Montijo na hora de balanço – O aeroporto, o trânsito e cidade

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No decurso deste meu balanço , tentarei caracterizar de uma forma necessariamente sintética, a situação actual da rede viária da cidade de Montijo, e as perspectivas futuras em termos de acessibilidades.
Mais exactamente, formularei duas questões muito simples, mas essenciais, como as seguintes:
– Qual é a posição presente da rede viária da cidade quanto à integração da mesma, face ao futuro?
– Quais as condições indispensáveis para que o Montijo esteja em situação de desempenhar cabalmente, no futuro, o seu papel no que concerne a uma melhor segurança rodoviária e a uma maior fluidez no tráfego rodoviário?
Actualmente, as acessibilidades complementares existentes, representam mais de 9% em relação ás acessibilidades registadas nas vias do interior da cidade, proporção esta anormalmente desnivelada, o que traduz a fraca amplitude da rede de acessibilidades da cidade.
Entenda-se por acessibilidade, o grau relativo de facilidade com que se atinge um determinado lugar a partir de outros. Estando o grau de acessibilidade directamente relacionado com o número de ligações directas: logo, quanto maior for o número de ligações directas maior será o grau de acessibilidade.
Temos ainda por outro lado, no Montijo, a utilização dos eixos principais rodoviários comuns a atingirem cerca de 82% (média diária) o que é manifestamente significativo e até preocupante. Deparara-se-nos aqui, um primeiro e fundamen­tal ponto a assinalar.
Em segundo lugar, com o crescente, e previsto, índice demográfico do Concelho, o trânsito automóvel irá aumentar seguramente na ordem dos 6,3% anualmente, tornando-se assim urgente a racionalização (expansão) da rede de acessibilidades existente.
Numa palavra, há que enfrentar a questão base: são precisas mais acessibilidades, ou pelo contrário, há prioritariamente necessidade de se coordenar melhor as já existentes, no que diz respeito ao fluxo rodoviário presente e futuro?! Atente-se que quer as acessibilidades complementares quer as citadinas, em alguns troços são já desadequadas, havendo pois que ponderar seriamente sobre esta questão.
Ainda e, sobre a prevista cons­trução de um Aeroporto Complementar no Montijo e com todas as consequências que dai advirão para o trânsito citadino, deverá de imediato ser já equacionado que o aumento do fluxo rodoviário, mesmo com as novas vias que se anunciam, que a rede viária irá degradar-se anualmente, em cerca de 11 %, adicionados aos actuais 6 % agora registados.
Sendo as vias novas, originárias de contrapartidas, e se assim for, duvida-se muito naturalmente qual o tipo de pavimento a colocar e ai, a degradação média anual dessas mesmas vias poderá vir a ser muito superior ao previsto, com todos os efeitos da manutenção, logo custos, que dai advirão e das consequentes alterações pontuais ao trânsito.
Em suma, não basta só criar novas acessibilidades é, e isto é tão ou mais importante de que tudo o resto, necessário e urgente que se tome consciência dos problemas que o trânsito tem no dia-a-dia, não só hoje mas e também amanhã.
Encaremos ainda o aumento, previsto, do índice populacional do Concelho, acoplado ao novo Aeroporto, que virá trazer para a cidade um aumento significativo e gradual do trânsito automóvel, isso é inquestionável.
Assim, este crescente movimento, associado à localização e traçado da cidade, com características especificas, faz com que seja urgente separar, o trânsito citadino do periférico, os ligeiros dos pesados e melhorar a mobilidade e, isto essencialmente para preservar a zona citadina e toda a sua estrutura viária envolvente, mas não só, que terá de sofrer mudanças profundas.
Entretanto se não se tomarem já de início algumas medidas, o trânsito na cidade tenderá a asfixiar-se e então aí, será mesmo preferível trocar o automóvel pela bicicleta!

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