Concelho da Moita, Património do Tejo

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O Concelho da Moita tem uma ligação ancestral ao Rio, o que constitui um importante factor identitário, reforçado nas operações de revitalização realizadas nas últimas três décadas, um trabalho contínuo de valorização do património natural e cultural material e imaterial do Estuário do Tejo.
Uma das primeiras decisões de salvaguarda do nosso património foi tomada em 1980, quando a Câmara Municipal da Moita adquiriu o varino “O Boa Viagem”, um acto pioneiro de intervenção em defesa do património, e nada fazia antever que esse simples acto assinalaria um ponto de viragem do destino que parecia já traçado: o desaparecimento dos barcos típicos do Tejo. As associações náuticas, proprietários de embarcações, inúmeras pessoas individualmente, e as autarquias, tornaram possível salvaguardar este património cultural material e imaterial. Um património vivo, que liga o presente à História e garante a perenidade da nossa identidade colectiva; e que afirma um potencial de futuro, pois demonstra a capacidade de encontrar nestes novos tempos as condições de atracção e sustentabilidade que garantem a sua continuidade.
O Concelho da Moita acolhe o maior número de barcos típicos do Tejo e é também no nosso território que se encontra o último estaleiro de construção naval em madeira do Tejo – o estaleiro do Mestre Jaime Costa, em Sarilhos Pequenos. O desaparecimento do saber fazer da construção naval em madeira, é uma ameaça à própria existência das embarcações típicas, especialmente das embarcações de maior porte, como os botes, varinos e fragatas. Este conhecimento disperso nas mãos dos mestres de estaleiro, carpinteiros, calafates, ferreiros e pintores, precisa de ser salvaguardado de modo urgente, e foi com o objectivo de garantir a continuidade deste saber-fazer que a Câmara Municipal da Moita decidiu promover a inscrição das técnicas de construção e reparação de embarcações tradicionais do estuário do Tejo no Estaleiro Naval de Sarilhos Pequenos no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, para de seguida apresentar a candidatura deste património à inscrição na Lista do Património Cultural Imaterial que requer medidas urgentes de salvaguarda, da UNESCO.
Um eixo estratégico da política municipal que preconizamos é a promoção do desenvolvimento local de base comunitária, ou seja, encontrar na especificidade natural e cultural de cada comunidade vias para promover um desenvolvimento sustentado. Neste sentido, o projecto “Moita Património do Tejo” não se limita à apresentação desta candidatura. Queremos que ele seja um factor aglutinador e mobilizador de todo o concelho para fazermos da nossa ligação ao Rio um novo eixo estratégico de desenvolvimento local, esperando também forçar as entidades supraconcelhias a assumirem outro papel na defesa do Rio Tejo e do nosso património cultural e ambiental.
Este projecto ultrapassará os limites geográficos do Concelho da Moita, e pode constituir o ponto de viragem na dinamização do Estuário do Tejo, aproximando as comunidades desta riqueza ambiental e paisagística e do seu património cultural. Convidamos todos a embarcar connosco neste projecto.

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