÃO.

 

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